sexta-feira, 5 de junho de 2009

Polling station

Para finalizar o tema eleições europeias, uma nota final. Foi preciso ler o jornal para ficar a saber que, na próxima legislatura, o número de deputados do Parlamento Europeu irá descer de 785 para 736; qual a arrumação das famílias políticas; porque é que vários deputados que integravam o o PPE formaram um grupo anti-federalista; como Cohn-Bendit apostou numa lsta ecologista europeia, que irá ser a 5ª força política; que há um candidato cipriota que quer criar pequenas cidades utópicas na sua ilha; que a extrema-direita foi a segunda força mais votada na Holanda, etc. Por cá, impera a inanidade intelectual, o lavar da roupa suja, o provincianismo e o grau zero no que ao debate sobre a Europa diz respeito. É pena que não se possam escolher candidatos de outras nações europeias para se votar. Gente com outros horizontes. E porque não? Se são eleições europeias, porque é que os cidadãos eleitores são obrigados a decidir só entre o que lhe é "oferecido" na ementa da casa? Entre a Ilda a recitar as novenas leninistas e o Nuno Melo a dar palmadinhas aos agricultores, venha o diabo e escolha. Entre um Vital a perder gás e a tentar branquear o Freeport com o BPN e um Rangel em serviços mínimos, cruzes canhoto. Um cardápio de trastes, talvez com excepção do Miguel Portas. Portanto, está decidido: vou "votar" no Kostas Kyriakou e nos seus falanstérios cipriotas.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Piratas


Pronto! Está resolvida a minha alergia a partidos políticos. Claro que vai haver um engraçadinho que vai comentar se a pomada do dermatologista fez efeito!... Anhanhnah! (riso sarcástico e complacente qb). Finalmente, descobri um partido que podia ser mas não é. Que não sendo, não podia deixar de ser. Que o seu encanto é não ser, mas poder vir a ser a qualquer momento. E se deixar de ser, é só para ser o mesmo de outra maneira. Tal como as grandes histórias de amor... Ladies and gents: apresento-vos o Partido Pirata Português! A resposta que as majors da indústria discográfica e respectivos enteados, como o Tozé e assim, andavam a precisar há muito... Estes senhores já nem com Xanax em doses cavalares conseguem dormir descansados, face às quebras das receitas da venda de CDs. Neste momento, estão por todas! Até mesmo chamar "criminoso" ao ministro da cultura, só porque afirmou que na net a circulação é livre. Para já não falar das propostas no sentido de os ISP suspenderem as contas onde houver "movimentos suspeitos" e a que já aqui fiz referência. Adiante. No programa deste movimento pode ler-se o porquê do seu aparecimento:

O Partido Pirata surgiu como um colectivo que visa mudanças nas leis de direitos de autor e no sistema de patentes. O objectivo foi o de tornar sagrado o direito de qualquer pessoa compartilhar cultura com seus semelhantes. Entendemos que compartilhar é um ato nobre por si mesmo - ele faz do cidadão uma pessoa digna, confiável e responsável. Vemos isso como um dos fundamentos de nossas liberdades individuais. Vemos também que as leis que regem a “propriedade intelectual” - termo contraditório em si mesmo - perderam sua função original, ao invés de permitir a partilha da nossa cultura com os nossos semelhante, servem para defender interesses económicos de intermediários da cultura e do conhecimento. Assim criou-se um sistema abusivo à natureza das coisas que permite monopolizar as ideias e criações humanas, sendo assim profundamente danoso à sociedade como um todo.Com os meios digitais, a única forma de impedir que violações aos direitos de “propriedade intelectual” é controlando as comunicações entre os cidadãos. A privacidade e a liberdade de expressão dos cidadãos são direitos humanos, assim como também são o direito à educação e a comunicação. Estes devem prevalecer contra qualquer direito de fundo económico, sobretudo privado. A nossa posição é firme e clara: compartilhar cultura não é crime. Nenhum cidadão pode ser considerado criminoso só porque teve acesso a um bem cultural através de partilha.

