terça-feira, 9 de outubro de 2007

Sobre a coragem

Anna Politkovskaya foi assassinada à porta de sua casa em Moscovo. Exactamente há um ano. Já aqui tinha deixado a minha profunda indignação por este acto hediondo. A qual decerto não deixará de estar presente em todos os que acreditam nos valores em que ela acreditava. De entre a sua obra, escolhi "A Rússia de Putin", (edição Pedra na Lua, 2007, trad. António Costa Santos), o seu último livro. Trata-se de um conjunto de peças jornalísticas cujo pano de fundo é o défice democrático e a cleptocracia que se instalaram na Rússia. Começa por relatar vários casos ocorridos no Exército em que os responsáveis ficam invariavelmente impunes. Graças à dependência das instâncias judiciais em relação ao poder político. Com excepção do respeitante ao Coronel Budanov, acusado de ter espancado um oficial subalterno e assassinado uma civil tchetchena. Depois de uma série de expedientes, incluindo relatórios psiquiátricoa forjados pelos mesmos que atiravam os dissidentes na era soviética para o degredo, o caso foi finalmente julgado. Com o resultado esperado pelos "patriotas". No entanto, a pressão do governo alemão determinou que o Supremo tribunal Militar anulasse o julgamento. Repostas as garantias básicas da acusação, Budanov foi finalmente condenado a 10 anos de degredo num campo prisional. A jornalista conta-nos também as profundas transformações que sofreu o país desde a perestroika. Através das histórias cruzadas e em primeira mão de quatro pessoas. As quais sinalizam a história recente da Rússia: Tanya, uma ex-engenheira que singrou no comércio que só graças a uma infinidade de subornos consegue manter a actividade; Misha, um tradutor e intérprete qualificado, despedido, que caiu no alcoolismo e se voltou para a Igreja, acabando por suicidar-se; Lena, sua mulher; Rinat, um antigo combatente operacional dos serviços especiais da era soviética, vítima da intriga de um oficial de secretaria, burocratas que naturalmente singraramm na era Putin. Fala-nos também da história tenebrosa da nova máfia dos Urais. Em especial do seu líder, Pashka Fedulev, que graças a uma rede de apoios e subornos na Administração se tornou um intocável. Realce para o seu antigo capanga, Nikolai Ovchinnikov, o qual foi designado por Putin para vice-ministro do Interior e chefe do GUBOP, a Agência Central de Combate ao... Crime Organizado.

1.Sobre a obra, veja-se também este comentário.
2. A recente
recusa de uma editora russa em publicar um livro de Kasparov não augura nada de bom.

A arte do romance - 1

Esta semana fui a um jornal local com a finalidade de por um anúncio: “Homem só busca romance consigo mesmo”. Não deixei número, nem direcção, nem email. Esta iniciativa faz parte de uma série de acontecimentos simbólicos que vou empreender para demonstrar a mim próprio o interesse que tenho pela minha vida. Geralmente, delegamos a responsabilidade de brindarmos afecto a outras pessoas e enfadamo-nos quando não obtemos o que desejamos. E ainda que pareça pretensioso, quis dar-me isso que ninguém me pode outorgar. Porém, ignoro o que é que desejo realmente de mim para mim. Considero pois esta acção um bom começo para este romance. Significa muito saber que me busco de forma autêntica. Quem sabe o que se irá passar quando me encontre. Parece absurdo, mas talvez seja esta uma das inúmeras maneiras de tolerar o isolamento no mundo contemporâneo. O mais provável é que esteja a exagerar, como sempre. Qual será a seguinte cena: um encontro às cegas, flores no trabalho, chocolates, cinema, sexo…? Tudo é possível...

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Stalker

Praia de Quiaios

domingo, 7 de outubro de 2007

Resumindo

Os livros são maus, dizem, e repetem-se numa sucessão infindável de acontecimentos que se repetem. São sempre os mesmos, contam sempre a mesma história. Sonho um sonho de os ler todos, um a um, cronologicamente, tirar referências e encontrar um fio, ténue seja, que os una. Não, para isso não preciso de os ler todos, tentar encontrar uma lógica, não isso também não, lê-los todos só porque me apetece, sim, porque aqui tudo se repete numa sucessão infindável de acontecimentos que se repetem. E o sonho não é mais do que ser apenas uma personagem.

Momentos Zen - 23

Movimento e quietude, solidificação e fluidez, extensão e contracção,unificação e divisão


Ver anterior

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

É hoje!


Free Burma!

Lido

"Como explicou a 12 de Julho, no seu blogue, Menezes atribuiu-se a si próprio a missão de "salvar" este Estado Social, exterminando em Portugal a heresia do "capitalismo selvagem". (...) Não há aqui novidade. Há mais de dez anos que Menezes recenseou os seus inimigos: "sulistas, elitistas e liberais". Nesta lista negra cabe muita gente. (...) inclui os que aspiram a mais do que à mediocridade, ou preferem outro modelo social, assente na iniciativa e responsabilidade dos cidadãos. Se Menezes quisesse criar uma alternativa ao actual Governo precisaria deles. Porque é nas suas aspirações e ideias que estão as melhores razões para uma oposição que pretendesse ser mais do que a mera exploração oportunista e demagógica dos cortes impostos pela viabilização do Estado Social. Menezes julga que confusão com a esquerda o levará longe. Talvez não leve. Vai permitir ao governo, por comparação, fazer figura de esclarecido e respeitável. E se Sócrates fechar menos maternidades nos próximos anos, Menezes arrisca-se a ficar sem assunto, a não ser a guerra doméstica do partido."

Rui Ramos, no "Público" de ontem