Sexta-feira haverá eleições para os órgãos sociais da Ordem dos Advogados. Ou seja, sexta à noite serão conhecidos os resultados para o exercício no próximo triénio. Pela minha parte, e repetindo uma escolha anterior, espero que, sem surpresas, Marinho Pinto inicie mais um mandato como Bastonário. Pelo que tem feito em defesa da classe, no seu todo, merece-o. Já certo tipo de declarações públicas seriam de evitar, sobretudo nos casos Casa Pia e Freeport, onde evidenciou uma colagem inadmissível ao socratismo e, no primeiro caso, uma guerra dispensável com as magistraturas.. De acordo com a linhas mestras da lista que encabeça, o exercício de mais um mandato será fundamental em três vertentes: reforma da acção executiva, consolidação do actual sistema do apoio judiciário, contra as tentativas de impor a funcionalização através da criação da figura do Defensor público e a luta contra a desjudicialização da justiça e a massificação da Advocacia. As outras candidaturas ao Conselho Geral, muito especialmente a de Fragoso Marques, representam os resquícios dos velhinhos interesses instalados. Ou seja, assegura a representatividade, não da maioria da classe, mas de meia dúzia de sociedades predadoras em Lisboa e no Porto. Com o "resto" a aproximar-se, digamos, do limbo paisagístico e periodicamente votante.
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terça-feira, 23 de novembro de 2010
terça-feira, 22 de junho de 2010
Contra números não há argumentos
Foram conhecidos na semana passada os resultados do exame nacional de acesso ao estágio na Ordem dos Advogados. Não é o escassíssimo número de aprovações o que me traz aqui, mas a proveniência dos candidatos. Assim, dos 33 admitidos, 22 vieram da Faculdade de Direito de Lisboa, 8 da Faculdade de Direito de Coimbra, dois da Universidade Católica e um da Universidade Nova. Nem um das genericamente chamadas "privadas". Mais comentários para quê? FDL só há uma!!!
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quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
A mosca

O Dr. Júdice, até agora o ódio de estimação predilecto deste blogue, acaba de vir aos costumes dizer que a eleição de Marinho Pinto para Bastonário representa uma "tragédia ao quadrado". Dirigia-se sobretudo aos colegas, que encara como iludidos com o discurso de M.P. Nisto pouco difere de Hugo Chavez, quando chamou à sua recente derrota nas urnas uma "vitória de merda" da oposição. A sentença do conhecido transumante, o mesmo para quem Portugal "é um país de merdosos", encerra uma ameaça velada: "quisestes assim, seus ingratos, então ides ver como elas cantam!..." Claro que isto não significa a oferta de uma assinatura anual para o S. Carlos. Lembro que o ex-mandatário de António Costa é também senior partner de um gigante da advocacia nacional. Que sobrevive à custa de chorudos honorários sacados pelos pareceres que generosamente o Estado continua a submeter-lhe em regime de exclusividade. Não custa pois adivinhar o verdadeiro significado do oráculo: 1º a fina-flor da advocacia tem um testa de ferro pronto para tudo. Sobretudo para prevenir um assalto ao Palácio de Inverno pela plebe que elegeu Marinho Pinto, o pedestal onde os seniors se entretem a desfilar como burocratas de luxo do regime; 2º o Dr. Júdice manifesta o seu ressabiamanto de classe contra o "rural" Marinho Pinto, o "filho do alfaiate". Em síntese, o auto-acantonamento de um oligopólio, onde aparece Júdice como cabeça de série. Devidamente emplumado atrás de uma jactância e de uma soberba que se tornaram a sua imagem de marca. O figurão já percebeu que as coisas vão mudar na advocacia. Aquela que vai prosperando graças ao tráfico de influências não vai ter a vida facilitada. De tal forma que, para ela, a tragédia é bem capaz de ser ao cubo.
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sexta-feira, 30 de novembro de 2007
O Dia D
Hoje decorre a assembleia-geral eleitoral na Ordem dos Advogados. No final do dia, saber-se-á quem será o próximo Bastonário e qual a composição dos órgãos dirigentes. Na prática, esta sessão é mais escrutinadora do que eleitoral, pois a maioria dos advogados já terá votado por correspondência, sendo que o voto presencial terá alguma expressão sobretudo nas secções eleitorais de Lisboa e Porto. Ora, tenho acompanhado com relativo distanciamento a campanha eleitoral. Pelo que tenho recebido por email e pelas declarações dos candidatos, as suas propostas são convergentes no essencial. Mas aproximando-se o ponto de focagem, percebe-se que o estilo, o percurso e a base representativa de cada um é profundamente diferente. Garcia Pereira é o candidato "sempre em pé", cuja credibilidade se impõe mais pela tradição do que pela convicção. Magalhães e Silva e Menezes Leitão representam o status quo, a subserviência face aos grandes escritórios de Lisboa e Porto, autênticos hipermercados da advocacia. O único que me chamou a atenção foi António Marinho Pinto. Já tinha acompanhado com interesse a sua campanha nas eleições anteriores. E agora tive o prazer de o conhecer numa pequena sessão-debate nas instalações da delegação local da O.A. A sua acutilância, clarividência e frontalidade, bem como o seu percurso como cidadão e como profissional, foram elementos determinantes na minha escolha. Acredito que se Marinho Pinto triunfar, como as sondagens indicam, escrever-se-á uma nova página na advocacia em Portugal.Post scriptum: o astrólogo Martelo lá fez o frete ao seu amigo Magalhães, identificando M. P. como o porta-voz dos "perigosos descamisados". Para o Professor, este ano foi para esquecer, em matéria de profecias.
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