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terça-feira, 5 de maio de 2009

Pour Finkielkraut, internet est une poubelle

Finkielkraut, Alain, é um conhecido filósofo francês. Polémico quanto baste nas suas obras e nas crónicas radiofónicas que mantém na France Culture, intituladas "Répliques". Recordo-me de me ter entusiamado sem moderação por uma obra de que é co-autor, com Pascal Bruckner: "A Nova Desordem Amorosa", (Bertrand, 1981). Recentemente, foi convidado a participar num debate promovido pelo "Arrêt sur images". Trata-se de um canal televisivo temático, cujo site funciona também como um agregador de conteúdos com especial incidência nos media e na web. Nesse programa, respondendo a Guy Birembaum, insurge-se contra a internet, considerando-a um "local de anarquia, pronto a contaminar os media tradicionais mais civilizados". Claro que o autor de "A Derrota do Pensamento" deve saber do que fala. É pena que nunca lhe tenha passado pela cabeça inverter o fluxo contaminador, pois é esse sentido de circulação que realmente devia preocupar a comunidade internauta e não só. Certo é que, Alain dixit, o lugar da world wide web é a mentureira (em bom vernáculo luso). Então que viva a mentureira e que vivam os respigadores e os alquimistas, que por lá praticam uma estranha ecologia global e democrática!...

segunda-feira, 10 de março de 2008

Um grande passo

A Rádio Altitude acaba de entrar na era do podcast. O serviço, ainda em versão experimental, está em funcionamento desde o início deste mês. Ficam assim disponíveis para o grande público os programas de grande informação, crónicas e debates transmitidos nesta estação. Basta aceder à página e descarregar os ficheiros pretendidos, ou escutá-los em streaming, a partir do próprio site. Existe um spot publicitário no início de cada ficheiro, da responsabilidade do servidor de alojamento. Com o hábito, ignora-se. Segundo anuncia a estação, "Este conceito de self-media – o que o utilizador quer ouvir; quando quiser ouvir – será, de resto, a matriz da nova página da Rádio na Internet, actualmente em construção, na qual o cada vez mais rico arquivo multimédia se encontrará disponível e também devidamente indexado para motores de busca." Uma boa notícia para os mais distraídos, os mais ocupados, ou os que não vivem na região, mas querem acompanhar o que aqui se passa.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

1984

Estas são realmente as coisas que me assustam. A deriva totalitária e as formas de controlo sobre o tráfego da web, numa excelente postagem de Rui Bebiano. Que remete para um artigo saído no Suplemento Digital do Público, intitulado "Quando os governos preferem que o seu país fique offline". A lista negra começa no Panamá e acaba em Cuba, passando pela China, Coreia do Norte, Bielorrússia e alguns países islâmicos. Muitos deles, santuários onde são inquestionáveis as verdadeiras liberdades, segundo o PCP.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Portal institucional


O "Institucional Portugal" é um utilíssimo portal para encontrar entidades e organizações, públicas ou privadas. Apresenta-se como um mosaico de logotipos, a partir de onde se estabelece directamente a hiperligação desejada. Compreende várias páginas: "placard institucional", dedicado a instituições e organizações públicas, nacionais ou internacionais, "associações, empresas e institutos" e " adesão 777", aberto à divulgação de websites de interesse público, apresentados pela palavra-chave respectiva. Eis uma boa alternativa aos motores de busca, uma vez que o ambiente gráfico é bastante intuitivo e os resultados são imediatos. E que poderá ser acedida, a partir de agora, a partir do item "Utilidades" deste blogue.

