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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

As portagens (1)

Quem circula nas 4 ex SCUT - A22, A23, A24, A25 - já sentiu o impacto nas suas contas bancárias das taxas a pagamento desde 8 do corrente. Mas a história ainda vai a meio. A indignação dos utentes e dos cidadãos residentes nas zonas afectadas não irá parar de crescer. As providências cautelares e as acções de protesto multiplicam-se. O entupimento das alternativas (que em rigor não o são em grande parte do percurso, onde o traçado das auto-estradas coincide com o das antigas IP), a confusão total nas fronteiras e postos de venda, a forma vergonhosa como o pós pagamento é feito (nos correios e nos 2 ou 3 pay shops existentes), sem a possibilidade de ser efectuado por MB, mediante referência obtida online, o caos no pagamento de viaturas estrangeiras, são tudo indícios de um autêntica extorsão aos cidadãos/utentes e uma ignomínia para quem nisto consentiu. Até porque não houve nenhum tipo de debate público sério sobre o tema. E muito menos houve qualquer responsabilização política ou criminal dos responsáveis por esta trapalhada. E há razões mais do que suficientes para isso. Como se sabe, as portagens resultam de uma negociação mal feita entre o Estado e as concessionárias. Que culminou na alteração do contrato de concessão, em finais de 2009, quando era Secretário de Estado da tutela Paulo Campos. O mesmo que, sem pestanejar, foi eleito no ano seguinte deputado pelo PS no círculo da Guarda. O objectivo da parceria è óbvio: abrir o caminho para a Ascendi & Cia começar a facturar, rapidamente e em força. E quem iria pagar a conta? Os cidadãos e empresas das zonas mais debilitadas do país, naturalmente. O ponto mais fascinante das alterações produzidas diz respeito à fixação de uma "compensação", a ser paga pelo Estado às concessionárias. Uma espécie de quota de disponibilidade, no valor de vários milhões por ano, liquidada mesmo que nenhum veículo passe pelas "SCUT". O caso é grave e configura vários tipo de ilícito. Nomeadamente participação económica em negócio e administração danosa. O Ministério Público já deveria ter aberto um ou vários inquéritos aos governantes e deputados da Comissão respectiva que negociaram as alterações ao contrato de concessão. Até porque alguns deles tinham interesse directo no negócio, como é sabido...

