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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A fábula do pavão

A escola do filho de Sócrates em Paris: ex-primeiro-ministro foi posto na ordem em França.  É este o título de uma história deliciosa ocorrida recentemente na escola frequentada pelo filho do ex primeiro ministro. Contada por Paulo Pinto Mascarenhas na coluna "Correio Indiscreto", no "Correio da Manhã". Há um célebre ditado onde se diz que "burro velho não aprende línguas". Pelos vistos, Sócrates nunca irá perder os seus traços de carácter mais detestáveis. Tolerados durante demasiado tempo por um país que levou à ruína. Saibam aqui todos os pormenores.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Última edição

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Lido

Começo por uma explicação sumária do socratismo. O socratismo consiste num sistema político de poder análogo àquele que vigora na Rússia: é um putinismo brando. A sua versão socratina tem um esquema teórico-prático simples: uma super-estrutura política, um nível intermédio da Maçonaria, dos media, da finança e das cúpulas judiciais, e uma infra-estrutura de informações. A superestrutura tem um círculo interior, ramificações de fidelidade e lóbi, e convivas aliados nos agrupamentos adversários (CDS-PP, PSD, Bloco de Esquerda e PC). A Maçonaria (a irregular e a regular) no seu culto do poder, comércio de favores e agenda radical, providencia uma rede subterrânea de protecção e atenuação de tensões. Os media são controlados directa e indirectamente, através de financiamento, administradores e editores de confiança. A finança troca o seu patrocínio e dependência política pelo saque. E das cúpulas judiciais espera-se que contenham ataques e exerçam a acção punitiva sobre os adversários. Mas na base do poder socratino estão as informações. É este o segredo do socratismo, que se procura esconder com o máximo esforço e cuidado, «por questões de segurança» : as informações são a força de suporte e projecção do seu feixe de poder.

António Balbino Caldeira, no "Do Portugal Profundo", a propósito das denúncias públicas de uma central de informações do Governo 

terça-feira, 20 de abril de 2010

Resíduos não sólidos


Que eu saiba, ainda não se fabrica papel higiénico com a efígie do notabilíssimo Engenheiro Pinto de Sousa. O tal que se tornou um problema de saneamento básico para a República Portuguesa. Ou, noutra gama, com reproduções das inúmeras casas projectadas pela sumidade aqui pela Guarda, numa interpretação minimalista e orgânica do movimento Bauhaus. Uma evidência de como a clonagem de um engenheiro técnico, a partir de um deputado em exclusividade de funções, foi um êxito científico. Seja como for, quer a simples existência no mercado, quer a mais que provável adesão dos consumidores a estes produtos, evidenciariam um bom gosto extremo por parte dos portugueses. Para além, naturalmente, da satisfação de dar o seu a seu dono. Enquanto esperamos por estes artigos trendy, fiquemos com o conhecimento da existência do gadget documentado na imagem. Trata-se, como já suspeitaram, de papel higiénico fluorescente. Disponível em várias cores. O mesmo que porá fim ao pânico dos fusíveis que vão abaixo no momento "X", ou do engraçadinho que, na hora errada, carregou no interruptor do lado de fora no instante "Y", ou até mesmo do rolinho que não se vislumbra, à primeira vista, na escuridão do armário, no tempo "K". Tudo isso acabou, meus caros amigos e amigas. Passem por aqui e saibam como.

segunda-feira, 29 de março de 2010

A visita pascal


Sócrates estará amanhã no distrito da Guarda. Ao que parece, a comitiva reunir-se-á no Baraçal, afim de se inteirar, no estaleiro local, do estado das obras da nova auto estrada do Douro Interior/IP2 (Celorico-Trancoso-Meda-Foz Côa-Bragança). Como é de calcular, e como é habitual nestas ocasiões, a fina flor do entulho local, a que gravita muito perto do deputado Albano, incluindo inúmeros dadores de sangue, não deixará de marcar presença. Imagino também que o Engenheiro irá comparar os seus doutos conhecimentos na matéria com os técnicos locais, esperando-se melhorias ao nível da sinalização, graças ao seu aperfeiçoado inglês técnico...

sábado, 6 de março de 2010

O algodão não mente

Eis o resultado de um exame detalhado, efectuado ao certificado de habilitações do "engenheiro" José Sócrates, disponibilizado pelo Jornal "PÚBLICO". Só fico admirado como há ainda quem leva este "pavãozinho de aparelho" a sério...


