sexta-feira, 5 de março de 2010

Mãos limpas (4)

Depois deste autêntico script para mais um cult movie de Tarantino...

Chegou a vez de Mercúrio fazer jus ao seu nome, levando a mensagem na hora certa ao "chefe" Júpiter e seus apaniguados. Para quando um pedido de resignação em cima da mesa?

O périplo brandeburguês (1)

Eis algumas das imagens recolhidas durante a recente e infelizmente curta estadia em terras berlinenses. Trata-se de registos avessos ao mainstream, frutos do momento, e onde se valoriza o particular e as circunstâncias subjectivas.


Numa loja perto de Alexanderplatz, uma zona hoje irreconhecível depois da reunificação.

Restos do Muro , entre o Reichstag (edifício do Parlamento) e a Hauptbahnhof, a nova plataforma central de transportes.

Publicidade artesanal no bairro de Kreuzberg, o "quartier latin" do sudeste de Berlim.

Um momento de nostalgia blogosférica, na Unter den Linden

Figura do telhado do Pavilhão chinês, nos Jardins do Palácio de Sanssouci, em Potsdam.

Cartaz publicitário

O périplo brandeburguês (2)

Evocação de Alfred Döblin

Mais uma lembrança do Muro, junto à Potsdamer Platz. Uma área onde a "ferida" causada pela divisão da cidade era mais visível, num golpe de mágica, transformou-se num dos símbolos da reconversão urbanística de Berlim, maxime o complexo da praça Sony.

As marcas da II Guerra, visíveis num edifício do centro de Potsdam

Num restaurante da zona de Prenzlauer Berg, o novo bairro da movida berlinense.

Pavilhão holandês do parque de Sanssouci (Potsdam), ao lado do palácio com o mesmo nome, residência de Verão de Frederico o Grande e onde Voltaire pontuou durante 3 anos na tertúlia animada pelo monarca.

Memorial das vítimas do Holocausto, junto a Wilhelmstrasse, quarteirão onde outrora funcionou o centro do poder nazi.

Low tech

Aquele amanhecer foi mesmo penoso. De bom, só havia a reconfortante vaga canora dos pássaros. O ruído de fundo da eternidade. Podia ser. Essa de que o tempo é a imagem móvel. Poesia pura, o melhor de Platão. Mas pronto, devia andar sempre com um bloco de notas directamente ligado às impressões sem data. Ao fulgor de certas paisagens que nunca existiram, porque demasiado reais. Todavia, estão ali, com uma luz impossível, ao alcance de uma lágrima, de uma pequena obscuridade lançada pelo desejo. Mas acontece que essa rudimentar tecnologia poética só aparece na medida em que nada se espere dela, pois nada garante. A não ser, talvez, o sobressalto de não saber o que se pode deixar para trás.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Stalker

Arte poética

Mirar el río hecho de tiempo y agua
y recordar que el tiempo es otro río,
saber que nos perdemos como el río
y que los rostros pasan como el agua.

Sentir que la vigilia es otro sueño
que sueña no soñar y que la muerte
que teme nuestra carne es esa muerte
de cada noche , que se llama sueño.

Ver en el día o en el año un símbolo
de los días del hombre y de sus años,
convertir el ultraje de los años
en una música, un rumor, y un símbolo,

ver en la muerte el sueño, en el ocaso
un triste oro, tal es la poesía
que es inmortal y pobre. La poesía
vuelve como la aurora y el ocaso.

A veces en las tardes una cara
nos mira desde el fondo de un espejo;
el arte debe ser como ese espejo
que nos revela nuestra propia cara.

También es como el río interminable
que pasa y queda y es cristal de un mismo
Heráclito inconstante, que es el mismo
y es otro, como el río interminable.

Joerge Luis Borges

O gira-discos recuperado do gajo


Reabilitado com pompa q.b. e na circunstância inaugurado com "Tutu", de Miles Davis.