Para finalizar o tema eleições europeias, uma nota final. Foi preciso ler o jornal para ficar a saber que, na próxima legislatura, o número de deputados do Parlamento Europeu irá descer de 785 para 736; qual a arrumação das famílias políticas; porque é que vários deputados que integravam o o PPE formaram um grupo anti-federalista; como Cohn-Bendit apostou numa lsta ecologista europeia, que irá ser a 5ª força política; que há um candidato cipriota que quer criar pequenas cidades utópicas na sua ilha; que a extrema-direita foi a segunda força mais votada na Holanda, etc. Por cá, impera a inanidade intelectual, o lavar da roupa suja, o provincianismo e o grau zero no que ao debate sobre a Europa diz respeito. É pena que não se possam escolher candidatos de outras nações europeias para se votar. Gente com outros horizontes. E porque não? Se são eleições europeias, porque é que os cidadãos eleitores são obrigados a decidir só entre o que lhe é "oferecido" na ementa da casa? Entre a Ilda a recitar as novenas leninistas e o Nuno Melo a dar palmadinhas aos agricultores, venha o diabo e escolha. Entre um Vital a perder gás e a tentar branquear o Freeport com o BPN e um Rangel em serviços mínimos, cruzes canhoto. Um cardápio de trastes, talvez com excepção do Miguel Portas. Portanto, está decidido: vou "votar" no Kostas Kyriakou e nos seus falanstérios cipriotas.
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sexta-feira, 5 de junho de 2009
sábado, 4 de fevereiro de 2006
A Zona de Autonomia Temporária
Temporary Autonomous Zone é o título de uma obra saída nos Estados Unidos em 1991, assinada por Hakim Bey. (existe edição portuguesa, sob o título “Zona Autónoma Provisória”, Discórdia edições, Braga, 1999). Um nome a fixar, este guru nómada da contracultura ligada à utilização as novas tecnologias.
A sigla TAZ ilustra, por sua vez, a nova orientação do pensamento libertário americano dos últimos 50 anos. Bey rejeita as utopias dos enclaves autárquicos, sustentando “comunidades intencionais”, à maneira de Fourrier e Owen, como desconfia de um tipo de determinismo baseado na ruptura histórica – Bakounine e Babeuf. Posiciona-se, ao invés, naquilo a que chama de anarquismo ontológico - um conceito tirado a ferros do aristocratismo radical de Nietzsche – a base para uma proliferação descentralizada de experiências sociais. A economia de informação que sustenta esta diversidade é a Rede; os enclaves são Ilhas na Rede. Como? Através do uso de uma estrutura aberta, alternativa e horizontal, de troca de informações e de afectos, graças ao amplexo de mini-sociedades nómadas de utilizadores invisíveis: a rede, isto é a web. É aqui que ele julga possível aquilo a que chamou as utopias piratas, em homenagem às redes de informação criadas pelos vagabundos do mar e corsários dos séculos XVII XVIII. Mas explica Bey que Rede, Teia e Contra-Rede são partes do mesmo complexo, do mesmo padrão — as suas fronteiras intersectam-se muitas vezes. Estas palavras não definem áreas, sugerem tendências.
Mas a Teia não é um fim em si, é uma arma: a tecnologia moderna transforma este género de autonomia num sonho romântico. No futuro, esta mesma tecnologia, liberta de todo o controlo político, poderia tornar possível todo um mundo de zonas autónomas. Por enquanto este conceito não é mais que ficção científica, especulação pura. Estaremos nós, que vivemos no presente, condenados a nunca experimentar a autonomia, nunca passear numa terra governada apenas pela liberdade, nem que seja por momentos? Estaremos limitados apenas a nostalgias do passado ou do futuro?
Mas é precisamente a deriva mercantilista da web, aliada ao bem-pensante triunfalismo tecnológico que fazem desta autonomia, uma realidade puramente transitória, mas não a existência em rede dos “enclaves livres”: o aparelho de Controlo, o “Estado”, deve continuar a deliquescer e a petrificar-se em simultâneo, deve continuar na presente rota, em que uma rigidez histérica serve só para mascarar uma vacuidade, um abismo de poder. À medida que o poder “desaparece”, a nossa vontade de poder deve ser o desaparecimento.
A sigla TAZ ilustra, por sua vez, a nova orientação do pensamento libertário americano dos últimos 50 anos. Bey rejeita as utopias dos enclaves autárquicos, sustentando “comunidades intencionais”, à maneira de Fourrier e Owen, como desconfia de um tipo de determinismo baseado na ruptura histórica – Bakounine e Babeuf. Posiciona-se, ao invés, naquilo a que chama de anarquismo ontológico - um conceito tirado a ferros do aristocratismo radical de Nietzsche – a base para uma proliferação descentralizada de experiências sociais. A economia de informação que sustenta esta diversidade é a Rede; os enclaves são Ilhas na Rede. Como? Através do uso de uma estrutura aberta, alternativa e horizontal, de troca de informações e de afectos, graças ao amplexo de mini-sociedades nómadas de utilizadores invisíveis: a rede, isto é a web. É aqui que ele julga possível aquilo a que chamou as utopias piratas, em homenagem às redes de informação criadas pelos vagabundos do mar e corsários dos séculos XVII XVIII. Mas explica Bey que Rede, Teia e Contra-Rede são partes do mesmo complexo, do mesmo padrão — as suas fronteiras intersectam-se muitas vezes. Estas palavras não definem áreas, sugerem tendências.
Mas a Teia não é um fim em si, é uma arma: a tecnologia moderna transforma este género de autonomia num sonho romântico. No futuro, esta mesma tecnologia, liberta de todo o controlo político, poderia tornar possível todo um mundo de zonas autónomas. Por enquanto este conceito não é mais que ficção científica, especulação pura. Estaremos nós, que vivemos no presente, condenados a nunca experimentar a autonomia, nunca passear numa terra governada apenas pela liberdade, nem que seja por momentos? Estaremos limitados apenas a nostalgias do passado ou do futuro?
Mas é precisamente a deriva mercantilista da web, aliada ao bem-pensante triunfalismo tecnológico que fazem desta autonomia, uma realidade puramente transitória, mas não a existência em rede dos “enclaves livres”: o aparelho de Controlo, o “Estado”, deve continuar a deliquescer e a petrificar-se em simultâneo, deve continuar na presente rota, em que uma rigidez histérica serve só para mascarar uma vacuidade, um abismo de poder. À medida que o poder “desaparece”, a nossa vontade de poder deve ser o desaparecimento.
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