Não me detive nas classificações. Verifiquei que o documento estava datado ( 96/08/26), assinado pelo chefe da secretaria e...e... como sempre, os meus olhos detiveram-se em dois pormenores sem importância: no papel timbrado da Universidade Independente, no rodapé, entre outras informações, constam o endereço (físico e electrónico) e os números de telefone e de fax ( 351 21 836 19 00 e 351 21 836 19 22). Só que,... em 1996, os números de telefone não apresentavam os indicativos 21, 22, 290, mas sim, 01, 02, 090... etc, como aliás, pude confirmar (a alteração só foi feita em 31 de Outubro de 1999).


Um pouco mais à frente, consta ainda, um código postal composto por sete algarismos (1800-255), o que é deveras estranho, uma vez que só em 1998 começa a ser utilizada esta nova forma de indicação. Conclusão: o certificado parece ter sido emitido, não em 26/08/1996, mas em data posterior a 31 de Outubro de 1999. O problema ("o maior dos problemas") reside no facto de o Gabinete do primeiro-ministro já ter esclarecido, que a data válida era mesmo a do certificado que se encontra na Câmara da Covilhã." Mais um erro administrativo, que só pode ser imputado à UNI" (dirá o Gabinete do primeiro-ministro. Esta ultrapassou largamente as minhas expectativas...de tão básica que é!!!...

sexta-feira, 5 de março de 2010

Mãos limpas (4)

Depois deste autêntico script para mais um cult movie de Tarantino...

Chegou a vez de Mercúrio fazer jus ao seu nome, levando a mensagem na hora certa ao "chefe" Júpiter e seus apaniguados. Para quando um pedido de resignação em cima da mesa?

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Sócrates em queda

São apenas 29,4% os portugueses que têm de José Sócrates uma imagem positiva. O resultado foi obtido este mês, contra os 40,3% registados em Janeiro. O estudo é da Marktest, para a TSF.
As razões para este estranhíssimo caso podem ser encontradas aqui. Por sinal, grande parte delas divulgadas hoje no semanário "Sol". Ou então, para quem gosta de estudos comparados, numa visita ao país de Hugo Chavez. Boas notícias, apesar de tudo. Seja como for, depois de se saber agora de onde partiu a fuga de informação que permitiu aos visados nas escutas saberem que estavam a ser investigados, o país não tem quaisquer razões para confiar em Pinto Monteiro. Um PGR que, em vez de garante da legalidade, aparece como um simpático moço de recados da pandilha socrática.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Lido

O PS anda a dizer que existe uma “campanha mediática” contra Sócrates, alimentada num sinistro conluio entre a direita (o PSD dizem eles precisando), os patrões dos media e jornalistas desclassificados que, em conluio com magistrados e juízes, cometem todos os dias crimes num ataque pessoal ao carácter do Primeiro-ministro. Seria grave se fosse verdade, mas não é.
(...)
O problema é outro. O problema é, como já escrevi há muito tempo e acabou por se tornar uma frase repetida exactamente porque tinha força para se tornar viral, é que sempre que se dá um pontapé numa pedra, aparece José Sócrates lá debaixo e a sua Casa de amigos, boys, assessores, comissários, envolvidos sempre em algo que nunca se sabe se é ilegal porque a justiça está como está, mas que se sabe com certeza que é inadmissível num governo democrático. Quem faz a “campanha mediática” contra Sócrates e o seu governo é Sócrates a a sua Casa.