Pois bem, nada como falar bem e depressa para nos entendermos. Por favor, façam como eu e "votem" neste partido. Onde e como quiserem. Ao menos não tem saco azul, não gagueja e luta por bens essenciais. A cultura não pode ficar à mercê do mercantilismo.

Tiananmen - 20 anos


Ainda hoje não se sabe a dimensão do massacre nem o número de vítimas às mãos do Exército "do Povo". Os números divergem consoante as fontes. Isto apesar dos apelos da comunidade internacional e da oposição interna. O que não conseguiram foi apagar uma brisa de liberdade na China, tão efémera quanto trágica. A propósito, recomendo a leitura desta evocação de João Tunes.Justificar completamente

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Graffitis - 35


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Viver para contar

Acho que a Democracia é um erro, um erro monstro. E é-o por muitas razões, tantas quantas aquelas que achamos que deviam ser as coisas belas da vida e das quais desistimos porque achamos que nunca se realizarão. Por isso dizemos que a Democracia é o menor dos males. E esquecemo-nos de perguntar quem somos nós para dizer o que é o menor dos males. Não, o Povo não tem razão. Nós não temos razão. Morreram duas centenas de pessoas sobre o Atlântico. Temos a noção que foi um mal terrível. Será o menor dos males se não foram assassinadas por terroristas e se tivessem morrido sem dor. Não se pode dizer que ninguém sabe. Sabem mas não querem dizer porque destruiriam uma indústria que enche os bolsos a ricos e enche o prato a pobres e, pior, que mistura as pessoas todas umas com as outras, acabando com o racismo, dizem. Como se as pessoas não fossem diferentes porque estão ligadas a um certo lugar. Mas aqueles que precisam de enganar o mundo inteiro porque já ninguém acredita neles, no lugar onde nasceram, não param enquanto não impuserem a sua vontade ao mundo, enquanto não tiverem calado os outros todos. Eu já passei um voo assim. O meu avião entrou dentro dum furacão. A voz dos pilotos tremia. Eu estava sentado atrás e a fuselagem ondulava como uma barraca de palha. E, por cada ondulação o avião estalava com pancadas terríveis. Uma senhora com os filhos chorava. Os filhos perguntavam ao pai se iam cair. O Pai, corajosamente, berrava com eles a dizer uma coisa que não é verdade: que as coisas só acontecem aos aviões ao aterrar ou descolar. Ao meu lado, um veterano da Guerra colonial já deixara há muito de dizer que sobrevivera a aviões muitos piores quando fora transportado como soldado, para lugares onde alguns dos que sobreviveram ao voo, morreram em tiroteios, em emboscadas, ao calcar minas. Ao fim, em paz, depois de pairarmos sobre um mar calmo onde se reflectia a lua, os pilotos e as hospedeiras alinharam todos em silêncio, de chapéu na mão enquanto saíamos. Não se ouvia um zumbido. Como crianças grandes, deste pesadelo chamado Democracia, todos fugiram envergonhados, salvos mais uma vez, para as suas casas. E eu voltei a voar, a sofrer horrivelmente, a rezar à descolagem e à aterragem, a imaginar o meu Amigo Júlio Santos como um cavaleiro medieval, coberto de sangue levantando uma asa e um anjo enorme levantando a outra. Desfiz-me em fraternidade com os meus companheiros de viagem, tão diferentes, fui irmão, fui pai, fui filho, chorei, ri-me, sobrevivi para contar. Entreguei a alma ao criador, entreguei todos os meus bens, sonhei pela última vez com alguém que amei e que me não correspondeu, ajeitei como um anjo a roupa da cama à minha filha adormecida, troquei as últimas indicações de casa com a minha mulher de que me separei, afaguei a fronte do meu pai doente e da minha mãe sofrida. Disse ao meu irmão para não se preocupar e amei sinceramente, sem dúvidas, a Humanidade inteira. Vi Jesus estendendo os braços sobre o Mundo. Vi Buda sorrindo no Sol, senti os braços de Alá segurando o Universo que me rodeavam. Sobrevivi. Mas uma sociedade que assassinou estes passageiros todos duma forma tão bárbara sobre um lugar tão frio e inóspito que só uma certa raça de gente, e não qualquer um, a pode percorrer, não vou perdoar. A Democracia, a Técnica, a soberania absoluta dos votos e da liberdade de expressão, não são o melhor dos possíveis. A Democracia que dá a Soberania a nós todos, retirando-a a tantas coisas que existiram e existirão além de nós, não é o menor dos males. É o maior mal dos menores. E lembro-me de um ditado chinês com milhares de anos: nascer e morrer numa aldeia, ter acordado dias sem conta com o latir dos cães da aldeia vizinha. E nunca a ter visitado. Não sofremos já todos demasiado para nos tratarmos delicadamente, com carinho, com Amor, como se o nosso Próximo fosse o último?