quarta-feira, 23 de março de 2011

Bola ao centro

Na segunda feira à noite foi perpetrado um ataque contra a comitiva do Benfica que se deslocou a Paços de Ferreira, no regresso a Lisboa. Para além dos danos no autocarro, o carro de Luís Filipe Vieira foi "abalroado" por um saco de pedras, lançado do único viaduto não vigiado da auto estrada que liga a "capital do móvel" ao Porto. Daí resultando ferimentos ligeiros no Presidente do SLB. Para além da incidência criminal do acto - o qual configura claramente um crime contra a segurança de transporte rodoviário, com perigo de vida ou para a integridade física, previsto e punido no art. 290º, nº 2 do Código Penal - interessa ir mais além e deslindar a estratégia que está por detrás. Ora, o sucesso desportivo do Benfica na época passada provocou muito receio nas hostes da agremiação regional de Contumil, também chamado FCP. Receio de que duas décadas de medo, intimidação e fraude fossem suplantados pela simples verdade desportiva. Ou seja, ganham os melhores, sem fruta, sem favores e sem tráfico de influências. Esse receio foi rapidamente transformado em pânico. Pois que o retorno do "investimento" feito em duas décadas de impunidade ficaria muito aquém das expectativas. Que maldade! Então o que seria da rede tentacular? Qual o futuro da nebulosa montada para falsear resultados, outorgar regulamentos, inventar castigos, influenciar nomeações, comprar responsáveis do aparelho judiciário e político, determinar a progressão dos árbitros, impor jogadores à Selecção Nacional, "afastar" do caminho vozes incómodas, denegrir o Benfica e apoucar os seus dirigentes, manter uma corte de avençados sempre às ordens na comunicação social, enfim, ter como modalidade "desportiva" secundária a exploração de casas de alterne? O assunto era sério demais para o Papa e seus acólitos! O "sistema" tinha que se manter no activo e apresentar resultados, fosse por que meios fosse. Vai daí, antes de mais, importava assegurar a vitória na Liga. Que começou da forma que se conhece, com arbitragens altamente prejudiciais para o Benfica. É evidente que não explicam o mau arranque de época da equipa da Luz, mas deram o sinal de que o polvo estava de volta. O fosso pontual então cavado nunca mais viria a ser recuperado. Graças aos expedientes que se conhecem: arbitragens escandalosas amparando os resultados do FCP, com penaltis só para um lado, de modo que a Liga Sagres se poderia chamar, com propriedade, Penalti Cup; quando a perseguição do segundo ao primeiro estava a causar alguns sobressaltos em Contumil, a mui célebre palhaçada de Braga, que entrará seguramente para o livro negro do futebol em Portugal. Mas ganhar a Liga não bastava. Era necessário desestabilizar a equipa, de que os elogios do padrinho a Jesus é um bom exemplo. Criar um ambiente de hostilidade contra o Benfica nas restantes equipas, mediante empréstimos de jogadores pro bono e infiltração de agentes provocadores. Mas, sobretudo criar um clima de guerrilha verbal e física, elevar a temperatura até níveis escaldantes. O propósito é claro. Provocar incidentes entre os adeptos e equipas no próximo jogo da Luz. De modo a que o Benfica seja associado à violência e práticas anti-desportivas e veja o seu estádio interditado. Forçando assim a que a meia-final da Taça de Portugal se jogue em campo neutro. Na blogosfera benfiquista e não só, têm-se amontoado, faiscantes, palavras como vingança, lei do Talião, batalha campal, "dar-lhes" forte e feio, promessas de "tirar a tosse" e outros mimos. Vamos lá ter calma, pessoal! Não entrem num jogo com regras viciadas! Não caiam na armadilha montada por quem se sabe. Bem sei que a indignação é muita. Mas é nestas alturas que a contenção saberá marcar uma diferença, diria, civilizacional. 
Ao que parece, em Braga, mas sobretudo no Dragão, quando o speaker apresenta as equipas, refere-se sempre ao Benfica como o "adversário". O intuito provocatório é óbvio. Mas é importante que os benfiquistas saibam declinar tão amável estatuto. Pois, como diz acertadamente  Diego Armês no "227218" (por sinal um dos meus blogues preferidos do universo benfiquista), é bom  acreditar que, «num mundo normal, "o adversário do Porto" só pode referir-se a uma equipa da PJ ou a um colectivo de juízes».

sábado, 8 de janeiro de 2011

Mais fruta da época


Chama-se "Mentira Desportiva". O nome diz tudo. Trata-se de uma página deveras interessante e permanentemente actualizada sobre essa escola de virtudes aplicadas ao futebol, com sede para os lados de Contumil.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Feliz Natal, Mr. Garrido



Eis mais alguns episódios da saga "Apito Dourado". Desta vez, as escutas dizem respeito a conversas entre Valentim Loureiro e António Garrido, e entre Pinto da Costa, Pinto de Sousa e Gilberto Madaíl. Realce para a segunda, onde o especialista em fruticultura combina com Sousa a nomeação do árbitro da meia-final da Taça, em 2004. "Tem que ser um internacional, pode ser o Bruno", afirma o primeiro. "Fez uma arbitragem espectacular no Restelo, na semana passada", acrescenta mais à frente. Claro que continuam a existir umas alminhas devotas extremamente preocupadas com a validade ou a divulgação das escutas. Há gente para tudo. Mesmo para negar o que têm à frente dos olhos. Exactamente por isso, a divulgação destes momentos sicilianos tem um valor incalculável: para os cépticos, nada como ouvir para crer; para os que já não acreditam no Pai Natal, são simplesmente novas variações sobre o mesmíssimo tema.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Sócrates em queda