Pacheco Pereira, no "Abrupto"

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Mãos limpas (3)

Os próximos lances da tentativa de berlusconização (com meios públicos) da vida política em Portugal são fáceis de prever. Os lacaios da entourage socrática, que se podem encontrar nas redacções dos jornais e rádios amigos, nos blogues "ao serviço da Nação", tipo "Câmara Corporativa" e afins, vão reforçar o bombardeamento massivo da opinião pública, onde quer que ela se encontre. De modo a produzir uma utilíssima terra de ninguém. Terreno onde, como objectivo final, só os altifalantes da propaganda socrática se farão ouvir. Sócrates nasceu politicamente como um produto genuíno da propaganda e assim se há-de manter até ao final. Criar e fazer crescer um país irreal, à medida do seu delírio narcísico, é o seu objectivo principal. Daí a hiper-susceptibilidade às beliscaduras na sua imagem pessoal. Daí as pressões constantes na comunicação social. Depois de os seus métodos terem sido desmontados, adivinha-se o que aí vem: mais vitimização, cerrar fileiras no interior do PS e arredores, fazer passar a teoria da cabala invertida, reduzindo o escrutínio público sério e a investigação jornalística conclusiva a "manobras da oposição", tocar na tecla da "ilegalidade" das escutas, no facto de as decisões "soberanas" dos órgãos judiciais não se poderem nunca discutir nem avaliar, etc. A estratégia é clara: dividir o país entre o "nós" e os "outros". Um lance fatal, na actual conjuntura económica e financeira. Revelador de uma inépcia política e de uma ausência de sentido de Estado nunca vistas. Entretanto, vão caindo uns bodes expiatórios...

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Mãos limpas (2)

"Vocês têm de resolver o problema Mário Crespo e o problema Medina Carreira!!!". Palavras do 1º ministro José Sócrates, visivelmente alterado, para Nuno Santos, director de programas da SIC, a cuja mesa se dirigiu num restaurante de Lisboa. Depois acrescentou ainda algumas considerações acerca da sanidade mental de Crespo. A conversa foi depois contada a este por alguém que se encontrava na mesa ao lado, e confirmada por Nuno Santos. O visado em primeiro lugar quis então contar a história numa crónica no JN. Algo que o respectivo director recusou, alegando falta de contraditório. Motivo mais razoável teria sido a separação das águas entre artigos de opinião e notícias. Seja como for, Crespo não teve outro remédio senão suspender a sua colaboração naquele jornal. Foi então que resolveu lançar o recente livro de crónicas. Ler aqui toda a história. Temos pois um primeiro ministro que se comporta como um vulgar arruaceiro de tasca, insultando em directo quem tem o "desplante" de criticar o seu desempenho político. Caso inédito, ao nível do cargo que ocupa, nos últimos 170 anos da história portuguesa... Conta-se que Costa Cabral andava armado pelos gabinetes... Alguém tem ainda dúvidas da necessidade imediata de uma vassourada no país político?

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Mãos limpas

O estado de graça socrático é cada vez mais um prefácio longínquo a uma nota de rodapé da III República. Ou seja, já nem sequer um chão que deu uvas. Agora, nem os Abrantes & Cia, - nem os spin doctors às ordens do "chefe", nem a marcação à zona das vozes livres incómodas, a cargo dos factotum rosinhas, "encorajados" com um simples osso, o acesso sem restrições à gamela, apetitosas sinecuras nas empresas públicas e na Administração, os tais que se acotovelam nas redacções e nos mentideros oficiosos, com ramificações na província e em sectores chave onde a informação é a seiva de cada dia, por supuesto, - "agora e na hora da sua morte" irão salvar o "1º". Entretanto, acontece o esperado: num impulso gregário digno de note, este resolveu convocar as hostes, encenar uma série de reuniões do politburo socialista e adjacências úteis, onde se adivinham agraciações feromónicas com dimensão norte-coreana. Para salvar o pescoço, nada como arrastar quem está à volta para a mesma voragem corruptora, para o limbo da impunidade e da negação como impulso básico da auto-preservação. Sabem qual era a password do PC de Rui Pedro Soares - um dos boys de Sócrates, trazido pela mão de Perestrello, agraciado como administrador executivo da PT com um salário anual de 2,5 milhões de euros, um dos principais envolvidos na operação TVI -, autor da providência cautelar contra o jornal "Sol"? Pois bem: "SÓCRATES 2009". Lindo! Como é belo o amor em Portugal!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Todos pela liberdade

O primeiro-ministro de Portugal tem sérias dificuldades em lidar com a diferença de opinião.
Esta dificuldade tem sido evidenciada ao longo dos últimos 5 anos, em sucessivos episódios, todos eles documentados. Desde o condicionamento das entrevistas que lhe são feitas, passando pelas interferências nas equipas editoriais de alguns órgãos de comunicação social, é para nós evidente que a actuação do primeiro-ministro tem colocado em causa o livre exercício das várias dimensões do direito fundamental à liberdade de expressão.

