segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Geórgia em chamas


Os tiros continuam a ouvir-se no Cáucaso. A Rússia entrou a matar e não admite que a Geórgia toque nos "seus" enclaves da Ossétia do Sul e da Abcásia. Não obstante pertencerem à Geórgia, o facto da população russa estar em maioria dá poderes acrescidos a Moscovo. Durante anos, Putin tem engolido em seco o facto do alargamento da NATO estar a aproximar-se das suas fronteiras. A Geórgia deu-lhe uma oportunidade de ouro: ajustar contas. Agora a Rússia marca a sua posição e trava a "ofensiva ocidental". Putin está não só a saldar contas com o Ocidente mas também a exigir cautela às "ovelhas negras" que mudaram de campo. A Geórgia está na berlinda e vai ser moeda de troca. A União Europeia apenas tem a diplomacia. A Rússia tem tanques no terreno e em actividade. De acordo com os últimos desenvolvimentos, as tropas russas já entraram em território da Georgia e ocuparam a cidade de Senaki. Entre os apelos da União Europeia e as ameaças dos Estados Unidos, a Rússia conquista posições. Quando os protestos internacionais tomarem uma dimensão global, aí a pressão abranda mas Moscovo vai impor condições. No meio disto tudo, vem à memória a questão chechena. O que a Rússia aí fez é indescritível. O que a Rússia pode fazer na Geórgia é melhor nem pensar.

Nota: sobre o assunto, recomendo a leitura de "O Urso Ferido", por Bruno Alves.

domingo, 10 de agosto de 2008

Preces atendidas - 28

Francesca Neri

Ver anterior

Wordle

O Wordle é uma aplicação gráfica da web 2.o destinada à criação de nuvens de palavras. É muito simples de utilizar. Basta inserir um texto à escolha e configurar o layout, fonte e cor. Basicamente, funciona como as ferramentas que produzem nuvens de tags: a proeminência é dada às palavras que mais vezes se repetirem. Fui experimentar. Copiei e colei a listagem das etiquetas utilizadas neste blogue. O resultado - surpreendente - é o que se poderá visualizar a seguir:


(clicar para ampliar)

Leituras

David Lodge, escritor inglês, (Londres, 1935) é hoje em dia um autor consagrado em todo o mundo. Com mais de uma dezena de livros escritos, cria em "Terapia" (ed. Gradiva, 1995) uma história que tem tanto de original, filosófico, ou satírico, como de hilariante, sendo por muitos considerado como o seu melhor título. O personagem principal é escritor de guiões. Depois de vários falhanços como actor, acaba, um pouco por acaso, por entrar no mundo da televisão ao escrever um guião para uma sitcom, "Os vizinhos do lado". Baseada na sua própria família e na da sua mulher, depressa a série alcança um enorme sucesso, levando-o a juntar uma considerável fortuna que lhe permite viver folgadamente. No início do livro, já ele, de seu nome Laurence Passmore, conhecido no meio televisivo por "bolinha" Passmore, está bem na vida. Mas as suas preocupações/obsessões andam a afligi-lo de uma forma impiedosa, levando-o à depressão. As mesmas que vamos acompanhando em jeito de diário escrito por ele próprio. Trata-se de uma obra onde David Lodge, através de um humor corrosivo, aflora de uma forma atenta e satírica a vida de um homem que, de repente, se apercebe que está a entrar na velhice. De uma sociedade e das relações humanas onde o sexo assume um papel catalisador nessas relações, visto e sentido como um escape para "tapar" certos "buracos" que a vida acaba por fazer. Longe de ser uma obra prima, este romance lê-se muito bem, dada a "ligeireza" do tema, a fluidez linguística e a forma directa como os assuntos são abordados. Mas onde não falta o humor, como convém.
"jogo com outros três inválidos de meia idade: o Joe, que tem problemas graves na coluna, anda sempre com um colete e mal consegue servir; o Rupert, que teve um grande acidente de carro há uns anos e coxeia de ambas as pernas, se é que é possível, e o Humphrey, que tem artrite nos pés e uma articulação da anca de plástico. Exploramos as dificuldades uns dos outros de forma impiedosa. Por exemplo, se o Joe lança a bola para mim junto à rede, atiro-a alto, porque seu que ele não consegue levantar a raqueta acima da cabeça e, se eu estou a defender junto à linha de fundo, ele troca constantemente a direcção da bola de um lado para o outro, porque sabe que não consigo deslocar-me rapidamente por causa da liga (no joelho). Ver-nos jogar é de chorar, quer por pena, quer a rir."
(Passmore, no apogeu do seu Síndroma da Disfunção do Joelho, vai realizar a partida semanal de ténis com três amigos seus, também nada famosos fisicamente).

