Mostrar mensagens com a etiqueta chá. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta chá. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Camellia sinensis (4)

Estranha-se, à primeira vista. Todavia, trata-se simplesmente da minha mais recente descoberta no mundo do chá: um vulgar tipo verde compactado, em forma de noz, ornamentado com uma flor de amaranto. Não é o célebre "gunpowder", nem é tão forte, nem tão pequeno, só a densidade é semelhante. Para além de que este é prensado, em vez de enrolado. Pois bem, um minuto após se colocar cada bola em água quente, adquire a configuração da imagem...Neste caso, vale mais pelo efeito do que pelo sabor...

Ver anterior

sábado, 27 de dezembro de 2008

Camellia sinensis (3)

O reino dos chás tem uma deliciosa particularidade: à medida que o percorro maior é o espanto e a vastidão da minha ignorância sobre ele. Tantas são as possibilidades e os encontros. Mas hoje não poderia deixar de falar-vos de três descobertas recentes. Que fizeram as delícias deste Natal:
1º Um magnífico darjeeling de segunda colheita da Wittard, que descobri numa das suas lojas em Londres, na célebre Carnaby Street. O "champanhe" dos chás, aqui bem à altura dos seus pergaminhos.
2º Um chá verde chinês aromatizado com jasmim, em boa hora recomendado no estabelecimento "Leão Real", na Guarda. Cujo atendimento personalizado e inexcedível faz a diferença na cidade.
3º Uma surpreendente mistura aromatizada de chás pretos, da "Kusmi", de origem russa. Chama-se "Prince Vladimir". A presença da bergamota, do limão, da baunilha, da canela e do cravinho dão-lhe um paladar único e inesquecível.

Ver anterior

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Camellia sinensis (2)

Eis a parte nobre, o crème de la crème, digamos assim, do cardápio de chás deste vosso criado. O qual gostaria de apresentar aos leitores. Através de uma espécie de visita guiada, tão breve e sugestiva quanto possível. A acompanhar, nada melhor do que a degustação de uma chávena de Houjicha japonês, um tradicional chá verde torrado, muito suave. E enquanto a água vai aquecendo e, depois, arrefecendo até aos 85º, vou apresentando algumas das jóias da coroa: um sensacional Lapsang Souchong chinês, chá preto fumado com sabor a madeira perfumada; um Chá dos Beduínos egípcio, bebida aromatizada com menta e que bem podia ser o tal do deserto; um chá vermelho Pu-Ehr, muito utilizado na medicina chinesa como "comedor" de gorduras, antioxidante e anti infeccioso; um Oolong da Formosa, a partir de folhas semi-fermentadas, i.e., com um teor de teína entre o verde e o preto, não muito conhecido no Ocidente mas muito popular na China e extremo oriente; uma infusão de erva mate brasileira, conhecida pelas suas propriedades energéticas; um Black Chai e uma infusão de alcaçuz egípcia, que combinam várias especiarias como o gengibre, a canela, o cravinho, a pimenta e o cardomomo, no primeiro caso com chá preto do Ceilão e rooibos (vermelho) da Africa do Sul; o Gunpowder Zhu Cha, em folhas de chá verde enroladas em pequenas bolas, utilizado na preparação do chá de menta; por último, o inconfundível Matcha Uji, uma bebida tradicional japonesa preparada a partir de pó solúvel de chá verde Gyokuro, que lhe confere um característico tom esverdeado, a "espuma do jade líquido", como era cantado pelos poetas. Existe um ritual específico na sua preparação, de que fala Kakuzo Okakura, em "O Livro do Chá". Brevemente aqui desenvolverei o tema. E já está pronto. Sirvam-se!

Ver anterior

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Camellia sinensis (1)

"Bebe-se chá para esquecer o bulício do mundo", dizia há muitos séculos o poeta chinês T'ien Yi-Heng. Uma lenda bem conhecida diz-nos que o chá foi descoberto por mero acaso. Por volta do ano 3000 A.C., quando o mítico Imperador chinês Shen Nong se encontrava na floresta fervendo água para beber, algumas folhas de camellia sinensis cairam no pote. O inexcedível aroma produzido imediatamente cativou o imperador, pois bastou um gole para lhe ser revelado o "segredo do chá". Numa versão mais alargada da história, já antes Shen Nong experimentava com frequência provar infusões de ervas para identificar as que tivessem valor medicinal. Várias vezes ficou intoxicado. Mas eis que finalmente descobriu uma planta que ajudava a eliminar as toxinas do seu organismo: essa planta, veio-se a saber, era o chá. Que se tornou, desde então, parte integrante da medicina popular chinesa. Mais tarde, a preparação e o consumo do chá foram associados a um complexo ritual em todo o Oriente, especialmente no Japão. Por outro lado, a "espuma do jade líquido", como era cantado pelos poetas chineses da dinastia do Sul, foi objecto de um Chaking (ou Sagrada Escritura do Chá), obra do século VIII, onde Lu Yu, filósofo da época Tang, compila uma espécie de Código do Chá. Kakuzo Okakura, em "O Livro do Chá", obra que já aqui mencionei, faz-lhe uma abundante referência. Introduzido na Europa no séc. XVII, foi tema, logo em 1685, de um Tratado, da autoria de Philippe Dufour.
O chá é uma das minhas predilecções recentes. Um saber empírico com um sabor teórico, que se completam numa curiosidade e exigência crescentes.