É assim que começa a petição pública TODOS PELA LIBERDADE, a ser entregue na AR, neste momento ainda em fase de recolha de assinaturas. O momento é demasiado grave para ser deixado em claro. Já se sabia que tínhamos um primeiro-ministro sem carácter. Agora ficámos a saber que não tem sequer perfil para aceitar responsabilidades públicas num estado de direito. O que é espantoso é ainda haver quem assobie para o ar. Assinem e divulguem, s.f.f.

Lido

Nem o Jornal de Sexta, nem o PÚBLICO tinham o poder de pôr em risco o Governo ou sequer de afectar significativamente o prestígio e o estatuto de Sócrates. Se alguém tinha esse poder era o próprio José Sócrates, para não falar no grupo obscuro e anónimo, que, segundo se depreende dos documentos que o Sol revelou, o serviu zelosamente no terreno. Não vale a pena insistir na ilegalidade e, sobretudo, na profunda imoralidade da operação, se por acaso existiu como a descreveram. Em qualquer sítio para lá de Badajoz, nenhum político sobreviveria um instante a essa grosseira tentativa de suprimir com dinheiro público o livre exame e a livre crítica, que a Constituição e os costumes claramente garantem. Mas não deixa de surpreender (e merecer comentário) que um primeiro-ministro de um partido que se gaba das suas tradições democráticas, declare por sua iniciativa, e sem razão suficiente, guerra aberta à generalidade dos media, que não o aprovam, defendem e bajulam. Não há precedentes na história deste regime de um ódio tão obsessivo à discordância, por pequena que seja, ou a qualquer oposição activa, de princípio ou de facto. O autoritarismo natural de Sócrates não basta para explicar essa aberração na essência inteiramente inexplicável. Tanto mais que ela o prejudica e dá dele a imagem de um homem inseguro e fraco. Pior ainda: de um homem desequilibrado e perigoso. A única hipótese plausível é a de que o primeiro-ministro vive doentiamente no mundo imaginário da propaganda. Ou melhor, de que, para ele, a propaganda substituiu a vida: Sócrates já não partilha ou nunca partilhou connosco, cidadãos comuns, a mesma percepção de Portugal. Do "Simplex" que nada simplifica ao estranho melodrama sobre as finanças da Madeira que nada pesam, aumenta dia a dia a distância entre o que país vê e compreende e o que o primeiro-ministro afirma enfaticamente que é. Está perto o ponto em que só haverá uma solução: ou desaparece ele ou desaparecemos nós.

Vasco Pulido Valente, no "Público"

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Técnicas de propaganda para acossados

