2. Os eleitores do Estado do Maine, nos EUA, acabam de chumbar uma proposta legislativa que permitiria o casamento entre pessoas do mesmo género. Tornando-se assim o 31º onde propostas semelhantes foram rejeitadas por consulta popular. Recorde-se, ainda assim, que este Estado é conhecido pelas suas tradições liberais. E que agora revelou um grande bom senso, apesar de uma forte campanha dos lobbies do "sim". Eis uma demonstração simples e clara de soberania popular. Que os nossos esquerdistas iluminados têm enorme dificuldade em aceitar. No entanto, sabe-se que o casamento homossexual está entre as prioridades deste Governo. Apesar de termos sido ultrapassados pela Eslováquia no ranking da UE, da corrupção galopante e de o desemprego aumentar assustadoramente. Portanto, adivinha-se uma votação à socapa na AR, com os deputados da esquerda de polegar para cima e muitos comunistas, ao arrepio da viril tradição estalinista, sentindo que estão a engolir um sapo vivo. Para satisfação da restauração dedicada ao segmento "festas, casamentos e baptizados". Mesmo assim, para mim o assunto tem um interesse limitado. Seria muito mais interessante discutir o casamento poligâmico (o que faz todo o sentido num país com um território em grande parte islamizado durante 400 anos e que resolveria a célebre equação binária do cantor Marco Paulo), ou a produção, venda e consumo de drogas leves, sem restrições. Neste caso último caso, prometo que estaria na linha da frente.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Soltas
2. Os eleitores do Estado do Maine, nos EUA, acabam de chumbar uma proposta legislativa que permitiria o casamento entre pessoas do mesmo género. Tornando-se assim o 31º onde propostas semelhantes foram rejeitadas por consulta popular. Recorde-se, ainda assim, que este Estado é conhecido pelas suas tradições liberais. E que agora revelou um grande bom senso, apesar de uma forte campanha dos lobbies do "sim". Eis uma demonstração simples e clara de soberania popular. Que os nossos esquerdistas iluminados têm enorme dificuldade em aceitar. No entanto, sabe-se que o casamento homossexual está entre as prioridades deste Governo. Apesar de termos sido ultrapassados pela Eslováquia no ranking da UE, da corrupção galopante e de o desemprego aumentar assustadoramente. Portanto, adivinha-se uma votação à socapa na AR, com os deputados da esquerda de polegar para cima e muitos comunistas, ao arrepio da viril tradição estalinista, sentindo que estão a engolir um sapo vivo. Para satisfação da restauração dedicada ao segmento "festas, casamentos e baptizados". Mesmo assim, para mim o assunto tem um interesse limitado. Seria muito mais interessante discutir o casamento poligâmico (o que faz todo o sentido num país com um território em grande parte islamizado durante 400 anos e que resolveria a célebre equação binária do cantor Marco Paulo), ou a produção, venda e consumo de drogas leves, sem restrições. Neste caso último caso, prometo que estaria na linha da frente.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
O Tambor
O mundo ia ficar perigoso. E ficou. Obrigado Adriano Moreira por teres sobrevivido a Revolução. Guido Westerwelle é homossexual. Não te agradeço por seres Ministro, nem da Alemanha, nem de lado nenhum. O povo irlandês votou não a uma União Europeia assustadora. E depois votou a favor. Já não sou irlandês. A república checa votou uma União Europeia assustadora. Apenas salvaguardando não ter que pagar aos alemães que foram expulsos. Obama conseguiu sobreviver à crise económica mas o Serviço Nacional de Saúde não passa. Vá lá. Conseguimos ter um Presidente negro no país mais poderoso da terra. Só isso. Não chegámos a acordo sobre o Clima, em Copenhaga. Não faz mal, os velhos feiticeiros continuarão a mandar chover e nós teremos que tremer de cada vez que embarcarmos num avião porque teremos que ganhar o pão muito longe. O Saramago chama «filho da p…» a Deus, o Deus que alguns doentes terminais invocam para minorar a dor, o mesmo Deus que outros invocam para sonharem pela quinquagésima vez que poderão ser felizes ou, ao menos, ter alguma paz. E uma sala acolheu-o em pé, sonhando o seu sonho pérfido de que, se ele não pode ser Presidente da República, pode partir o palco antes de sair. A Dra. Laura Santos, ilustre sabichona, diz-nos que a «Vida é biográfica», já não é biológica. Na Suíça, o Governo federal vai parar com o Turismo da Morte assistida que organiza viagens só de ida para 400 indivíduos por ano, ao país. Um pedófilo pede para que lhe removam os testículos num hospital. Sim. A vida nunca foi biológica. Tivemos que a defender de armas na mão. Tivemos que ser estudantes de teologia nas montanhas, arrancar balas a frio, ser psiquiatras de nós próprios porque, como diz um ditado do deserto: «os loucos viram o dedo de Deus».
Que restará deste mundo organizado em que as pessoas inventam a lenda do «Big Brother» e a executam como as crianças seguindo a flauta de Hamelin? Que restará deste Mundo, onde o Apocalipse dizia que «ninguém poderá vender nem comprar sem ter o número da besta inscrito na testa» e nós temos números impressos em todas as partes do corpo? A nossa sorte é tão irrisória como os milhões de anos inscritos nos esqueletos dos dinossauros que passearam por oceanos verdeazuis como imperadores sem lei.
Mas sigamos para as colinas. Nem que as colinas sejam os altos e baixos das nossas triplas personalidades, entre os ataques de febre das gripes que crescem nos matadouros, onde os bois gritam de terror, sem testemunhas, de madrugada, onde as porcas mordem a cerca com cio, antes de serem inseminadas artificialmente, sem calor, nem amor. Vamos para as colinas. Como Viriato, o sem-nome, o traído, como os bandidos dos pântanos da China medieval.
Uma Nação não é um Povo, nem um território. Uma Nação não é um Império, nem um Mar. Uma Nação é a floresta obscura do último reduto, onde o meu medo e o teu têm o direito de existir. Quem diria que a Coragem é o nome de baptismo do Medo?!
O Medo é o menino-tambor. Onde há coragem nas fileiras, sem o tambor?
André
Camellia sinensis (4)
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O "novo" Público

Resíduos não sólidos
Tanta indignação contra Saramago e tanta invectiva e desabafo acabam, como pedem as regras do mercado, por atrair clientes. Ora, tenho a certeza absoluta que nove em dez daqueles que compraram o Evangelho segundo Jesus Cristo o não leram e aqueles restantes que o fizeram não compreenderam coisa alguma. A obra é ilegível e deixa de ter piada a partir da segunda página, pois da abolição das regras de pontuação nascem o caos intelectivo, enunciativo e dialógico, que juntos, permitem a fruição de um texto, literário ou não. Mutatis mutandis, escrevam uma receita culinária sem virgulas, pontos finais e parágrafos e provocarão grandes indisposições que terminarão numa consulta de gastroenterologia. Assim é a obra de Saramago, sem tirar. (...) (que) vai voltar a escrever sobre o tema. Está a queimar inutilmente os últimos dias da sua passagem por esta vida escrevendo coisas votadas ao esquecimento. É uma pena, pois se o Memorial tinha o seu quê de curioso e o Levantados do Chão ecoava o que de humano havia no Neorealejo, estas coisas são, como o foram os panfletos de Oitocentos, mero lixo doméstico.
