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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Playlist da casa (23)

"Hippjokk" (Silence Records, 1997), Herdningarna


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quarta-feira, 14 de julho de 2010

Vem aí o Transblues

(clicar para ampliar)

O Transblues - Festival de Blues Béjar / Guarda começa hoje na cidade espanhola e na sexta na Guarda. Trata-se de uma iniciativa do TMG e da Junta de Castilla y Léon, com apoio das autarquias das duas cidades. Os concertos decorrerão no Jardim José de Lemos e no café-concerto do TMG. Dia 16, teremos o trio Michael Hill's Blues.No sábado, segue-se Larry Garner, um nome cimeiro da cena musical norte.americana do género. A acompanhá-lo, estará a Norman Beaker Band, grupo inglês que já actuou com outros “monstros” dos Blues como BB King, Buddy Guy, Alexis Korner, Jack Bruce, Van Morrison ou Chuck Berry, entre outros. No Domingo, segue-se o ecléctico guitarrista francês Cisco Herzhaft. Todos os espectáculos referidos decorrerão no jardim.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Monk no TMG

Meredith Monk vem à Guarda. Parece um sonho, verdad? Pois bem, o espectáculo será no Grande Auditório do Teatro Municipal, esta quinta-feira, 17 de Junho, pelas 21.30h. Ponham na agenda. Absolutamente imperdível. Para mais informações, ver aqui.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Playlist da casa (22)



"Scratch My Back" é o 14º álbum do arcanjo Peter Gabriel. Lançado no mês passado, contém uma selecção de covers com tratamento gourmet. Imprescindível. Fiquem com o tema de abertura, "Heroes", o eterno hino de Bowie.

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terça-feira, 16 de março de 2010

Playlist da casa (21)

"Elegiac Cycle" (Warner Brothers, 1999), Brad Mehldau,

liner notes, (texto do autor incluído no CD)

quinta-feira, 4 de março de 2010

O gira-discos recuperado do gajo


Reabilitado com pompa q.b. e na circunstância inaugurado com "Tutu", de Miles Davis.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A sagração

Ontem assisti ao filme "Coco Chanel e Igor Stravinsky", de Jan Kounen. Um registo competente e seguro quanto baste. Mas não é para uma apreciação crítica genérica do filme, do seu enredo romanesco, que aqui venho. Traz-me simplesmente a sequência inicial, relativa à estreia do ballet "Le Sacre du Printemps", no Théatre des Champs-Elysées, em Maio de 1913. Ou seja, da obra mais emblemática de Stravinsky, coreografada na ocasião por Nijinski. Tratou-se de um célebre espectáculo, que provocou um enorme tumulto na assistência, maioritariamente indignada. E que requereu mesmo a intervenção da polícia, pois o cenário na plateia estava a parecer-se perigosamente com uma épica rixa de saloon. Só dez anos depois a obra foi devidamente apreciada pelo público, após apresentação no mesmo local. A gorada estreia suscitou-me um sem número de reflexões. Sobretudo porque vivemos num tempo que consagrou a cultura de massas, a confusão fatal ente cultura e lazer, num território simbólico fundamental, onde a noção de consumo já não faz sentido, mas o "devir com". A indiferença "normalizada" perante os produtos saídos da indústria cultural, assim como a relativa banalização do gesto criativo, diante da auto-complacência e de uma subsidiação pública sem critérios consistentes, compõe o resto do quadro. Hoje em dia, ninguém iria patear uma obra que considerasse ultrajante ou fora do cânone. Diria simplesmente que foi "interessante", depois de abandonar a sala a meio, com medo de parecer um bota de elástico. Mas sendo este relativismo acrítico uma doença contemporânea, limitou-se, no fundo, a substituir outras, igualmente nocivas, embora mais compreensíveis, porque relapsas ao "deixa andar". O que aconteceu naquele dia de Maio de 1913 foi prodigioso! O séc. XIX e o séc. XX encontraram-se pela primeira vez cara a cara, sem subterfúgios. Com as suas linguagens inconciliáveis. O caos a irromper pela estabilidade anafada de um mundo que iria ruir no conflito que se seguiria, um ano depois. Não consigo imaginar, por muito que tente, o choque que provocou naqueles cavalheiros vitorianos da Belle Époque aquela energia vital selvagem, nitzschiana, aquela trepidação ciclotímica das figuras animadas pela música de Stravinsky. Que inauguraram, nesse preciso momento e de pleno direito, a modernidade plena. O que se passou foi como que o encontro, nada pacífico, de dois mundos. E ao contrário de outros, mais amistosos, nem sequer teve a pena de um Pero Vaz de Caminha para o imortalizar. Creio, porém, que o filme veio colmatar essa lacuna. Não sei se a expressão terá aqui inteiro cabimento, mas vou arriscar: "e nada mais seria como dantes"...