São apenas 29,4% os portugueses que têm de José Sócrates uma imagem positiva. O resultado foi obtido este mês, contra os 40,3% registados em Janeiro. O estudo é da Marktest, para a TSF.
As razões para este estranhíssimo caso podem ser encontradas aqui. Por sinal, grande parte delas divulgadas hoje no semanário "Sol". Ou então, para quem gosta de estudos comparados, numa visita ao país de Hugo Chavez. Boas notícias, apesar de tudo. Seja como for, depois de se saber agora de onde partiu a fuga de informação que permitiu aos visados nas escutas saberem que estavam a ser investigados, o país não tem quaisquer razões para confiar em Pinto Monteiro. Um PGR que, em vez de garante da legalidade, aparece como um simpático moço de recados da pandilha socrática.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Mãos limpas

O estado de graça socrático é cada vez mais um prefácio longínquo a uma nota de rodapé da III República. Ou seja, já nem sequer um chão que deu uvas. Agora, nem os Abrantes & Cia, - nem os spin doctors às ordens do "chefe", nem a marcação à zona das vozes livres incómodas, a cargo dos factotum rosinhas, "encorajados" com um simples osso, o acesso sem restrições à gamela, apetitosas sinecuras nas empresas públicas e na Administração, os tais que se acotovelam nas redacções e nos mentideros oficiosos, com ramificações na província e em sectores chave onde a informação é a seiva de cada dia, por supuesto, - "agora e na hora da sua morte" irão salvar o "1º". Entretanto, acontece o esperado: num impulso gregário digno de note, este resolveu convocar as hostes, encenar uma série de reuniões do politburo socialista e adjacências úteis, onde se adivinham agraciações feromónicas com dimensão norte-coreana. Para salvar o pescoço, nada como arrastar quem está à volta para a mesma voragem corruptora, para o limbo da impunidade e da negação como impulso básico da auto-preservação. Sabem qual era a password do PC de Rui Pedro Soares - um dos boys de Sócrates, trazido pela mão de Perestrello, agraciado como administrador executivo da PT com um salário anual de 2,5 milhões de euros, um dos principais envolvidos na operação TVI -, autor da providência cautelar contra o jornal "Sol"? Pois bem: "SÓCRATES 2009". Lindo! Como é belo o amor em Portugal!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Com o PS, o crime compensa...

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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Todos pela liberdade

O primeiro-ministro de Portugal tem sérias dificuldades em lidar com a diferença de opinião.
Esta dificuldade tem sido evidenciada ao longo dos últimos 5 anos, em sucessivos episódios, todos eles documentados. Desde o condicionamento das entrevistas que lhe são feitas, passando pelas interferências nas equipas editoriais de alguns órgãos de comunicação social, é para nós evidente que a actuação do primeiro-ministro tem colocado em causa o livre exercício das várias dimensões do direito fundamental à liberdade de expressão.

É assim que começa a petição pública TODOS PELA LIBERDADE, a ser entregue na AR, neste momento ainda em fase de recolha de assinaturas. O momento é demasiado grave para ser deixado em claro. Já se sabia que tínhamos um primeiro-ministro sem carácter. Agora ficámos a saber que não tem sequer perfil para aceitar responsabilidades públicas num estado de direito. O que é espantoso é ainda haver quem assobie para o ar. Assinem e divulguem, s.f.f.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

