sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Brasil B



Dunga, seleccionador do Brasil, em declarações à Globo

E pronto, em poucas palavras se conta a aventura, esperemos que breve, do escrete luso em terras dos Zulus. Uma escreção comandada à distância pelo bimbo da fruta, a quem o factotum Keirósz faz os recadinhos de mão. Obrigado Dunga pela clareza. O Bruto Alves, sobrinho de...? Olha, quem diria!!! Neste mundial, e para quem me conhece, vai acontecer o impensável: torcer pelo Brasil A! Ao menos, está lá o Luisão e o Ramires...

Técnicas de propaganda para acossados

O primeiro governo de Sócrates foi dominado pela propaganda no sentido clássico do termo. Aquilo a que estamos a assistir neste momento é algo de muito diferente. Com os números da dívida e do desemprego a subirem; com o Tribunal de Contas a reprovar sucessivos negócios governamentais; com a Justiça a sofrer das maiores pressões exercidas por um governo em Portugal; com o primeiro-ministro cujo nome começou por aparecer em alguns casos e se transformou ele mesmo num caso único da política portuguesa, a estratégia de comunicação do círculo de José Sócrates é cada vez mais o ataque e de cada vez que ataca atinge os alvos duma forma que até esse momento se julgava interdita. Foi isso que aconteceu ontem com as respostas dadas por Vieira da Silva e Ricardo Rodrigues no parlamento a propósito das acusações de “espionagem política” formuladas pelo ministro da Economia, no momento em que se tornou público que havia escutas de conversas entre Armando Vara e José Sócrates.
Como Portugal não é (ainda) uma república das bananas não é normal que um ministro acuse o Ministério Público, as polícias de investigação e não se percebeu se também o Supremo Tribunal de Justiça de “espionagem política” pois essas seriam as entidades que estavam ao corrente das escutas. Chamado ao Parlamento para explicar o que queria dizer com a expressão “espionagem política”, Vieira da Silva não explicou nada e mudou estrategicamente o alvo, acusando Manuela Ferreira Leite não se percebeu se de espiar, de alguém espiar por ela ou de estar ao corrente do conteúdo da dita espionagem. Foi secundado nesta acusação pelo deputado Ricardo Rodrigues, sendo que este último cometeu o deslize de admitir que o negócio da TVI, que Sócrates dizia desconhecer, é de facto referido nas escutas que diz alegadas. E assim, num golpe que tem a vantagem para quem o usa de contribuir para confusão que já não nos permite perceber quem disse o quê e quando – o problema deixou de ser um ministro acusar o Ministério Público e as polícias de fazerem espionagem política –, passámos a ter a líder do PSD a fazer espionagem. E mais importante ainda, caso a líder do PSD peça explicações por estas acusações de Vieira da Silva e de Ricardo Rodrigues há-se ser acusada de não ter sentido de Estado ou ridicularizada, ou provavelmente ambas as coisas. E o assunto assim morrerá até que amanhã Vieira da Silva, Santos Silva, Ricardo Rodrigues ou José Junqueiro voltem a usar esta técnica, até agora eficaz, de responder atacando duma forma que não se julgava possível num partido de governo para, em seguida, rapidamente recolherem à segurança da postura institucional. Sendo que todos sabem que para próxima usarão a mesma técnica mas o ataque será ainda mais feroz.
Contudo ficou por saber se o ministro nos informou oficialmente que existe em Portugal uma rede de espionagem nas polícias e na Procuradoria que, segundo o mesmo ministro, fornece informações a Manuela Ferreira Leite. Se Vieira da Silva quis mesmo dizer o que disse tem de voltar novamente ao parlamento porque se uma rede de espionagem política é grave, uma rede que trabalha para um determinado partido é ainda mais grave. E um ministro que lança suspeitas deste teor ou as fundamenta ou deixa de ser ministro.