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Playlist da casa (especial)


Dois anos depois, voltei a assinar a Playlist de Dezembro do Café Concerto do TMG. Chama-se “Doce de Chill”, um nome bem apropriado para os excessos calóricos natalícios. A piéce de resistence, como o nome indica, são as sonoridades ambientais, nas suas várias facetas. Do cardápio consta: a colecção completa editada pela revista Xis “Chillout music collection”, os De Phazz, com a trilogia “Plastic love memory”, "Detunized gravity” e “Godsdog”; os Efterklang, com “tripper”; René Aubry, no inolvidável “Invités sur la terre”; Beirut, em “The Flying Club Cup”, a sua opus magnum, em meu entender; Ernst Rejseger, ao violoncelo, numa obra singular, intitulada “Colla parte”; os Jazzanova, com o incontornável "In Between”; os Red Seal, com “Black ops"; por último, a colectânea de covers “Zen CD”. E pronto... Bom solstício dançante!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Já são 810 primaveras!

Hoje é feriado municipal aqui pela Guarda. Não houve tempo para ir à torre de menagem ver os recém-inaugurados melhoramentos. Os quais incluem a projecção do foral da cidade num dos pisos e um centro de interpretação. Já aqui tinha dado conta das obras de requalificação então anunciadas, sob o título "O Novo Belvedere". A visita fica então para amanhã. Por sua vez, daqui a duas horas, perspectiva-se mais um grande acontecimento musical. Trata-se do espectáculo "Mestres de Capela da Sé da Guarda" (séc. XVI-XIX), sob a direcção de João Pedro Delgado e Domenico Ricci, no TMG.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Playlist da casa (20)


Gravação original: 1964 - Clip no Youtube - Apresentação - Na Amazon


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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

O showbizz

O périplo desses prosélitos irlandeses que dão pelo nome de U2 está a originar fenómenos de devoção dignos de um estudioso das religiões. Concertos esgotados, fieis que se deslocam a pé quilómetros e quilómetros para adquirir os bilhetes, que esperam dias e dias por que as box office abram as portas, de modo a obterem o passaporte para o céu, num desafio anónimo digno de figurar no Guiness, embora mais genuíno, mais místico do que esperar à porta do centro de saúde pela senha da consulta, nem a propósito, a sanha musical, precisamente, fiéis que dão hossanas quando têm garantido o seu rectangoluzinho que dá acesso ao céu, devotos que espalham a boa nova pelos microfones solícitos dos jornalistas, quando lhes são estendidos, oficiantes que homiliam o gosto megafónico, que pastam na mediania, que são fenómeno só porque seguem as pisadas do espectáculo, o verdadeiro deus, a máquina trituradora, que são conversos antes da conversão, apóstatas antes e depois da apostasia, peregrinos em busca da santidade decibélica, vítimas sacrificiais de uma imolação sem vítimas e sem carrascos...

Publicado no jornal "O Interior"

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Fugas

Hoje começam as festas da cidade na Guarda. Ou seja, um pesadelo pimba renovado e que nada acrescenta à cidade. Mas que, insistentemente, mobiliza uma comissão de festas organizada como se a Guarda fosse mais uma aldeia a precisar de mordomos. Altura ideal para uma escapada até um verdadeiro festival musical, e não só, em ambiente rural. Trata-se do "Trebilhadouro", edição 2009. O evento decorre numa aldeia abandonada na Serra da Freita, perto de Vale de Cambra, de 31 de Julho a 2 de Agosto. E que, tendo sido requalificada graças ao envolvimento da autarquia e de um grupo de teatro locais, é o palco para uma iniciativa anual que já ultrapassou as fronteiras. Durante três dias, haverá música, teatro, circo, exposições, oficinas, passeios pedestres... E a aldeia, só por si, é um mimo.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Morreu hoje José Calvário

