terça-feira, 31 de julho de 2007

Preces atendidas - 13

Ashley Judd

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sábado, 21 de julho de 2007

O relativismo

No último número da revista "Atlântico", publicação de que este blogue é fã incondicional, destaque para um trabalho de Carlos do Carmo Carapinha, intitulado "A Esquerda Superior". Uma análise demolidora sobre a arrogância moral da esquerda, protagonizada pelas suas patrulhas bem pensantes. É um tema já várias vezes aqui abordado: o inacreditável desplante com que a esquerda se escuda numa superioridade moral que a si própria atribuiu. Uma falácia pejada de esqueletos no armário e que a História aos poucos vai desenterrando. Afinal, o único diapasão ético passa pelo crivo de Kant: a possibilidade de determinada conduta poder ou não ser universalizada. Agora, como desde sempre, é a ânsia de poder como um fim em si e o uso que dele se faz o que realmente marca a diferença. Neste ponto, remeto para "Falsos Ídolos", de Arno Gruen. Retomando o fio à meada, diz a certa altura o autor do artigo:
A esquerda "superior" tem uma cartilha, recheada de paradigmas, proposições e deduções, que explica "tudo". E o tudo é invariavelmente isto: o predomínio do mal só pode ser sinónimo de inconsciência e/ou de não autonomia moral. A intrínseca propensão para o "mal" e para a falibilidade não a comove. Dito de outra forma, o "mal" só existe porque existem vítimas que, deixadas sem alternativa, perpetram o "mal"por via de um qualquer "mau sistema" - político, claro - que as corrompeu e conduziu ao ressentimento e ao desespero. O facto da consciência moral é, então, filho único: trata-se exclusivamente da "condição social" do indivíduo. A esquerda "superior" alcança tudo. Só ela consegue ver que, por dertás de um canalha, há sempre uma vítima: o próprio canalha. A esquerda "superior" é sempre expedita e sapiente a compreender as razões do canalha, mas desvaloriza ou desatende as razões por detrás do receio ou do preconceito das verdadeiras vítimas, ou dos que receiam ser a próxima vítima.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

O Judas

Nunca gostei da peça. A recente nomeação, por baixo da porta, para gerir a requalificação do porto de Lisboa, generosamente paga com a presença na candidatura de Costa, só veio lembrar-me porquê. Como advogado, é o que se sabe: defende descaradamente que o Estado deve ser cliente "natural" das grandes sociedades de advogados, como aquela de que é sócio, by the way. Enquanto Bastonário, beneficiou claramente o tipo de advocacia "socialite". Mas deixemos essas minudências. Como figura pública, é um dos ornamentos mais caricatos do regime. Escreve artigos nos jornais que mais parecem case studies de retórica sofista. O Homem não diz nada de novo, como um aluno aplicado de La Palisse. Mas as palavras enchem, enchem, enlevam, descrevem trajectos fantásticos para voltarem ao mesmo lugar. Tresandam à velha burguesia recauchutada com as prebendas do regime. São palavras que se libertaram impunemente da Verdade. Que não se tomam verdadeiramente a sério, porque não podem. Se o fizessem, seriam pura brincadeira, uma brincadeira de mau gosto. Palavras que exudam arrogância por todos os poros, uma insuportável arrogância classista. Que sugerem erudição, mas pouco mais carregam do que chico-espertismo sofisticado. Palavras que transportam consigo o sibilino canto da corrupção moral e uma ânsia desmesurada de protagonismo, bem próprias do orgiasta acaciano que, no fundo, ele é. O resto, já se sabe. Onde cheirar a influência, lá está o homem.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Não viram nada e passem à frente

Ups! Mais abaixo, s.f.f....

Momentos Zen - 14

Ter para não ter
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O andarilho

Vítor Silva Tavares acaba de fazer 70 anos de uma vida cheia e incansável. A editora & etc, que fundou e manteve, está quase a chegar aos 35. A propósito, gostaria de dizer o seguinte: os homens e as mulheres realmente livres - cada vez menos - são os únicos fachos a ter em conta, neste lamaçal do hedonismo triunfante. Onde, se não estivermos atentos, a vidinha nos vai consumindo. Especialmente num país como o nosso, onde a mediocridade triunfa em grande escala. E onde um frenesi pindérico vai tapando os remendos e o medo da liberdade.O editor, escritor e tradutor foi na ocasião entrevistado por Alexandra Lucas Coelho, para o jornal "Público". É claro que, ideologicamente, raramente as suas posições coincidem com as minhas. Mas não é isso o que verdadeiramente aqui interessa. É o sabor partilhado da vida como uma calorosa e irredutível aventura. O documento pode ser lido aqui na íntegra.