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

Notas hertzianas

Desde os tempos do "mocas" (a Rádio Altitude, para quem não sabe) que a rádio é um elemento essencial do meu quotidiano. É claro que a audição é, cada vez mais, selectiva. Para informação e debate, recorro à TSF. Para ouvir música nova e compactos temáticos, sintonizo a Antena 3, embora só à noite, pois no período diurno escasseia o serviço público. Compensado com a audição da excelente RNE 3, a "sucedânea" espanhola. Aqui, a qualidade musical é superlativa. A Antena 2 é igualmente uma referência crónica. No panteão da memória permanece a saudosa XFM, que depois, um degrau abaixo, se transformou na VOXX. O mesmo se diga de uma rádio localizada nos arredores de Lisboa, onde cheguei a fazer algumas emissões regulares, numa altura em que se aguardava a atribuição dos alvarás - a Rádio Horizonte Tejo. Informação local, já se sabe, é na Rádio Altitude. Nada de "estação das grandes músicas", ou Rádio Comercial, as quais, noblesse oblige, sou obrigado a ouvir nos balneários da piscina e nos expressos da Joalto. Por outro lado, é desesperante "levar" com espaços publicitários cada vez mais extensos, especialmente na TSF e na maioria das rádios locais. Para já não falar de um irritante expediente, utilizado pela maioria dos jornalistas que lêem os noticiários: o pivot repete exaustivamente o conteúdo da notícia que o repórter acabou de transmitir. Dá ideia que os ouvintes são crianças numa escola primária em que é preciso repetir a lição mais do que uma vez, ou que têm sérios problemas auditivos.
Recentemente, graças às possibilidades tecnológicas criadas através da web 2.0, tornei-me ouvinte assíduo das estações que emitem em streaming, ou aquelas em que posso configurar os conteúdos de acordo com gostos pessoais, de forma interactiva, nos chamados sistemas de recomendação musical. Das últimas já aqui dei notícia. O sistema Pandora, por exemplo, pode ser acedido através do plugin no sidebar deste blogue. Relativamente às primeiras, podem ser escutadas mediante software de leitura multimédia apropriado, associado a uma base de dados de estações de rádio: Winamp, Windows Media Player, Itunes e Online Radio Tuner. Este último é um programa muito simples de operar, no qual as emissões podem ser gravadas directamente e que recomendo. Como sugestões de audição, eis algumas das minhas estações favoritas:
And that's all folks!

PS: sugerida pelo Kubik, recomenda-se outra plataforma de selecção e leitura de estações online: o sensacional Screamer Radio. Efectua busca por géneros, geográfica, ou rede; possui várias opções de codificação das gravações e um osciloscópio.

sábado, 4 de novembro de 2006

A lota continua

O download de músicas sem fins lucrativos não é crime. Foi esta a sentença da juíza Paz Aldecoa, em Santander, Espanha. A acusação pedia que o réu fosse multado e pagasse uma indemnização.
Por cá, já tínhamos assistido a um fenómeno semelhante, quando a Associação Fonográfica Portuguesa, em conluio com a IFPI, processou 28 incautos cidadãos, acusando-os de pirataria. Sobre o episódio, ver o que aqui já escrevi.
Neste caso, o acusado era um homem de 48 anos que retirava na Internet álbuns de música e os compartilhava com os amigos. A juíza defendeu que um crime contra a propriedade intelectual tem de estar determinado por fins lucrativos, o que não acontecia neste caso. Exemplar.


Fonte: Diário digital

terça-feira, 10 de outubro de 2006

Chegou a rádio interactiva

De entre as ferramentas criadas a pensar na web 2.0, destacam-se os sistemas de recomendação de temas musicais. São também chamados os novos criadores de gostos, ou seja, funcionam como os principais representantes de uma corrente que combina as redes sociais com a rádio através da internet.
O funcionamento destes sistemas é simples. Em primeiro lugar, haverá que proceder à subscrição no serviço escolhido. Na respectiva página, dispomos de uma aplicação ou plug-in, que permite que tudo o que ouvimos com frequência a partir do disco duro fique registado. Essa informação é enviada ao servidor do projecto, que a junta ao ao restante feedback que é recolhido dos restantes utilizadores. Com esses dados são iniciados uma série de processos, nos quais a inteligência artificial (mas também a humana) intervêm para estabelecer relações lógicas e intuitivas. Por último, a partir destas, o sistema oferece uma série de recomendações que podemos escutar em directo (a partir de uma radio online integrada), ou podemos aceder ao serviço de venda associado. Os métodos são vários: os filtros colaborativos e a social recommendation, através das redes sociais; a análise musical a partir da experiência de profissionais especializados, que obtém as características de um tema para a relacionar com outras sismilares; finalmente, os resultados aparecem segundo a lógica de um motor de busca, sem outra intervenção.
A ideia é simples: trata-se de praticar o conhecido princípio de pedir uma opinião a amigos ou familiares sobre música ou filmes antes do passo seguinte, isto é , escolher. Estes sistemas são similares, embora levados ao extremo, pois baseiam-se numa comunidade de utilizadores que manifesta os seus gostos e um filtro selecciona somente aquelas ofertas que nos irão satisfazer.
Os sistemas recomendados são três. O Last.fm, talvez o melhor, integra uma emissão de rádio personalizada. O que já não acontece com o MyStrands, embora o sistema esteja organizado de forma mais criteriosa e intuitiva. Por último, temos o Pandora, o primeiro a aparecer. A resposta é imediata, pois os primeiros minutos deste sistema são preenchidos com os temas das emissoras que personalizamos, muito idênticas às que pedimos na origem.