José Calvário, maestro, morreu hoje. E eu, hoje cantei, no meu caminho difícil. Não cantei nenhuma canção difícil, como a «Internacional», ou «Dizem que amor de Estudante». Ouvi canções brasileiras. Porque a minha alma quer cantar. Cantam os homens no trabalho diário, cantam os que vão ser fuzilados, cantam os que resistem em Teerão. Cantam os pássaros contra a noite. José Calvário já estava em estado vegetativo desde o fim do ano passado e ia passeando de hospital em hospital até que alguém lhe desligasse a máquina. Certamente que quem o amava, lhe fazia companhia e imaginava que naquele corpo arfante, em respiração artificial, se geravam canções como «E depois do Adeus» ou essa canção tão bela «No teu poema». José Calvário orquestrou essa coisa maravilhosa que se chamava «Canção portuguesa» e que outros chamaram nacional-cançonetismo mas que mesmo assim milhares de nós cantámos nessas jornadas em que fomos todos um, apesar das desconfianças, das ingenuidades, das santas estupidezes e que foi o 25 de Abril. Nesse tempo amávamos, amávamos de flor na boca, com um coração paciente, duradouro, tenaz, capaz de esperar e de dar, de renunciar até ao Amor por um Amor maior. Nesse tempo éramos todos como o Fernando Rocha, que conta piadas ordinárias, mas sobre quem o Espírito Santo soprou, pois, uma dia destes salvou um homem de morrer afogado no Rio Douro, o mesmo Rio Douro onde ele, catraio, saltava para apanhar moedas aos turistas. José Calvário era pequeno, franzino e irritável. Não foi um génio. Tinha um rosto belo como esse rosto dos portugueses que ardem sempre sem fim, em busca de uma Paz que nem a História, nem o Destino lhes dá. Um rosto belo como o de Ana Zanatti, que confessou a sua homossexualidade (e não o seu lesbianismo) ao fim de tantos anos, certamente amargos e que me deixou, pelo menos a mim, desgostoso, por um rosto tão belo não ter sido amado por quem o merecesse. José Calvário conduziu a orquestra do Portugal que se recusa a deixar de cantar. Não inventou as canções, não as revolucionou. Apenas as trouxe até nós para que as pudéssemos cantar.
E, hoje, pensando em José Calvário, canto em silêncio neste Mundo bárbaro, com os que marcham em silêncio em Teerão. Que lhes cresça por dentro essa força sem fim, que é a força do Mar, que vai e vem e que perdura, sempre generoso e humilde, sempre inesgotável e sempre lá, quer o dia seja radioso ou a chuva rasgue o Universo. Ele chamava-se Zé Calvário e vós sois um Povo que se prepara para o subir. Povo Calvário, vamos por ali acima, pela aquela ladeira medonha, mas vamos a cantar.

André

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Jazz nas alturas

A edição deste ano do Festival de Jazz promovido pelo TMG começou este dia 9. E da melhor maneira, note-se. Um espectáculo com uma formação simples: Stephen Gauci no saxofone e Michael Bisio no contrabaixo. Uma sonoridade minimalista e tributária do free jazz. A mostra prossegue na sexta-feira, com a apresentação dos Biel Ballester Trio, associados ao gipsy jazz. A minha expectativa em relação a estes espanhóis é moderada, pois cultivam um género criativamente esgotado. Por sua vez, no sábado irá subir ao palco do Grande Auditório o cabeça de cartaz do Festival: o trompetista Jeremy Pelt com o seu quinteto.
Uma vez mais realço que, na Guarda, é impossível ouvir jazz, mesmo que circunstancialmente, em estabelecimentos abertos ao público. Existem resmas de bares nocturnos a passarem diariamente o mesmo techno de feira e as mesmas playlists de supermercado. As excepções só confirmam a regra. Uma razão mais para rejubilar com este Festival. Consultar aqui toda a informação.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