As últimas sobre as escutas

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A vida dos outros

Neste local, ou neste, poderão aceder a várias escutas telefónicas efectuadas a Pinto da Costa e João Loureiro, no âmbito do processo "Apito Dourado". O primeiro, regressado agora das sombras e retomando o discurso fracturante e sibilino que o tornou célebre, diz-se vítima de um ataque sórdido. Sem perder a compostura, note-se. A perda do controle do "sistema", a descredibilização do seu estilo e, sobretudo os êxitos desportivos da concorrência (leia-se Benfica) estão a deixar este homem fora de si. Acompanham o desespero a matilha e homens do gatilho que o rodeiam. E, por efeito de dominó, os seus aliados de conveniência. A podridão que este senhor e seus apaniguados impuseram ao futebol no nosso país desde há quase 30 anos, está a chegar ao fim. O estertor final do polvo, antes da implosão, adivinha-se. Mas antes, vejam e ouçam atentamente os registos. Por momentos, percam as ilusões. Desfaçam-se da inocência. Saboreiem esta instrutiva mostra da saga "a realidade tal como ela é". Ou seja, o lado B da virtude. E que belo naco siciliano! Mesmo que se pareça com o esgoto niilista segredado a Rastignac por Vautrin, o sinistro celerado de "O Pai Goriot" de Balzac. "Não há princípios, mas acontecimentos, o homem superior, etc." A lição podia começar por aí. Mas aqui, mesmo o realismo cínico do "Leviathan" de Hobbes ficaria à porta. É outra coisa. Mais perto de uma putrefacção moral e criminal que ficará impune. Até ver.

Nota: a propósito das alminhas mais preocupadas com o conhecimento público das escutas do que com aquilo que elas revelam, ler este apropriado texto.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O crime afinal compensa...

Está a chegar a Luanda o mais recente brinquedo do Presidente José Eduardo dos Santos: um iate de luxo, seguramente comprado com o seu salário, que ronda os 4000 euros, e cuja tripulação é recrutada em Portugal, com vistos passados em 24 horas. E, enquanto o Presidente se prepara para navegar nas tépidas águas do Mussulo, a sua filha, a elegantíssima empresária Isabel dos Santos, não pára de aumentar a sua fortuna nascida do nada. Com a anunciada compra esta semana de parte do capital da Zon, Isabel dos Santos tem já investidos dois mil milhões de euros em empresas portuguesas. É um excelente negócio para estas empresas, que não apenas recebem capitais frescos como também recebem de braços abertos um parceiro estratégico que lhes garante participação nos melhores e mais favorecidos negócios angolanos. Pena que não reservem uma pequena parte dos lucros para financiar próteses para as crianças vítimas da guerra civil angolana, para construir habitação social para os milhões de favelados de Luanda ou para criar esgotos e infra-estruturas básicas que dêem à imensa maioria da população miserável condições mínimas de dignidade. Porque, até prova em contrário, a riqueza de Angola pertence a todo o seu povo e não apenas aos que se passeiam em iates de luxo e vêm a Lisboa comprar roupas de marca, jóias ou empresas de telecomunicações. Nunca tão poucos tiraram tanto a tantos.

Miguel Sousa Tavares
in "Expresso", 24.12.2009

O cronista desta vez acertou em cheio. O caso não é para menos. Por falar nisso, refira-se que Isabel dos Santos terá adquirido parte do capital da Joalto. Portanto, mais do mesmo, ou seja, business as usual...

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Lido

Há arguidos e arguidos. O procurador "foge Fatinha", que se demitiu das funções de presidente do Eurojust, teve o seu advogado, o "sampaísta" Magalhães e Silva, nas tv's a falar em "bode expiatório". Ou seja, ficámos a saber que Lopes da Mota será o "bibi" do "caso Freeport".

João Gonçalves, no "Portugal dos Pequeninos"

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Técnicas de propaganda para acossados

