quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Pólvora seca

Há dias, passou uma emissão do conhecido Jay Leno show, onde a convidada principal foi Cameron Diaz. Nem de propósito, pois tinha acabado de ver o "seu" penúltimo filme, "Dia e Noite" ("Knight and Day"), onde contracena com Tom Cruise. A entrevista propriamente dita foi algo desinteressante, por muito que o apresentador tentasse "animar" a plateia. A páginas tantas, depois de umas remexidelas langorosas na cadeira, a actriz revelou a sua faceta desportiva, no segmento radical. Nem mais. A voz emprestada da Princesa Fiona no "Shrek para Sempre" deu então um arzinho da sua graça. Ao confessar a sua predilecção por desportos náuticos. De preferência longe da costa, mas com ela à vista, não vá o diabo tece-las. Altura para o escriba aqui fazer um trocadilho engraçadote e bem apropriado entre cabotagem e cabotinismo, o que dá algo parecido com "cabotinagem"... Mas adiante. Ao longo dessa parte da conversa, proezas marítimas à parte, a actriz lá ia fazendo umas insinuações sobre fotografias suas em bikini. Sendo que  não permitiu que Leno mostrasse uma delas no programa, facto que não deixou de sublinhar.  Oportunidade para referir  outras fotografias, very special, onde aparecia em trajes menoríssimos e que tinham grande procura junto do público, segundo a própria. Isto enquanto se meneava com ar deliciado, de uma sonsice católica, à mistura com uns trejeitos impostos pelo star system, mas notoriamente pouco credíveis. Do tipo: "queriam ver mamocas e o meu rabiosque, queriam?" "Isso é que era!"  "Tendes muito que pedalar!" "Olhem que eu sou virtuosa nos dias ímpares, vale?" "Nos outros logo se vê..." Percebi nesse momento a razão de ser do "diaz" no seu nome, sabendo-se que o pai da actriz é cubano. Mas nada de confusões. Pruridos étnicos estão de fora nesta redacção. O que me traz aqui é a evidência de uma herança cultural ibérica, visível, ainda que de forma  extremamente subtil, na linguagem (em sentido amplo) da actriz. Ou seja, a marca de um pudor não assumido completamente,  de um jogo de sombras ambíguo, cujo poderoso erotismo, em vez de impregnar os sentidos, é destruído, em última instância, pela competência atlética exibida por quem dele deveria ser o centro.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Stalker

Serviço público

1. «A Presidência do Conselho de Ministros (PCM) clarificou que o cartão de cidadão “serve apenas para identificar” e “não possui o número de eleitor” em chip ou sob qualquer outra forma».(p)
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2. « um documento prático que agrega e substitui os actuais cartões de contribuinte, de utente do serviço nacional de saúde, de beneficiário da segurança social e de eleitor.»
.
(na página do Cartão do Cidadão, da responsabilidade Agência para a Modernização Administrativa, IP, dependente da Presidência do Conselho de Ministros.

Gabriel Silva, no "Blasfémias"

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Uma vitória a sério, várias a brincar e uma promessa

Remexendo no rescaldo eleitoral, algumas breves conclusões:
a) no Facebook e nas televisões, seguindo o "bom povo da esquerda", através dos seus porta-vozes opinativos, a vitória moral foi obviamente sua. Evidência amparada por várias conjunções adversativas e advérbios relativizadores. Que intercalam amíude os apelos milenaristas costumeiros, com destaque para o anunciado fim do estado social e do ensino público, entre outros delírios. b) o expediente catastrofista, se já foi razoavelmente útil nos idos de 80, pelos vistos, não convenceu ninguém durante esta campanha eleitoral e nem uma pedra comoverá neste cenário pós-coital. c) de resto, todos tiveram direito à sua vitoriazinha, mesmo os entusiásticos comunistas, graças à habitual sofística aritmético-compulsiva, muito esforçada nestas alturas. d) o sinistro Louçã envolvendo o cabisbaixo Alegre num abraço mefistofélico: uma imagem para a posteridade. e) a “proeza” do candidato-poeta em arrecadar menos votos do que em 2006; f) os números da abstenção, que nada decidiram, mas que devem ser motivo de reflexão; g) a vergonhosa inoperância dos serviços da CNE, o que impossibilitou muitos cidadãos de votarem por razões burocráticas; h) ah, já agora, ganhou Cavaco à primeira volta! i) Fora isso, o único verdadeiro acontecimento foi a brecha aberta por Nobre na vida política nacional, o “cavalo” em que apostei nesta corrida. Esse caminho, só agora iniciado, será árduo, mas profundamente apaixonante e crucial para o país. Juntará a urgência e a maturação de um saber num referencial inclusivo e proactivo. Que reunirá, à margem dos partidos, o que a sociedade portuguesa possui de mais dinâmico, audacioso, íntegro e esclarecido. Mas que, por enquanto, se considera sub-representado no actual sistema político-partidário. Em suma, o desafio nacional desta década.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Pluvioso

De 20 de Janeiro a 18 de Fevereiro

O carrossel dos leitores


Para que cessem as dúvidas, também há o Escritor-Que-Mede-Leitor-A-Metro. O tal que vai anotando, à margem, alguns dos seus tipos de ouvintes: Leitores de Ontem, Leitores do Ano Passado, Leitores da Rua A, Leitores da Rua B, Leitoras de Olhos Claros, Leitoras de Cachecol, Leitores Pouco Interessantes, Leitores Estratégicos, Leitores Tácticos, Leitores Inimigos, Leitores Bajuladores, Leitores Raivosos, Leitores Traidores, Leitores na Patagónia, Leitores de Berlim, Leitores Insuportáveis, Leitores Sentados no Trono, Leitores que Mexem com os Lábios, Leitores de Cuecas, Leitores Professores, Leitores de Faculdade, Leitores com Verrugas no Nariz, Leitores em Tese, Leitoras com Bâton cor de Abacate e Leitoras a dez mil metros Acima de Nós.

Ponto de ordem