André

terça-feira, 2 de junho de 2009

Elogio de Marinho Pinto


Ao contrário do que alguns julgam, o problema não está em existir um Marinho Pinto, mas em não aparecerem mais figuras públicas com estilo semelhante. Para desgosto de trastes do regime como Júdices & Companhia. Os tais que sobrevivem à conta de pareceres pagos a peso de ouro pelo Estado, em regime de oligopólio. Esses sim é que são populistas. Desde a primeira hora que o estilo tonitruante e corajoso de M.P. me agradou. Tendo apoiado a sua lista em ambas as eleições a que se candidatou. Com a sua nomeação como Bastonário, não tenho dúvidas de que a esmagadora maioria dos advogados saiu beneficiada. Em detrimento da uma ínfima clique de sociedades de Lisboa e Porto, que são autênticas centrais de extorsão de dinheiros públicos e privados. É um homem que subiu a pulso, sem os tradicionais empurrões da nata estabelecida. Veio da província e conhece muito bem a realidade profunda da advocacia. Fora dos gabinetes alcatifados onde se cruzam juniors & seniors à maneira das séries americanas. Teve o "descaramento" de afrontar os ineteresses instalados dentro da própria Ordem, de que o caso paradigmático são os Conselhos Distritais. Estruturas que sobrevivem à custa no "negócio" da formação e das receitas dos estágios. Dispondo de orçamentos principescos, sem qualquer justificação face à actividade que realmente desenvolvem em benefício dos advogados. A sua "intransigência" já evitou que o Governo conseguisse fazer passar uma tabela de honorários do apoio judiciário que era uma verdadeira indignidade. Já conseguiu do Ministério da Justiça a pontualidade "possível" no seu pagamento. Já desafiou as estruturas corporativas ligadas às magistraturas (que não se devem confundir com o todo nem com cada uma das partes). Já falou na corrupção, numa altura em que ninguém queria levantar a lebre. Conseguiu calar, por instantes, esse desastre mediático chamado Manuela Moura Guedes. Em meu entender, só cometeu um deslize grave: teve a ver com o caso Freeport. Ao comentá-lo nos termos em que o fez, tomou claramente partido e denegriu os órgãos de investigação criminal envolvidos. O que é inadmissível por parte de um Bastonário.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

O triunfo dos porcos

Lindo foi ver ontem na TV alguns adeptos da agremiação regional condenada por corrupção. Após terem ganho a Taça de Portugal, a única coisa que conseguiram foi, num acesso hidrofóbico característico, espumar de raiva. Ao mesmo tempo que gritavam SLB, SLB, seguindo-se os impropérios do costume. Esta gente não sabe sequer festejar uma vitória. Para isso, teriam que ter a consciência limpa, uma alegria espontânea, um regozijo descomplexado. Por outras palavras, uma joie de vivre que só se alcança depois de muito pedalar. Atributos esses próprios dos verdadeiros vencedores, como é sabido. O mais que conseguiram, no desiderato, foi mais uma exibição de ódio, de provincianismo e de ressabiamento. Ou seja, prestando vassalagem, ainda que inconscientemente, a quem realmente é grande. Há coisas que não mudam...