O primeiro governo de Sócrates foi dominado pela propaganda no sentido clássico do termo. Aquilo a que estamos a assistir neste momento é algo de muito diferente. Com os números da dívida e do desemprego a subirem; com o Tribunal de Contas a reprovar sucessivos negócios governamentais; com a Justiça a sofrer das maiores pressões exercidas por um governo em Portugal; com o primeiro-ministro cujo nome começou por aparecer em alguns casos e se transformou ele mesmo num caso único da política portuguesa, a estratégia de comunicação do círculo de José Sócrates é cada vez mais o ataque e de cada vez que ataca atinge os alvos duma forma que até esse momento se julgava interdita. Foi isso que aconteceu ontem com as respostas dadas por Vieira da Silva e Ricardo Rodrigues no parlamento a propósito das acusações de “espionagem política” formuladas pelo ministro da Economia, no momento em que se tornou público que havia escutas de conversas entre Armando Vara e José Sócrates.
Como Portugal não é (ainda) uma república das bananas não é normal que um ministro acuse o Ministério Público, as polícias de investigação e não se percebeu se também o Supremo Tribunal de Justiça de “espionagem política” pois essas seriam as entidades que estavam ao corrente das escutas. Chamado ao Parlamento para explicar o que queria dizer com a expressão “espionagem política”, Vieira da Silva não explicou nada e mudou estrategicamente o alvo, acusando Manuela Ferreira Leite não se percebeu se de espiar, de alguém espiar por ela ou de estar ao corrente do conteúdo da dita espionagem. Foi secundado nesta acusação pelo deputado Ricardo Rodrigues, sendo que este último cometeu o deslize de admitir que o negócio da TVI, que Sócrates dizia desconhecer, é de facto referido nas escutas que diz alegadas. E assim, num golpe que tem a vantagem para quem o usa de contribuir para confusão que já não nos permite perceber quem disse o quê e quando – o problema deixou de ser um ministro acusar o Ministério Público e as polícias de fazerem espionagem política –, passámos a ter a líder do PSD a fazer espionagem. E mais importante ainda, caso a líder do PSD peça explicações por estas acusações de Vieira da Silva e de Ricardo Rodrigues há-se ser acusada de não ter sentido de Estado ou ridicularizada, ou provavelmente ambas as coisas. E o assunto assim morrerá até que amanhã Vieira da Silva, Santos Silva, Ricardo Rodrigues ou José Junqueiro voltem a usar esta técnica, até agora eficaz, de responder atacando duma forma que não se julgava possível num partido de governo para, em seguida, rapidamente recolherem à segurança da postura institucional. Sendo que todos sabem que para próxima usarão a mesma técnica mas o ataque será ainda mais feroz.
Contudo ficou por saber se o ministro nos informou oficialmente que existe em Portugal uma rede de espionagem nas polícias e na Procuradoria que, segundo o mesmo ministro, fornece informações a Manuela Ferreira Leite. Se Vieira da Silva quis mesmo dizer o que disse tem de voltar novamente ao parlamento porque se uma rede de espionagem política é grave, uma rede que trabalha para um determinado partido é ainda mais grave. E um ministro que lança suspeitas deste teor ou as fundamenta ou deixa de ser ministro.

Helena Matos, no "Público" de ontem

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A balança

Mário Machado e 7 elementos do seu gang foram hoje acusados de vários crimes de roubo e sequestro e de associação criminosa. Aquele já se encontrava em prisão preventiva desde o ano passado, medida aplicada no âmbito de outro procedimento criminal. Espera-se que o MP seja igualmente célere e expedito no caso "Face Oculta".

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

A irmandade da sucata (2)

Sobre as conversas escutadas entre Sócrates e seu amigo Vara, ao que parece a propósito da compra fraudulenta da TVI pela PT, que o Presidente do STJ convenientemente mandou apagar, leia-se este texto lapidar no "Vivo e de Boa Saúde". Note-se que a celeridade da decisão permite imaginar o pior.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A irmandade da sucata


O Supremo Tribunal de Justiça acaba de declarar nula a transcrição de uma conversa telefónica entre Armando Vara, arguido do processo Face Oculta, e o primeiro-ministro, José Sócrates, por considerar que a gravação da mesma necessitava de autorização deste tribunal superior. A decisão baseia-se numa disposição da lei processual penal, segundo a qual o PM, à semelhança do PR e do Presid. da A.R., responde perante o Supremo. Neste caso, o STJ considerou que a recolha de meios de prova está incluída nessa prerrogativa. A lei é estúpida? É! Cria um obstáculo à celeridade de uma investigação desta envergadura? Sim! A mais elementar prudência não aconselharia, ao invés, que Noronha do Nascimento ratificasse a transcrição? Claro! Tanto mais que se está em pleno período eleitoral naquele órgão e as suas recentes declarações sobre investigação criminal só nesse âmbito podem ser entendidas...
Ora, as notícias dão conta de que Sócrates, nessa conversa com Armando Vara, averiguou soluções para o "amigo Joaquim". E quem é o "amigo Joaquim"? Pois bem, o proprietário de um conhecido grupo de comunicação social muito "amigo" do PS e do Governo. Não se sabe em que ponto entraria o sucateiro Godinho nessas soluções. O mesmo que parece pairar por cima de todos os negócios que envolvem certas empresas públicas, qual Quasimodo incinerador, o factotum do trabalho sujo, o canalizador avençado sempre à disposição no quintal das traseiras do regime.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Os intocáveis