sábado, 9 de agosto de 2008

Lagoa dos Cântaros

Aqui ficam dois filmes gravados ontem , durante o percurso aqui assinalado.



As vacanças

Não suporto o mês de Agosto. O papa Gregório esqueceu-se de o abolir, quando reformou o calendário. Para mim, este mês cálido, onde a vidinha triunfa em toda a linha, compele-me a ir precisamente ao gregório. Qualquer idiota vai de férias. Muitos blogues fecham para férias, quando aí é que deviam abrir. Mas podiam ir e pronto! Sem anúncios à freguesia. Mas fazem questão de dizer: "Olhem, seus invejosos, vou para aquele sítio que eu sei que sempre se lamberam por lá ir. Mas só eu é que lá vou, perceberam? Olhem para mim a mijar na árvore. Estão a ver? Experimentem cheirar e tenham coragem de mijar em cima!" "Penitenciem-se, seus falhados!" Há também os telegráficos. Dizem que vão, mas devido a uma necessidade qualquer de terem de se justificar, não dizem para onde. Só dizem que vão, metem um papel na porta, com uma nota de rodapé, "fechado para férias", ou "vou bazar, porque não? e nem sequer vos digo para onde, seus cuscos!" Aposto que, nesse segmento, vão quase sempre acompanhados com quem já têm que partilhar as suas penosas vidas. Um erro crasso. De principiantes. Mas lá estou eu a tergiversar. Afinal, este mês é excelente para colocar uma série de questões em dia: arrumar a biblioteca, telefonar a amigos com quem não se fala há muito, caminhar muito, escrever compulsivamente, tentar responder a algumas questões existenciais, pôr a dor em dia, a esperança em dia, as cores e as formas antes da mente lá chegar, como fez Cezanne, chegar aos lugares intocados, irredutíveis, a partir de onde se constrói a felicidade, tropeçar nas cordas estendidas e que afinal não são para atravessar, ir a sítios naturais que me são gratos e a outros que quero descobrir, ler "O Homem sem Qualidades", de Musil, despertar os sentidos, todos sem excepção, numa praia deserta. E mais não digo. Férias? De quê?

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Trajectos

Dia luminoso com temperatura amena (26º-12º). Condições excelentes para fazer um percurso que já não tentava há oito anos. Pelas 15 horas peguei no calhambeque e fiz-me à estrada. Cerca de uma hora depois, estava no Covão da Ametade, um dos circos glaciários no cimo do vale glaciário do Zêzere, em plena Serra da Estrela. Um local mágico. Onde teve início o objectivo desta tarde:
- trilho covão d'ametade / lagoa dos cântaros
- 75 minutos em marcha rápida
- grau de dificuldade: médio.
O percurso está sinalizado à maneira dos pastores, com pedras sobrepostas e até meio também com sinais gráficos pintados nas rochas. A lagoa, uma das poucas na Serra de origem natural, tem a forma de um coração. É absolutamente necessário desfrutar o momento da chegada, depois do suor, dos arranhões e da canseira de uma subida interminável, por entre as fragas e as giestas. E só encontrar o eco do coaxar das rãs nas paredes do cântaro gordo, o sopro do vento e, se calhar, os badalos longínquos de algum rebanho no vale da Candeeira... E tudo parece tão longe! Aqui ficam algumas imagens.