sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Stalker

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Os pontos nos ii

É com algum desapontamento, embora não com surpresa, que vejo muita gente, na blogosfera, nos jornais, em declarações públicas, que se reivindica "de esquerda", mas que não demonstra qualquer tipo de sensibilidade para a realidade social nua e crua. O que inclui, por exemplo, o drama da precaridade no emprego, o empobrecimento de novas franjas da população, a solidão, as recentes formas de exclusão social e até mesmo cultural, etc. São os mesmos que bradam em abstracto contra os papões, os "maus", os tigres de papel que cimentam um imaginário comum com que se constrói uma cumplicidade forçada, um sentimento do "nós", uma superioridade moral que ninguém outorgou. Mas que são incapazes de tomar posição quando se trata de optar entre a defesa das liberdades individuais e a opressão. Veja-se onde a cegueira ideológica pode levar, a propósito da recente proibição em França do uso da burka e do niqab em edifícios públicos. Cria-se assim uma tela a preto e branco, onde os "maus" são invariavelmente os "outros", os que não se conhecem, os que pensam de outra maneira, os que têm outros gostos, os que estão fora da segurança da casta. No fundo, trata-se de um neotribalismo alimentado por medos auto-insuflados, por fantasmas nascidos da incompreensão dos processos que levam à exclusão, à opressão, à arbitrariedade, à impossibilidade do triunfo do mérito. E como não se querem perceber esses processos - única forma de os combater - agitam-se bandeiras, repartem-se migalhas, apontam-se "culpados", escolhidos invariavelmente entre os "outros", faz-se pela mesma vidinha que se critica nesses "outros". Só que, neste caso, abençoada pelas melhores das intenções...

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Franguês de bolso

"Nuno Gomêz est encore un FANTASMÁ pour vous?". Pergunta do repórter da SIC ao guarda-redes Barthez, ontem durante o jogo de futebol de ajuda humanitária ao Haiti, no estádio da Luz. A reacção do atónito gaulês veio aos solavancos, ainda sem saber o que haveria de responder. Talvez pensando que estava diante do... "Fantasmá de l'Operá"...

domingo, 24 de janeiro de 2010

A Zundapp do gajo

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Leituras

Na minha modesta opinião, "Manual dos Inquisidores" é o último grande livro de Lobo Antunes. O que veio depois assemelha-se, digamos, a um exercício de austeridade monástica para enganar a morte. Refiro-me à ficção, é claro. Pois que as crónicas são outra conversa. É precisamente aí, na incursão ágil e intensa, na concisão fotográfica, que o autor melhor se revela. Mostrando-nos assim o seu portefólio particular ainda "em tosco". Envolvendo-nos numa cumplicidade onde reinam a empatia e a comoção. É por isso que recomendo sem restrições a leitura da sua última crónica, publicada ontem na revista "Visão". Chama-se "Vacilantes rostos do passado" e está aqui.

A vida dos outros

Neste local, ou neste, poderão aceder a várias escutas telefónicas efectuadas a Pinto da Costa e João Loureiro, no âmbito do processo "Apito Dourado". O primeiro, regressado agora das sombras e retomando o discurso fracturante e sibilino que o tornou célebre, diz-se vítima de um ataque sórdido. Sem perder a compostura, note-se. A perda do controle do "sistema", a descredibilização do seu estilo e, sobretudo os êxitos desportivos da concorrência (leia-se Benfica) estão a deixar este homem fora de si. Acompanham o desespero a matilha e homens do gatilho que o rodeiam. E, por efeito de dominó, os seus aliados de conveniência. A podridão que este senhor e seus apaniguados impuseram ao futebol no nosso país desde há quase 30 anos, está a chegar ao fim. O estertor final do polvo, antes da implosão, adivinha-se. Mas antes, vejam e ouçam atentamente os registos. Por momentos, percam as ilusões. Desfaçam-se da inocência. Saboreiem esta instrutiva mostra da saga "a realidade tal como ela é". Ou seja, o lado B da virtude. E que belo naco siciliano! Mesmo que se pareça com o esgoto niilista segredado a Rastignac por Vautrin, o sinistro celerado de "O Pai Goriot" de Balzac. "Não há princípios, mas acontecimentos, o homem superior, etc." A lição podia começar por aí. Mas aqui, mesmo o realismo cínico do "Leviathan" de Hobbes ficaria à porta. É outra coisa. Mais perto de uma putrefacção moral e criminal que ficará impune. Até ver.

Nota: a propósito das alminhas mais preocupadas com o conhecimento público das escutas do que com aquilo que elas revelam, ler este apropriado texto.

Pluvioso


(de 20 de Janeiro a 18 de Fevereiro)