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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

As portagens (2)

Sob o título "Contra Lisboa, Marchar, Marchar", o último editorial do Jornal "O Interior" (08.12.2011) situa de forma acertada a questão das portagens electrónicas, recentemente activadas nas ex SCUT. O texto pode aqui ser lido na íntegra.

Uma nota, a propósito. É consensual a condenação de como e quando as portagens foram impostas e anunciadas. E do silêncio ensurdecedor dos responsáveis políticos locais. Sobretudo, aquele que veio dos deputados eleitos pelo distrito. Mas, como o director do jornal refere, há que tirar também algumas conclusões sobre a forma como o debate foi conduzido e a contestação foi feita. Neste caso prevaleceu o simples e demagógico "não pagamos". Algo que, embora compreensível, não deveria tomar o lugar da razoabilidade e do bom senso. Sabendo-se até que o pagamento seria inevitável, mais cedo ou mais tarde. Isto é, deveria ter havido uma concertação prévia, cuja ordem de trabalhos passaria pela criação de outras formas de pagamento e da tal tarifa "social" para o interior, a extensão das isenções, etc. A entidade negociadora poderia ser uma uma comissão formada ad hoc por autarcas das regiões envolvidas, agentes económicos e representantes dos utentes. 

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

As portagens (1)

Quem circula nas 4 ex SCUT - A22, A23, A24, A25 - já sentiu o impacto nas suas contas bancárias das taxas a pagamento desde 8 do corrente. Mas a história ainda vai a meio. A indignação dos utentes e dos cidadãos residentes nas zonas afectadas não irá parar de crescer. As providências cautelares e as acções de protesto multiplicam-se. O entupimento das alternativas (que em rigor não o são em grande parte do percurso, onde o traçado das auto-estradas coincide com o das antigas IP), a confusão total nas fronteiras e postos de venda, a forma vergonhosa como o pós pagamento é feito (nos correios e nos 2 ou 3 pay shops existentes), sem a possibilidade de ser efectuado por MB, mediante referência obtida online, o caos no pagamento de viaturas estrangeiras, são tudo indícios de um autêntica extorsão aos cidadãos/utentes e uma ignomínia para quem nisto consentiu. Até porque não houve nenhum tipo de debate público sério sobre o tema. E muito menos houve qualquer responsabilização política ou criminal dos responsáveis por esta trapalhada. E há razões mais do que suficientes para isso. Como se sabe, as portagens resultam de uma negociação mal feita entre o Estado e as concessionárias. Que culminou na alteração do contrato de concessão, em finais de 2009, quando era Secretário de Estado da tutela Paulo Campos. O mesmo que, sem pestanejar, foi eleito no ano seguinte deputado pelo PS no círculo da Guarda. O objectivo da parceria è óbvio: abrir o caminho para a Ascendi & Cia começar a facturar, rapidamente e em força. E quem iria pagar a conta? Os cidadãos e empresas das zonas mais debilitadas do país, naturalmente. O ponto mais fascinante das alterações produzidas diz respeito à fixação de uma "compensação", a ser paga pelo Estado às concessionárias. Uma espécie de quota de disponibilidade, no valor de vários milhões por ano, liquidada mesmo que nenhum veículo passe pelas "SCUT". O caso é grave e configura vários tipo de ilícito. Nomeadamente participação económica em negócio e administração danosa. O Ministério Público já deveria ter aberto um ou vários inquéritos aos governantes e deputados da Comissão respectiva que negociaram as alterações ao contrato de concessão. Até porque alguns deles tinham interesse directo no negócio, como é sabido...

quinta-feira, 3 de março de 2011

Contra as portagens, marchar, marchar

Marchar, neste caso, quer dizer também assinar a petição contra mais esta machadada nas aspirações ao desenvolvimento do interior do país. Basta dizer que, aos preços actuais dos combustíveis, uma viagem Guarda - Lisboa ida e volta, numa viatura ligeira a gasolina, incluindo portagem existente na A1 e prevista na A23, importará em cerca de 120 euros. Quanto a ir ao Porto pela A25, façam os leitores as respectivas contas. 

Petição "Não às portagens na A23 e A25"