O primeiro governo de Sócrates foi dominado pela propaganda no sentido clássico do termo. Aquilo a que estamos a assistir neste momento é algo de muito diferente. Com os números da dívida e do desemprego a subirem; com o Tribunal de Contas a reprovar sucessivos negócios governamentais; com a Justiça a sofrer das maiores pressões exercidas por um governo em Portugal; com o primeiro-ministro cujo nome começou por aparecer em alguns casos e se transformou ele mesmo num caso único da política portuguesa, a estratégia de comunicação do círculo de José Sócrates é cada vez mais o ataque e de cada vez que ataca atinge os alvos duma forma que até esse momento se julgava interdita. Foi isso que aconteceu ontem com as respostas dadas por Vieira da Silva e Ricardo Rodrigues no parlamento a propósito das acusações de “espionagem política” formuladas pelo ministro da Economia, no momento em que se tornou público que havia escutas de conversas entre Armando Vara e José Sócrates.
Como Portugal não é (ainda) uma república das bananas não é normal que um ministro acuse o Ministério Público, as polícias de investigação e não se percebeu se também o Supremo Tribunal de Justiça de “espionagem política” pois essas seriam as entidades que estavam ao corrente das escutas. Chamado ao Parlamento para explicar o que queria dizer com a expressão “espionagem política”, Vieira da Silva não explicou nada e mudou estrategicamente o alvo, acusando Manuela Ferreira Leite não se percebeu se de espiar, de alguém espiar por ela ou de estar ao corrente do conteúdo da dita espionagem. Foi secundado nesta acusação pelo deputado Ricardo Rodrigues, sendo que este último cometeu o deslize de admitir que o negócio da TVI, que Sócrates dizia desconhecer, é de facto referido nas escutas que diz alegadas. E assim, num golpe que tem a vantagem para quem o usa de contribuir para confusão que já não nos permite perceber quem disse o quê e quando – o problema deixou de ser um ministro acusar o Ministério Público e as polícias de fazerem espionagem política –, passámos a ter a líder do PSD a fazer espionagem. E mais importante ainda, caso a líder do PSD peça explicações por estas acusações de Vieira da Silva e de Ricardo Rodrigues há-se ser acusada de não ter sentido de Estado ou ridicularizada, ou provavelmente ambas as coisas. E o assunto assim morrerá até que amanhã Vieira da Silva, Santos Silva, Ricardo Rodrigues ou José Junqueiro voltem a usar esta técnica, até agora eficaz, de responder atacando duma forma que não se julgava possível num partido de governo para, em seguida, rapidamente recolherem à segurança da postura institucional. Sendo que todos sabem que para próxima usarão a mesma técnica mas o ataque será ainda mais feroz.
Contudo ficou por saber se o ministro nos informou oficialmente que existe em Portugal uma rede de espionagem nas polícias e na Procuradoria que, segundo o mesmo ministro, fornece informações a Manuela Ferreira Leite. Se Vieira da Silva quis mesmo dizer o que disse tem de voltar novamente ao parlamento porque se uma rede de espionagem política é grave, uma rede que trabalha para um determinado partido é ainda mais grave. E um ministro que lança suspeitas deste teor ou as fundamenta ou deixa de ser ministro.

Helena Matos, no "Público" de ontem

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A agenda socrática

Um grande empresário português marca uma audiência com José Sócrates, na Residência Oficial do Primeiro-Ministro. Enquanto aguarda, encontra Armando Vara que o recebe com muitos abraços. Quando é recebido pelo Primeiro-Ministro, sente falta da carteira e resolve abordar o assunto com o PM:
- Não sei como lhe hei-de dizer, Senhor Primeiro-Ministro, mas a minha carteira acabou de desaparecer!
E continuou:
- Tenho a certeza de que estava com ela ao entrar na sala de espera. Tive o cuidado de a guardar bem, após apresentar o BI ao segurança. Não quero fazer nenhuma insinuação, mas a única pessoa com quem estive depois disso foi o Dr. Armando Vara, que está aqui na sala de espera ao lado.
O Primeiro-Ministro retira-se do gabinete. Pouco tempo depois, regressa com a carteira na mão.
Reconhecendo a sua carteira, o empresário comenta:
- Espero não ter causado nenhum embaraço pessoal entre o Senhor Primeiro-Ministro e o Dr. Armando Vara .
Ao que José Sócrates responde:
- Não se preocupe! Ele nem percebeu!...

A anedota é esta. Mas à semelhança dos autores romanos, que gostavam de acrescentar uma pormenor pícaro aos mitos gregos (veja-se como Plínio, o Velho, tratou o espectro de Narciso, o esbelto filho do deus-rio Cefiso e da ninfa Liríope, descrevendo-o a debruçar-se da barca, freneticamente, para se contemplar uma última vez nas águas do Rio Lethes, ao atravessá-lo), gostava também aqui de meter a colher. Então é assim: depois da reunião, Sócrates foi consultar o dicionário de sinónimos, com um compêndio de inglês técnico ao lado, afim de engendrar as invectivas com que iria brindar Pacheco Pereira no próximo debate parlamentar. Pois é. Depois dos sensacionais "você não passa de um revolucionário retardado" e "revolucionário uma vez, revolucionário toda a vida", aguardam-se as próximas manifestações de ressabiamento do licenciado Sócrates.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Zapping