O fim de um tempo


A indústria discográfica, apavorada com as quebras de vendas na ordem dos 40%, deu corda à imaginação para acabar com aquilo a que chama "pirataria de ficheiros" na internet, ou "trocas ilegais" de músicas. Ou seja, partilha livre de temas musicais, sem necessidade de dispender 20 euros por um CD, cujo PVP é 1000% superior ao seu custo de produção. Pois é isso e só isso que está em causa. Ou alguém acredita que os paladinos "anti-pirataria" estão preocupados com os direitos autorais dos músicos, um valor perfeitamente residual? Tozé Brito, o pau mandado oficial (a que alguns chamam lobista, uma realidade ainda sem expressão institucional no nosso país) das multinacionais da indústria, vem agora mandar mais uma acha para a fogueira. Segundo esta luminária, os ISPs deveriam cortar imediatamente o fornecimento de sinal aos clientes com IPs onde fossem detectados fluxos de ficheiros ilegais. Ou seja, para o Tózé não há problema algum em os fornecedores de internet andarem a vasculhar aquilo que os cidadãos seus clientes andam a consumir na web! Bah, simples detalhes! Mas se o "big brother" dá conta de um "traficozito", toca a bloquear o acesso, "képáprenderes". Claro que a produção e disponibilização de ficheiros contendo obras protegidas, com fins comerciais, constitui acto ilícito. Mas já não a partilha de bens culturais sem intuito lucrativo. Se uma medida deste tipo fosse implementada, a violação de correspondência deixaria de ser crime, uma vez que os ISPs teriam carta branca para espiolhar os consumos dos seus clientes, os seus hábitos, o tipo de procura, os conteúdos descarregados, etc. Pelos vistos, a imaginação deste sector, penalizado com uma natural baixa da procura, já atingiu dimensões para lá de qualquer razoabilidade.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Elogio de Fausto


Recentemente, passou na RTP um documentário sobre aquilo a que se convencionou chamar de "música de intervenção". Com especial destaque, naturalmente, para os seus intérpretes maiores. A propósito do tema, apeteceu-me lançar uma pequena provocação ao auditório. Que nada tem a ver com a estafada discussão sobre a bondade da designação "intervenção". A qual, confesso, já cheira mal. Não, aqui o propósito é outro. E tem como pano de fundo as razões de uma escolha. As quais vêm já a seguir, à desfilada.
Existem cantores/intérpretes/autores cujo lugar não é, pura e simplesmente, questionável, ou sujeito à subjectividade desgovernada. JOSÉ AFONSO e ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA são os nomes mais óbvios. O último será lembrado mais pela imensa generosidade e combatividade, do que pela música, à excepção de alguns hinos. O primeiro é, simplesmente, o compositor de música popular portuguesa mais importante do séc. XX. E que sobreviverá, mesmo apesar da acção nefasta de alguns epígonos, muitos prosélitos e certos maus divulgadores.
VITORINO é outra figura à parte. E cuja veia criativa parece ter esgotado. Mas que, todavia, não integra a minha playlist actual, sobretudo por duas razões: os temas mais antigos já não consigo ouvir, devido a nostalgite aguda, e os mais recentes não me interessam.
SÉRGIO GODINHO é um caso mais complexo, mas simultaneamente mais simples de explicar: só gosto e só ouço o que fez até meados dos anos 80. Depois disso, prefiro o Serge Gainsbourg no original, embora reconheça o mérito artístico de alguns temas.
Outro problema é JOSÉ MÁRIO BRANCO. O qual mais facilmente me disporei a escutar "ao vivo" do que noutra qualquer situação. Talvez porque a sua música, hoje em dia, inspira mais do que ilumina.
Há alguns nomes cuja lembrança menos pesa. É o caso, por exemplo, de PEDRO BARROSO. Ao ouvir as sua baladas campestres, ocorre-me imediatamente o queijo "tipo" serra. Ou seja, um produto que se faz passar por aquilo que não é: música tradicional. É uma sonoridade que combina bem com uma feijoada acompanhada de um carrascão ribatejano. Seguida de uns versos flatulentos, dedilhados à guitarra e dedicados às moçoilas da região.
Resta então FAUSTO, para incluir na tal minha playlist multiusos. Onde permanece, de pedra e cal. E porquê? Para já, é o único que nunca atou a pedra da ideologia àquilo que se impunha que flutuasse: a sua arte. E foi por causa disto que alguém duvidou do seu posicionamento político? Por outro lado, Fausto assemelha-se mais a um herdeiro da tradição dos jograis e de entremezes, da tradição pícara ibérica. O seu registo vocal é o oposto daquele que se usaria num comício. Denotando uma elegância e uma ironia que escasseiam noutros. Onde coexiste a intensidade artística e o distanciamento. Fausto nunca utilizou a música como suporte para fins proselitistas. Nunca teve preconceitos em usar temas que outros considerariam pouco dignos. Nunca confundiu a solidez da mensagem com a crispação de uma "língua de trapos". Evidenciou um profundo conhecimento da cultura e da história nacionais. E compôs a opus magnum da música popular portuguesa da década de 80: "Por este rio acima". Cada disco seu é diferente de todos os outros, mas nenhum exclui os anteriores. Fausto é o único cujo nome não evoca mecanicamente nenhum adjectivo, sendo ele próprio um. Algo que não é, decididamente, para todos. Em suma, com Fausto sabemos sempre que "Grande, grande é a viagem"...

