quarta-feira, 21 de abril de 2010

Qd é k a idd da gavt veio a dar nst lg ñ dá...

Um terço dos adolescentes americanos envia 100 sms por dia, é o titulo de um estudo hoje divulgado no Ionline. Segundo a sondagem, 87% dos inquiridos declaram que chegam mesmo a dormir com o telemóvel, "ou perto dele". As raparigas recebem diariamente 80 sms e os rapazes "somente" 30. Palavras para quê? Começo agora a perceber melhor as razões para o debatido episódio da escola portuense, há dois anos, onde uma aluna disputou o seu telemóvel com uma professora em modo wrestling.

Feliz Natal, Mr. Garrido



Eis mais alguns episódios da saga "Apito Dourado". Desta vez, as escutas dizem respeito a conversas entre Valentim Loureiro e António Garrido, e entre Pinto da Costa, Pinto de Sousa e Gilberto Madaíl. Realce para a segunda, onde o especialista em fruticultura combina com Sousa a nomeação do árbitro da meia-final da Taça, em 2004. "Tem que ser um internacional, pode ser o Bruno", afirma o primeiro. "Fez uma arbitragem espectacular no Restelo, na semana passada", acrescenta mais à frente. Claro que continuam a existir umas alminhas devotas extremamente preocupadas com a validade ou a divulgação das escutas. Há gente para tudo. Mesmo para negar o que têm à frente dos olhos. Exactamente por isso, a divulgação destes momentos sicilianos tem um valor incalculável: para os cépticos, nada como ouvir para crer; para os que já não acreditam no Pai Natal, são simplesmente novas variações sobre o mesmíssimo tema.

Apenas as palavras

Apenas as palavras quebram o silêncio, todos os outros sons cessaram. Se eu estivesse silencioso, não ouviria nada. Mas se eu me mantivesse silencioso, os outros sons recomeçariam, aqueles a que as palavras me tornaram surdo, ou que realmente cessaram. Mas estou silencioso, por vezes acontece, não, nunca, nem um segundo. Também choro sem interrupção. É um fluxo incessante de palavras e lágrimas. Sem pausa para reflexão. Mas falo mais baixo, cada ano um pouco mais baixo. Talvez. Também mais lentamente, cada ano um pouco mais lentamente. Talvez. É-me difícil avaliar. Se assim fosse, as pausas seriam mais longas, entre as palavras, as frases, as sílabas, as lágrimas, confundo-as, palavras e lágrimas, as minhas palavras são as minhas lágrimas, os meus olhos a minha boca. E eu deveria ouvir, em cada pequena pausa, se é o silêncio que eu digo quando digo que apenas as palavras o quebram. Mas nada disso, não é assim que acontece, é sempre o mesmo murmúrio, fluindo ininterruptamente, como uma única palavra infindável e, por isso, sem significado, porque é o fim que confere o significado às palavras.

Samuel Beckett, in 'Textos para Nada'

terça-feira, 20 de abril de 2010

Eyjafjallajokull

Antes

Depois

Será que este vulcão islandês, que projectou a sua cólera sobre o mundo desde 14 de Abril, poderia ter outro nome? Podia, mas não era tão cómico para um não indígena tentar pronunciá-lo. Será que poderia ter sido um bocadinho mais discreto? É claro que podia. Mas já que enveredamos pelas comparações, basta ficarmos pela maior catástrofe vulcânica de que há memória: o Krakatoa, em Agosto de 1883, numa ilhota indonésia entre Java e Sumatra, que a violência inimaginável da explosão praticamente fez desaparecer. A última erupção foi ouvida na Turquia e no Hawai e rebentou os tímpanos a quem se encontrava num redor de 15 Km. O manto de cinzas e poeira expelidas pelo colosso cobriram o globo durante cerca de ano e meio, provocando alterações climáticas e no ciclo solar. Os efeitos projectaram-se na própria arte, uma vez que, dizem os entendidos, o estranho céu do celebérrimo "Grito", de Munch, foi o mesmo que o artista pode observar nos céus da Noruega, um ano depois da erupção. O efeito do tsunami, com ondas de quase 40 metros, foi sentido inclusive no Canal da Mancha. Como vêm, mesmo num vulcão a discrição é relativa. Por último, não podia o Eyj...... ter uma sonoridade mais doce, mais apropriada a uma espécie de justiça divina, luminosa? Podia, sim senhor! E não seria tudo diferente, se agora falássemos do Vesúvio, do Etna, de Stromboli?... Espera aí!!!... Stromboli? Sim, a "terra di Dio", essa, filmada por Rosselini em 1949. E convenientemente habitada por um anjo, Ingrid Bergman... Ou seja, para bem da eternidade.

Florial

(de 20 de Abril a 19 de Maio)

Momentos Zen - 58

O Caminho tem duas regras: começar e continuar


Ver anterior

Resíduos não sólidos


Que eu saiba, ainda não se fabrica papel higiénico com a efígie do notabilíssimo Engenheiro Pinto de Sousa. O tal que se tornou um problema de saneamento básico para a República Portuguesa. Ou, noutra gama, com reproduções das inúmeras casas projectadas pela sumidade aqui pela Guarda, numa interpretação minimalista e orgânica do movimento Bauhaus. Uma evidência de como a clonagem de um engenheiro técnico, a partir de um deputado em exclusividade de funções, foi um êxito científico. Seja como for, quer a simples existência no mercado, quer a mais que provável adesão dos consumidores a estes produtos, evidenciariam um bom gosto extremo por parte dos portugueses. Para além, naturalmente, da satisfação de dar o seu a seu dono. Enquanto esperamos por estes artigos trendy, fiquemos com o conhecimento da existência do gadget documentado na imagem. Trata-se, como já suspeitaram, de papel higiénico fluorescente. Disponível em várias cores. O mesmo que porá fim ao pânico dos fusíveis que vão abaixo no momento "X", ou do engraçadinho que, na hora errada, carregou no interruptor do lado de fora no instante "Y", ou até mesmo do rolinho que não se vislumbra, à primeira vista, na escuridão do armário, no tempo "K". Tudo isso acabou, meus caros amigos e amigas. Passem por aqui e saibam como.