A questão da suspensão do jornal de sexta, na TVI, tem contornos mais complexos do que à primeira vista possa parecer. Todavia, ao mesmo tempo, tornou tudo mais claro. Mesmo admitindo que tenha havido anteriormente pressões do gabinete do 1º ministro para que o programa acabasse, custa a crer que, num período eleitoral, tenham sido mais intensas. A ordem de suspensão, sabe-se agora, partiu do próprio Cébrian, patrão da Prisa. Só um ingénuo pensaria que foram imperativos de qualidade que determinaram a decisão. Numa perspectiva empresarial, no universo autofágico da comunicação social, o programa seria de manter, em princípio, pois tinha um share consolidado. Apesar de a emissão dever servir como case study sobre o que não deve fazer-se no jornalismo. Então, se assim é, porquê acabar com ele? Simplesmente porque outra lógica se sobrepôs à das audiências. Num país onde o peso do Estado se faz sentir em todos os sectores de actividade, não seria desejável que a TVI ficasse para trás numa possível reestruturação do sector, ou que tivesse tratamento de 2ª na disponibilização da informação oficial, ou nas habituais prebendas. O grupo detentor da estação assustou-se perante a perspectiva de promover um programa estigmatizado, num país pequeno, movido pela inveja, sem um espaço público plural e transparente e com um Estado imenso. Tudo o resto são suposições. Por outro lado, a reacção de Sócrates é miserável. Afirmando, com um cinismo insuportável, que até gostaria que o programa continuasse, mesmo tendo sido "vítima" no passado da "terrível" Moura Guedes. Mesmo tendo já dito o pior possível da emissão e dos seus responsáveis. Sócrates perdeu aqui toda e qualquer credibilidade política para quem gosta de manter um mínimo de exigência em relação a quem nos governa. E o caso Freeport está longe de ter terminado...

sexta-feira, 3 de abril de 2009

A nova ANP


A réstia de simpatia política que (ainda) tinha por Sócrates desvaneceu-se após o último Congresso norte-coreano dos socialistas. Desde o pós-25 de Abril que não me lembro de ver um primeiro-ministro ameaçando jornalistas em directo, numa tribuna pública. O que revela que Sócrates e a sua nomenklatura se dão muito mal com a liberdade de imprensa, com a independência do poder judicial, e com os famosos checks and balance, a arquitectura fundamental da democracia. A teia tenebrosa que, sob o manto do PS, se constituiu no mundo da Justiça, só agora começou a mostrar do que é capaz. Vejam-se as pressões sobre os magistrados que investigam. Veja-se o percurso do alegado autor dessas pressões, presidente do Eurojust. O tal que fez carreira política no interior do PS, com ligações à inacreditável Fátima Felgueiras, personagem particularmente sinistra, que reúne tudo o que de pior a democracia deu à luz. E cujos cordelinhos bastaram para que alguns artigos da reforma do processo penal fossem redigidos à la carte, claramente para lhe facilitar a vida. Sempre pensei que este assunto do licenciamento do Freeport traria à tona não a eventual responsabilidade criminal dos envolvidos, mas o cheiro nauseabundo da corja, atrás dos bastidores. A qual, vendo-se ameaçada, começou a sair das suas tocas, das suas sinecuras, dos seus limbos de impunidade. Sobre possíveis práticas ilícitas há indícios mais do que suficientes, neste episódio, que justificam uma investigação séria dos factos. Mas há outra coisa que não tem sido muito falada: Sócrates era na altura Ministro do Ambiente. Portanto, do ponto de vista político, o responsável directo pela condução do processo. Alguém lhe apontou responsabilidades a esse nível? Todavia, voltando à magna questão da mexicanização da vida pública nacional, se dúvidas houvessem acerca deste cerco à liberdade de expressão e às garantias de pluralismo e independência da comunicação social, para mim acabaram em definitivo. Um exemplo: por via do Pedro Correia, fiquei a saber que Sócrates acaba de processar João Miguel Tavares, jornalista do DN. Motivo: um artigo de opinião da sua autoria, intitulado justamente "José Sócrates, o cristo da política portuguesa". E que começa da melhor maneira: "Ver José Sócrates apelar à moral na política é tão convincente quanto a defesa da monogamia por parte de Cicciolina." Ou, acabando com um non sequitur, por parte de um mórmon, acrescentaria.

domingo, 29 de março de 2009

Ou comes a sopa toda ou chamo os neoliberais...