sábado, 6 de maio de 2006

Decorreu no Porto, no dia 3 de Maio, a conferência-debate "Soluções para uma Indústria Musical em Portugal", acerca das questões respeitantes à indústria discográfica nacional. Contou com a presença de músicos, representantes de associações do sector e das editoras. Trata-se de uma actividade em crise, como é sabido, mas que tem respondido da pior maneira aos desafios que lhe estão a ser colocados, como já aqui referi.
A propósito do evento, veja-se este artigo no "Turno da Noite", bem como este libelo de Valter Hugo Mãe, em "Da Literatura".

terça-feira, 4 de abril de 2006

O regresso dos mortos-vivos

A Associação Fonográfica Portuguesa, em conluio com as multinacionais da indústria discográfica, representadas na poderosa IFPI (Federação Internacional da Indústria Fonográfica), acaba de processar 28 cidadãos por, alegadamente, terem descarregado ficheiros de música na Internet, em programas de peer to peer. Trata-se de 28 perigosos meliantes, a maioria jovens, a que estes senhores decidiram dar o adequado correctivo. Para que os restantes milhões que utilizam este meio para aceder àquilo de que gostam – música – pensem duas vezes ou mais antes de prosseguirem a sua actividade “criminosa”.
É evidente que as multinacionais do ramo estão apavoradas com a descida dos lucros, na ordem dos 45%. De tal modo que a sua estratégia, anunciada com pompa e circunstância, inclui a vinda ao nosso país do presidente da IFPI, de nome John Kennedy (juro que é verdade, mas sempre é melhor que John Smith), para dar uma mãozinha aos seus amiguinhos nacionais. A figura é sinistra. Numa manobra de puro marketing, multiplicou-se em entrevistas aos jornais da praça, destinadas a intimidar os indígenas. O senhor diz coisas surpreendentes, capazes de fazer estremecer La Palisse: “a indústria da música sofre terrivelmente” (snif); “estes infractores estão a ROUBAR (?) os artistas – que deixam de ter a possibilidade de viver do seu trabalho”; “a questão do preço é uma desculpa esfarrapada, utilizada frequentemente pelos infractores que roubam música” (em que século vive este senhor?)…”as pessoas devem olhar para esses 99 cêntimos (das descargas “legais”) e pensar no que podem comprar. Um café? Uma lata de coca-cola? Um bilhete de autocarro?”. Mas as verdadeiras pérolas vêm a seguir: “Quem rouba música não pode ser um verdadeiro amante da música”; “O preço de um CD em Portugal é muito inferior ao preço de um concerto ou de uma peça de teatro”. Chega? Vamos por partes:
1. Direitos de autor: o pano de fundo e justificação da repressão, é realmente um tigre de papel. Senão vejamos: será que a indústria estará mesmo preocupada com o não pagamento dos direitos aos criadores, sabendo-se que estes representam um percentagem ínfima do preço final?
2. Preço. Em Portugal os CDs e DVDs - à venda por 18 e 22 Euros, como valores de referência - custam praticamente o dobro dos EUA. Em vez de se queixarem da quebra de facturação, que tal baixarem significativamente o preço, aproximando o PVP do custo real do produto?
3. Multiplicação de fontes de registo. Sabendo-se que a simples menção da palavra MP3 cria logo convulsões no estômago a estes senhores, esquecem-se que existem outras fontes sonoras no ciberespaço, igualmente passíveis de captação e registo, como as rádios e TVs em streaming? Quem o faz está igualmente a defraudar a lei?
4. Melomanias. Quem gosta realmente de música, e ao contrário do que a IFPI apregoa, não se contenta, antes pelo contrário, com o mainstream que inunda o mercado. Tem que ir onde a indústria não chega. Então porque não tomam a sério uma política de reedição de fundos de catálogo, de modo a fazer circular no mercado obras de difícil acesso, não se limitando a editar o costumeiro lixo de três minutos?
5. Partilha versus contrafacção. Partilhar músicas, livros, bens culturais é uma prática que existe desde sempre. Faz-se entre quem comunga de mesmo gosto. Falo de uma domínio que é, por definição, pessoal e transmissível. Fazê-lo na Internet é uma conquista civilizacional com vantagens consideráveis. Outra coisa é tirar partido dessa disponibilização, para com isso obter vantagens económicas. O que sem dúvida constitui um ilícito, devidamente tipificado na lei penal. E só ai se deveria centrar a atenção de quem se sentir lesado.
Em conclusão, esta postura repressiva da indústria não poderá colher junto dos tribunais, nem muito menos na opinião pública. É bom não esquecer que a Constituição, no seu artigo 78º, garante o acesso à fruição e criação culturais, incumbindo o Estado de promover “uma maior circulação das obras e dos bens culturais”. Se a indústria quisesse realmente enfrentar o problema, numa estratégia prospectiva e não repressiva, deveria adequar a oferta à procura, a lógica do mercado à diversidade das preferências dos consumidores e às liberdades individuais
Graças às medidas propostas, as descargas a partir de programas de partilha de ficheiros baixariam como que por milagre. Para já, preferem fazer de cada cidadão um potencial personagem kafkiano, ignorando as novas modalidades de divulgação, consumo e fruição musicais.
Publicado no jornal "O Interior"