quinta-feira, 23 de abril de 2009

E já agora...


quinta-feira, 16 de abril de 2009

Playlist da casa (19)



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quinta-feira, 9 de abril de 2009

Tábua de marés (39)

Ice Concert
Percussão: Terje Isungset (http://home.online.no/~isungz/)
Voz: Lena Nymark
Pequeno Auditório do TMG, 27 de Março

No início da carreira deste músico norueguês vamos encontra-lo como percussionista dos Groupa, uma banda que cultivava uma sonoridade folk, com muita flauta e violino de permeio. Com a gravação de “Reise”, o seu primeiro álbum a solo, Terje inicia uma nova etapa do seu percurso, utilizando instrumentos feitos de gelo. Em 1999 surgiu “Floating Rythms”, uma gravação ao vivo. Em 2002, o registo “Iceman Is” é a obra inaugural da série Icemusic, uma sequência de discos onde as sonoridades obtidas a partir de instrumentos de gelo dominam , mas que também poderia ser encarado como um tipo de música inovador. Seguiram-se mais quatro discos: “Ice Concerts”, “Two moons”, “Hibernation” e “Middle of mist”. Nesse período fundou a editora independente All-Ice Records, em 2005, dedicada a este tipo de música. Mas Terje não faz a coisa por menos. As gravações de originais são efectuadas em iglos transformados em estúdios, obrigatoriamente mantidos a temperaturas inferiores a zero. O jazz glaciar deste músico não deixa ninguém indiferente. O concerto dividiu-se em duas partes distintas. A primeira, o “Ice Concert” propriamente dito, onde o músico pode experimentar de variadas maneiras os diferentes instrumentos, criados exclusivamente para este espectáculo, não é de mais salientar: desde o Tambor de gelo até à trompa, passando pelo “Gelofone”. Uma sonoridade introvertida e que acompanha em pleno a efemeridade da matéria-prima usada, originando um momento elegíaco. Um apelo do inicio dos tempos. Onde a água sólida é como que um bloco criativo, enquanto o som é esculpido e pulverizado, percutido de infinitas maneiras e transportando consigo um murmúrio cristalino, da ordem do êxtase. Ou seja, a intervenção hipnótica do gelo, entre comedidos jogos rítmicos e tons que parecem ficar suspensos num fluxo que ameaça libertar-se, numa estranha irrisão de pureza. As vocalizações de Lena Nymark, por outro lado, asseguram o degelo no meio da litania glaciar. Seguiu-se uma segunda parte, “O Tributo à Natureza”, onde Terje executou vários temas, recorrendo à bateria e um sem número de instrumentos de percussão criados por si. Utilizando também, no último tema, novamente à trompete de gelo. Devido à variedade instrumental, foi visível o virtuosismo do músico e a sua mestria na âmbito daquilo que se convencionou chamar de criação de “paisagens musicais”. Aparecendo como um “Yeti” com propriedades xamânicas no meio das fontes, das folhas das árvores, do crepitar das fogueiras, dos animais em corrida, dos cristais de neve que se descobrem apenas quando observados ao microscópio. Pegadas jurássicas que ficaram, tenho a certeza, marcadas de forma indelével em quem assistiu a este espectáculo memorável.

Publicado no jornal "O Interior", em 2 de Abril

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terça-feira, 31 de março de 2009

Playlist da casa (18)

80/81, Pat Metheny, ECM, 1980

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