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segunda-feira, 21 de abril de 2008

O amigo da onça

Ainda mal tirou o pó à secretária, nas novas funções de presidente da "Frente Tejo" - uma empresa municipal criada para a recuperação da zona ribeirinha de Lisboa - José Miguel Júdice acaba de propor a fusão do PSD e do PS! Aconteceu, no meio das habituais boutades, em declarações à TSF e DN. A ideia seria os sociais-democratas de ambos os partidos juntarem os trapinhos. Deixando de fora a tralha esquerdista no segundo e os liberais(?) e populistas no primeiro. Mas por uma questão de clareza, convem colocar a hipótese, por analogia, nos termos do direito societário. Ora, o senior partner da advocacia lusa não esclarece se se trata de uma fusão proprio sensu ou de uma cisão. Portanto, seria interessante verificar se, no primeiro caso: a) haverá uma transferência global dos "activos" de um partido para outro; b) ou essa operação se faz, de raiz, para um novo, a criar para o efeito. Ou então, na segunda possibilidade: a) se ambos destacam parte do seu "património", para com ele formar outro partido; b) se ambos se dissolvem, dividindo os seus activos e com eles constituem novo partido; c) quer num caso quer noutro, se é para dividirem o que fica em fatias e fundi-las com organizações políticas já existentes ou com partes destas. Em qualquer caso, o negociador e mentor seria, como já adivinharam, o transumante causídico. Por sua vez, os honorários por si cobrados consistiriam na criação de caminho livre para a constituição de um partido por si apadrinhado. E onde Santana Lopes teria lugar cativo, por supuesto. E quem sabe se Menezes, como médico de campanha. Como esclarece João Tunes, este arremedo filantrópico aparece «por amor de quê? Júdice explica: para dar espaço a um “partido da direita”. Do género: “levem a tralha que sobra do PSD e deixem-me formar o meu partido”. É no que dá dar a mão a gente desta, apanham-na e já se estão a agarrar aos pés.»

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

A mosca


O Dr. Júdice, até agora o ódio de estimação predilecto deste blogue, acaba de vir aos costumes dizer que a eleição de Marinho Pinto para Bastonário representa uma "tragédia ao quadrado". Dirigia-se sobretudo aos colegas, que encara como iludidos com o discurso de M.P. Nisto pouco difere de Hugo Chavez, quando chamou à sua recente derrota nas urnas uma "vitória de merda" da oposição. A sentença do conhecido transumante, o mesmo para quem Portugal "é um país de merdosos", encerra uma ameaça velada: "quisestes assim, seus ingratos, então ides ver como elas cantam!..." Claro que isto não significa a oferta de uma assinatura anual para o S. Carlos. Lembro que o ex-mandatário de António Costa é também senior partner de um gigante da advocacia nacional. Que sobrevive à custa de chorudos honorários sacados pelos pareceres que generosamente o Estado continua a submeter-lhe em regime de exclusividade. Não custa pois adivinhar o verdadeiro significado do oráculo: 1º a fina-flor da advocacia tem um testa de ferro pronto para tudo. Sobretudo para prevenir um assalto ao Palácio de Inverno pela plebe que elegeu Marinho Pinto, o pedestal onde os seniors se entretem a desfilar como burocratas de luxo do regime; 2º o Dr. Júdice manifesta o seu ressabiamanto de classe contra o "rural" Marinho Pinto, o "filho do alfaiate". Em síntese, o auto-acantonamento de um oligopólio, onde aparece Júdice como cabeça de série. Devidamente emplumado atrás de uma jactância e de uma soberba que se tornaram a sua imagem de marca. O figurão já percebeu que as coisas vão mudar na advocacia. Aquela que vai prosperando graças ao tráfico de influências não vai ter a vida facilitada. De tal forma que, para ela, a tragédia é bem capaz de ser ao cubo.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

TV Shop

A SIC Notícias anda pelas ruas da amargura. Depois da reacção despropositada face à célebre retirada de Santana Lopes, o director daquele canal, Ricardo Costa, acaba de convidar Júdice para comentar a situação no PSD. O conhecido sofista, adulador crónico do Poder e angariador de pareceres chorudos para o seu escritório, meteu mais uma lança em África. Ups! Em Carnaxide, queria eu dizer. O novel comentador, celebrizado pela sua desonestidade intelectual e irrelevância ética, é seguramente a pessoa indicada para tecer considerações sobre uma catástrofe. Não, não é um simples erro de casting. Trata-se da promoção definitiva de Júdice a tarefeiro de luxo do regime.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

O Judas

Nunca gostei da peça. A recente nomeação, por baixo da porta, para gerir a requalificação do porto de Lisboa, generosamente paga com a presença na candidatura de Costa, só veio lembrar-me porquê. Como advogado, é o que se sabe: defende descaradamente que o Estado deve ser cliente "natural" das grandes sociedades de advogados, como aquela de que é sócio, by the way. Enquanto Bastonário, beneficiou claramente o tipo de advocacia "socialite". Mas deixemos essas minudências. Como figura pública, é um dos ornamentos mais caricatos do regime. Escreve artigos nos jornais que mais parecem case studies de retórica sofista. O Homem não diz nada de novo, como um aluno aplicado de La Palisse. Mas as palavras enchem, enchem, enlevam, descrevem trajectos fantásticos para voltarem ao mesmo lugar. Tresandam à velha burguesia recauchutada com as prebendas do regime. São palavras que se libertaram impunemente da Verdade. Que não se tomam verdadeiramente a sério, porque não podem. Se o fizessem, seriam pura brincadeira, uma brincadeira de mau gosto. Palavras que exudam arrogância por todos os poros, uma insuportável arrogância classista. Que sugerem erudição, mas pouco mais carregam do que chico-espertismo sofisticado. Palavras que transportam consigo o sibilino canto da corrupção moral e uma ânsia desmesurada de protagonismo, bem próprias do orgiasta acaciano que, no fundo, ele é. O resto, já se sabe. Onde cheirar a influência, lá está o homem.