sábado, 4 de fevereiro de 2006

A Zona de Autonomia Temporária

Temporary Autonomous Zone é o título de uma obra saída nos Estados Unidos em 1991, assinada por Hakim Bey. (existe edição portuguesa, sob o título “Zona Autónoma Provisória”, Discórdia edições, Braga, 1999). Um nome a fixar, este guru nómada da contracultura ligada à utilização as novas tecnologias.
A sigla TAZ ilustra, por sua vez, a nova orientação do pensamento libertário americano dos últimos 50 anos. Bey rejeita as utopias dos enclaves autárquicos, sustentando “comunidades intencionais”, à maneira de Fourrier e Owen, como desconfia de um tipo de determinismo baseado na ruptura histórica – Bakounine e Babeuf. Posiciona-se, ao invés, naquilo a que chama de anarquismo ontológico - um conceito tirado a ferros do aristocratismo radical de Nietzsche – a base para uma proliferação descentralizada de experiências sociais. A economia de informação que sustenta esta diversidade é a Rede; os enclaves são Ilhas na Rede. Como? Através do uso de uma estrutura aberta, alternativa e horizontal, de troca de informações e de afectos, graças ao amplexo de mini-sociedades nómadas de utilizadores invisíveis: a rede, isto é a web. É aqui que ele julga possível aquilo a que chamou as utopias piratas, em homenagem às redes de informação criadas pelos vagabundos do mar e corsários dos séculos XVII XVIII. Mas explica Bey que Rede, Teia e Contra-Rede são partes do mesmo complexo, do mesmo padrão — as suas fronteiras intersectam-se muitas vezes. Estas palavras não definem áreas, sugerem tendências.
Mas a Teia não é um fim em si, é uma arma: a tecnologia moderna transforma este género de autonomia num sonho romântico. No futuro, esta mesma tecnologia, liberta de todo o controlo político, poderia tornar possível todo um mundo de zonas autónomas. Por enquanto este conceito não é mais que ficção científica, especulação pura. Estaremos nós, que vivemos no presente, condenados a nunca experimentar a autonomia, nunca passear numa terra governada apenas pela liberdade, nem que seja por momentos? Estaremos limitados apenas a nostalgias do passado ou do futuro?
Mas é precisamente a deriva mercantilista da web, aliada ao bem-pensante triunfalismo tecnológico que fazem desta autonomia, uma realidade puramente transitória, mas não a existência em rede dos “enclaves livres”: o aparelho de Controlo, o “Estado”, deve continuar a deliquescer e a petrificar-se em simultâneo, deve continuar na presente rota, em que uma rigidez histérica serve só para mascarar uma vacuidade, um abismo de poder. À medida que o poder “desaparece”, a nossa vontade de poder deve ser o desaparecimento.