A ofensiva política de Sócrates, já a pensar na pré-campanha para as europeias, arrancou este fim de semana. Os alvos são óbvios: o PSD e a sua líder. O soundbite eleito foi este: a oposição ficou sem programa porque o pensamento único do neoliberalismo faliu. Sócrates no seu melhor: colocar as responsabilidades da crise no exterior, vislumbrando uma espécie de orfandade nas forças políticas à sua direita; aligeirar a carga da sua governação "televisiva", colocando-se na posição de único paladino contra as tenebrosas forças neoliberais indígenas. Um belo naco de ficção, em verdade vos digo. Capaz de enganar os tolos e os amantes de papas. Ficam as perguntas: alguém de boa-fé acredita que o neoliberalismo em Portugal foi algo mais do que um nicho blogosférico, académico e de num certo mundo empresarial, capaz de animar alguns think tank, duas ou três publicações e alguns janotas? O facto de a demissão cívica, a permissividade administrativa e o terrorismo fiscal encorajarem a proliferação de espertalhaços ganaciosos e sem escrupulos, faz deles neoliberais? Não brinquem com coisas sérias, por favor! Algum dia o PSD usou as vestes do neoliberalismo, a não ser por conveniência táctica? No entanto, Sócrates continua a atirar areia para os olhos dos incautos. Os tempos estão difíceis e cada votinho contra. Ora pois!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

O vazio estridente

Há umas horas atrás, pude escutar o início do discurso de José Sócrates, a abrir o congresso albanês do PS. O qual decorre em Espinho durante este fim de semana., como é sabido. Seguindo a clássica divisão da oratória popularizada pelo Padre António Vieira, o "querido líder", começou por exortar os celebrantes a apoiá-lo. Sim, já que a sua dívida de gratidão era imensa, e paga "al contado" a quem tamanha fidelidade lhe demonstrou, ao longo de quatro penosos anos. Não vou aqui analisar ponto por ponto o exórdio e a introdução. Queria apenas deter-me nas razões apresentadas para se candidatar a primeiro ministro nas próximas legislativas. Na altíssima ideia que tem de si, Sócrates declarou ter-se chegado á frente porque o país assim o exige. O mesmo país que anseia pela continuidade do seu programa político. O mesmo país que padece da falta de "alternativas credíveis". O mesmo país onde os spin doctors de serviço descobriram uma vaga de fundo imparável. Então pronto, já que o país tanto insiste, já que os portugueses esperam um santo milagreiro, ele avança! Vieram então os ataques à oposição, aos maldicentes, aos críticos, aos profissionais do bota-abaixo. Assunto onde o nosso Hohxa se demorou quanto baste. Evidenciando uma saudade irresistível dos tempos da ANP, onde a oposição ia para os calaboiços ou para o degredo. Até porque, caso único na nossa democracia, este Governo não teve oposição digna desse nome a perturbá-lo. Até porque o assalto à máquina do Estado pelo PS atingiu dimensões nunca vistas. Mas foi na última razão apresentada - a ética, a decência - que o discursante mais se expôs. Ou seja, forçou o discurso da vitimização até à náusea. Nada que não se esperasse. O escrutínio da opinião pública, da imprensa e dos próprios órgãos jurisdicionais, imprescindível nas sociedades abertas e democráticas, é reduzido por Sócrates a campanhas infâmes, orquestradas para manchar o seu bom nome. A maquinações destinadas a destruí-lo. Parecia uma sessão de terapia de grupo. Onde o celebrante necessita de inventar inimigos e fábulas conspiratórias para reforçar a coesão grupal. Utilizando um discurso onde nenhuma ideia pautava. Nenhum sinal de mudança. Nenhum sinal de uma nova leitura para um mundo globalizado e instável. Nenhuma resposta para a crise que comece por aceitá-la. Ao contrário de Obama, que não só enuncia os desígnios por que se bate, como diz porquê, Sócrates limita-se aos ajustes de contas domésticos, à infantilização, à pequena política. Ao precipício.