O processo Face Oculta deu-me, finalmente, resposta à pergunta que fiz ao ministro da Presidência Pedro Silva Pereira - se no sector do Estado que lhe estava confiado havia ambiente para trocas de favores por dinheiro. Pedro Silva Pereira respondeu-me na altura que a minha pergunta era insultuosa.
Agora, o despacho judicial que descreve a rede de corrupção que abrange o mundo da sucata, executivos da alta finança e agentes do Estado, responde-me ao que Silva Pereira fugiu: Que sim. Havia esse ambiente. E diz mais. Diz que continua a haver. A brilhante investigação do Ministério Público e da Polícia Judiciária de Aveiro revela um universo de roubalheira demasiado gritante para ser encoberto por segredos de justiça.
O país tem de saber de tudo porque por cada sucateiro que dá um Mercedes topo de gama a um agente do Estado há 50 famílias desempregadas. É dinheiro público que paga concursos viciados, subornos e sinecuras. Com a lentidão da Justiça e a panóplia de artifícios dilatórios à disposição dos advogados, os silêncios dão aos criminosos tempo. Tempo para que os delitos caiam no esquecimento e a prática de crimes na habituação. Foi para isso que o primeiro-ministro contribuiu quando, questionado sobre a Face Oculta, respondeu: "O Senhor jornalista devia saber que eu não comento processos judiciais em curso (...)". O "Senhor jornalista" provavelmente já sabia, mas se calhar julgava que Sócrates tinha mudado neste mandato. Armando Vara é seu camarada de partido, seu amigo, foi seu colega de governo e seu companheiro de carteira nessa escola de saber que era a Universidade Independente. Licenciaram-se os dois nas ciências lá disponíveis quase na mesma altura. Mas sobretudo, Vara geria (de facto ainda gere) milhões em dinheiros públicos. Por esses, Sócrates tem de responder. Tal como tem de responder pelos valores do património nacional que lhe foram e ainda estão confiados e que à força de milhões de libras esterlinas podem ter sido lesados no Freeport.
Face ao que (felizmente) já se sabe sobre as redes de corrupção em Portugal, um chefe de Governo não se pode refugiar no "no comment" a que a Justiça supostamente o obriga, porque a Justiça não o obriga a nada disso. Pelo contrário. Exige-lhe que fale. Que diga que estas práticas não podem ser toleradas e que dê conta do que está a fazer para lhes pôr um fim. Declarações idênticas de não-comentário têm sido produzidas pelo presidente Cavaco Silva sobre o Freeport, sobre Lopes da Mota, sobre o BPN, sobre a SLN, sobre Dias Loureiro, sobre Oliveira Costa e tudo o mais que tem lançado dúvidas sobre a lisura da nossa vida pública. Estes silêncios que variam entre o ameaçador, o irónico e o cínico, estão a dar ao país uma mensagem clara: os agentes do Estado protegem-se uns aos outros com silêncios cúmplices sempre que um deles é apanhado com as calças na mão (ou sem elas) violando crianças da Casa Pia, roubando carris para vender na sucata, viabilizando centros comerciais em cima de reservas naturais, comprando habilitações para preencher os vazios humanísticos que a aculturação deixou em aberto ou aceitando acções não cotadas de uma qualquer obscuridade empresarial que rendem 147,5% ao ano. Lida cá fora a mensagem traduz-se na simplicidade brutal do mais interiorizado conceito em Portugal: nos grandes ninguém toca.