Helena Matos, no "Público" de ontem

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Playlist da casa (especial)


Dois anos depois, voltei a assinar a Playlist de Dezembro do Café Concerto do TMG. Chama-se “Doce de Chill”, um nome bem apropriado para os excessos calóricos natalícios. A piéce de resistence, como o nome indica, são as sonoridades ambientais, nas suas várias facetas. Do cardápio consta: a colecção completa editada pela revista Xis “Chillout music collection”, os De Phazz, com a trilogia “Plastic love memory”, "Detunized gravity” e “Godsdog”; os Efterklang, com “tripper”; René Aubry, no inolvidável “Invités sur la terre”; Beirut, em “The Flying Club Cup”, a sua opus magnum, em meu entender; Ernst Rejseger, ao violoncelo, numa obra singular, intitulada “Colla parte”; os Jazzanova, com o incontornável "In Between”; os Red Seal, com “Black ops"; por último, a colectânea de covers “Zen CD”. E pronto... Bom solstício dançante!

O fio

(clicar para aumentar)

Hoje às 18.00 horas, na BMEL, na Guarda, serão lançados, de uma assentada, 5 novos cadernos da colecção "O Fio da Memória". Eis um título particularmente feliz, como já tive ocasião de aqui afirmar. Que remete para a compressão dos vários planos de uma narrativa, como que "apanhados" por uma teleobjectiva que nos puxa para o fundo, para o abismo, para o poço do tempo. Porém, simultaneamente, homenageia as infinitas circunvalações desse mesmo tempo, convida a determo-nos nelas, a tratá-las com desvelo, frágeis pontes que unem margens que mais nada conseguirá aproximar. Voltemos porém à quíntupla apresentação. Sendo co-autor de dois cadernos - "Julgamento e Morte do Galo do Entrudo - 2009" e "Aquilo Teatro" - irei estar na mesa. O primeiro serviu de base para o espectáculo de Carnaval que percorreu este ano as ruas da cidade. O segundo resulta de um convite feito por aquela instituição para um relato acerca da experiência pessoal no grupo. Neste caso, a empresa foi algo complicada, dadas as memórias conflituantes. É que, apesar do percurso épico dos cadernos de poesia, de uma profícua cumplicidade pessoal e artística, de um ano à frente da Direcção, em 2004 veio a separação das águas. Após mais um ano na direcção, onde procurei adiar o inevitável, com enormes custos pessoais, acabei por sair do grupo em 2007. Estou curioso em saber se, na publicação hoje apresentada, haverá um relato verdadeiramente corajoso e honesto por parte de alguns. É que o percurso da memória também está cheio de becos e sinuosidades de conveniência.

Nota: teria preferido que me convidassem para escrever o caderno sobre a icónica "Taberna do Benfica", apesar de a respectiva autora ter sido naturalmente a escolha acertada para o efeito.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Curtas

1. No portal Sapo aparece um link para uma notícia da Lusa, onde se afirma que o ministro angolano Bento Bembe tece várias críticas à Human Rights Watch (HRW), depois de um relatório daquela organização denunciar diversos abusos no país. Apesar de lá estar o link, no site da lusa já lá não está a notícia. Após uma busca, só encontrei aqui uma referência. Será que o controle da informação por um Estado ao serviço do Governo já chegou a este ponto?
2. No Facebook está acessível uma mensagem do fundador daquela rede social, Mark Zuckerberg, onde se pode ler que esta já atingiu os 350 milhões de utilizadores!... Sendo um "visitador" regular da rede, de que me lembre só duas notas negativas: a proliferação de joguinhos de quermesse, tipo Farm não sei quantos, que invadem o mural, em vez de assuntos realmente estimulantes; mais grave, porque da responsabilidade directa de quem gere a rede, é a inexistência de um botão "não gosto", muito apropriado em determinadas ocasiões.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Graffitis - 37


Ver anterior

A idade dos porquês - 7

Porque é que se criou a ideia de que os habitantes das pequenas e médias povoações têm que gostar obrigatoriamente de tudo o que é produzido localmente? Falo especialmente da oferta cultural, mas poderia referir-me também a queijos, ou a cobertores, ou a jornais. É claro que as "coisas da terra" despertam sempre uma natural curiosidade, do tipo benevolente, uma atenção particular, um orgulho magnânimo. Mas é fundamental ir para lá das armadilhas da auto-complacência, atravessar o simples brio paroquial. De modo a perceber que um espectador de Barcelona, de Praga ou de Nova Iorque deveria aplaudir a mesma criação cultural tal como o tal habitante local o faria.