2007 ainda não acabou, mas o Boca de Incêndio já elegeu o melhor blogue nacional do ano. Trata-se do sensacional FWorld, de Fátima Rolo Duarte. Um blogue que é uma instalação e vice-versa. Abre-se e é como visitar uma casa com muitas divisões. E todas elas surpreendem. Graças aos conteúdos, a um bom gosto irrepreensível, mas sobretudo ao arranjo gráfico sui generis. Logo à entrada, somos brindados com a reprodução de um excerto da vibrante entrevista dada por Manuel Castells a Harry Kreisler, no Institute of International Studies, Califórnia. Eis um blogue para ir descobrindo. E não queiram logo ver tudo, seus gulosos... Em suma, só visto, lido e ouvido.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
Por terras do Cid - 2
Toro é uma pequena cidade situada entre Zamora e Tordesilhas, junto ao Douro, 30 km a montante da primeira. Tem uma zona histórica notável, compreendendo uma artéria central que é centro cívico, comercial e cultural e a magnífica Igreja românica da Colegiada de Santa Maria Maior. Das muralhas avista-se o rio, a ponte romana e a imensidão dos vinhedos que rodeia a cidade. Foi em Toro que, em 1476, teve lugar uma célebre batalha entre portugueses e castelhanos, por via das pretensões de D. Afonso V ao trono do país vizinho. Nela ficou imortalizado D. Duarte de Almeida, o Decepado. Conta-se que o bravo cavaleiro só largou o estandarte real, à sua guarda, quando o inimigo lhe cortou os dois braços. A imagem do herói, que constava do livro de História no ciclo preparatório, perseguiu-me ao longo de uma série de pesadelos na infância. Resta uma referência ao maior emblema de Toro: o vinho. Beneficiando de condições geo morfológicas ímpares, produz-se aqui um néctar referenciado já na época romana. O produto é certificado por via de uma denominação de origem e, ao que parece, a qualidade já ombreia com os da região de la Rioja. Pois bem, uma vez que o Museu do Vinho estava fechado, fiz acompanhar um pratinho com algumas variedades de pinchos com um copo de vinho novo. Era o teste que se impunha. A rendição foi total. De tal forma que corri à loja ao lado, onde adquiri algumas garrafas a preceito. No nosso país, só talvez nas feiras do vinho e em garrafeiras especializadas será possível encontrar esta preciosidade.
Por terras do Cid - 1
Por uns dias, andei por terras durienses do Norte de Castela, mais propriamente em Zamora, com uma breve visita a Toro. A primeira é uma cidade interessantíssima. Tem uma zona histórica onde dá gosto passear, descobrir igrejas românicas por todo o lado, a fachada do Teatro Principal, a magnífica catedral e zona envolvente, que compreende a casa do célebre Cid, el Campeador, cuja lenda foi construída no cinema e nas novelas de cavalaria, a muralha suspensa sobre o Douro, o excelente Museu Etnográfico de Castilla y Leon, os palácios renascentistas, os conjuntos arquitectónicos em estilo arte nova... Não esquecer também as artérias pedonais do centro, plenas de agitação, o campus universitário e, sobretudo a Fundação luso-espanhola Rei Afonso Henriques, cuja sede está implantada na margem oposta do Douro, na confluência da ponte medieval. Eis algumas imagens da cidade.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
A mosca

O Dr. Júdice, até agora o ódio de estimação predilecto deste blogue, acaba de vir aos costumes dizer que a eleição de Marinho Pinto para Bastonário representa uma "tragédia ao quadrado". Dirigia-se sobretudo aos colegas, que encara como iludidos com o discurso de M.P. Nisto pouco difere de Hugo Chavez, quando chamou à sua recente derrota nas urnas uma "vitória de merda" da oposição. A sentença do conhecido transumante, o mesmo para quem Portugal "é um país de merdosos", encerra uma ameaça velada: "quisestes assim, seus ingratos, então ides ver como elas cantam!..." Claro que isto não significa a oferta de uma assinatura anual para o S. Carlos. Lembro que o ex-mandatário de António Costa é também senior partner de um gigante da advocacia nacional. Que sobrevive à custa de chorudos honorários sacados pelos pareceres que generosamente o Estado continua a submeter-lhe em regime de exclusividade. Não custa pois adivinhar o verdadeiro significado do oráculo: 1º a fina-flor da advocacia tem um testa de ferro pronto para tudo. Sobretudo para prevenir um assalto ao Palácio de Inverno pela plebe que elegeu Marinho Pinto, o pedestal onde os seniors se entretem a desfilar como burocratas de luxo do regime; 2º o Dr. Júdice manifesta o seu ressabiamanto de classe contra o "rural" Marinho Pinto, o "filho do alfaiate". Em síntese, o auto-acantonamento de um oligopólio, onde aparece Júdice como cabeça de série. Devidamente emplumado atrás de uma jactância e de uma soberba que se tornaram a sua imagem de marca. O figurão já percebeu que as coisas vão mudar na advocacia. Aquela que vai prosperando graças ao tráfico de influências não vai ter a vida facilitada. De tal forma que, para ela, a tragédia é bem capaz de ser ao cubo.
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Mais outro
Sempre as mesmas coisas repetidas, as mesmas palavras, os mesmos hábitos. Construímos ao lado da vida outra vida que acabou por nos dominar. Vamos até à cova com palavras.
Raul Brandão, Húmus
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
O passo
Chegamos todos ao ponto em que a vida se esclarece à luz do inferno. Mas ninguém arrisca um passo definitivo.
Raul Brandão, Húmus
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