Mário Crespo, no JN de 2.11

segunda-feira, 1 de junho de 2009

O triunfo dos porcos

Lindo foi ver ontem na TV alguns adeptos da agremiação regional condenada por corrupção. Após terem ganho a Taça de Portugal, a única coisa que conseguiram foi, num acesso hidrofóbico característico, espumar de raiva. Ao mesmo tempo que gritavam SLB, SLB, seguindo-se os impropérios do costume. Esta gente não sabe sequer festejar uma vitória. Para isso, teriam que ter a consciência limpa, uma alegria espontânea, um regozijo descomplexado. Por outras palavras, uma joie de vivre que só se alcança depois de muito pedalar. Atributos esses próprios dos verdadeiros vencedores, como é sabido. O mais que conseguiram, no desiderato, foi mais uma exibição de ódio, de provincianismo e de ressabiamento. Ou seja, prestando vassalagem, ainda que inconscientemente, a quem realmente é grande. Há coisas que não mudam...

sexta-feira, 3 de abril de 2009

A nova ANP


A réstia de simpatia política que (ainda) tinha por Sócrates desvaneceu-se após o último Congresso norte-coreano dos socialistas. Desde o pós-25 de Abril que não me lembro de ver um primeiro-ministro ameaçando jornalistas em directo, numa tribuna pública. O que revela que Sócrates e a sua nomenklatura se dão muito mal com a liberdade de imprensa, com a independência do poder judicial, e com os famosos checks and balance, a arquitectura fundamental da democracia. A teia tenebrosa que, sob o manto do PS, se constituiu no mundo da Justiça, só agora começou a mostrar do que é capaz. Vejam-se as pressões sobre os magistrados que investigam. Veja-se o percurso do alegado autor dessas pressões, presidente do Eurojust. O tal que fez carreira política no interior do PS, com ligações à inacreditável Fátima Felgueiras, personagem particularmente sinistra, que reúne tudo o que de pior a democracia deu à luz. E cujos cordelinhos bastaram para que alguns artigos da reforma do processo penal fossem redigidos à la carte, claramente para lhe facilitar a vida. Sempre pensei que este assunto do licenciamento do Freeport traria à tona não a eventual responsabilidade criminal dos envolvidos, mas o cheiro nauseabundo da corja, atrás dos bastidores. A qual, vendo-se ameaçada, começou a sair das suas tocas, das suas sinecuras, dos seus limbos de impunidade. Sobre possíveis práticas ilícitas há indícios mais do que suficientes, neste episódio, que justificam uma investigação séria dos factos. Mas há outra coisa que não tem sido muito falada: Sócrates era na altura Ministro do Ambiente. Portanto, do ponto de vista político, o responsável directo pela condução do processo. Alguém lhe apontou responsabilidades a esse nível? Todavia, voltando à magna questão da mexicanização da vida pública nacional, se dúvidas houvessem acerca deste cerco à liberdade de expressão e às garantias de pluralismo e independência da comunicação social, para mim acabaram em definitivo. Um exemplo: por via do Pedro Correia, fiquei a saber que Sócrates acaba de processar João Miguel Tavares, jornalista do DN. Motivo: um artigo de opinião da sua autoria, intitulado justamente "José Sócrates, o cristo da política portuguesa". E que começa da melhor maneira: "Ver José Sócrates apelar à moral na política é tão convincente quanto a defesa da monogamia por parte de Cicciolina." Ou, acabando com um non sequitur, por parte de um mórmon, acrescentaria.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Chega!

Depois de uma visita guiada à extraordinária exposição de Juan Muñoz em Serralves, regressei à cidade-neve, ainda a tempo de assistir ao FCP-Benfica. O jogo foi o que todos viram. Um banho de bola do glorioso e mais um penalty fantasma a desvirtuar o resultado desportivo. A bimbalhada adepta do clube regional conhecido pelas práticas criminosas ligadas a gangs e compra de árbitros exultou, naturalmente. Desta vez, o país inteiro pode assistir ao triunfo da mentira e da corrupção. Basta! Removam a tralha, já! Suspendam-se as competições profissionais até à reposição da normalidade desportiva e punição dos criminosos!