sexta-feira, 8 de agosto de 2008

A criminalidade global

Os dois assaltantes à filial do BES em Lisboa eram brasileiros em situação ilegal. Pelos vistos, esta afirmação, puramente factual, já acicatou as brigadas do politicamente correcto. Que prontamente colocaram no index aquela evidência e a necessidade de combater a emigração ilegal. A reacção foi inusitada, por parte dos esquerdalhos do costume. Daniel Oliveira, o porta bandeira habitual deste segmento, chega a insinuar que a acção da polícia foi excessiva. Excessiva porquê? Deviam matar primeiro os reféns e depois convidar os assaltantes para beber uma caipirinha? Chamar o representante de uma associação de emigrantes para incentivar o "diálogo"? Usar munições de salva? Isso sim, é que era! Afinal, os assaltantes eram um pobres rapazes "explorados", que vieram melhorar a sua condição de vida, vítimas do SEF, vítimas de qualquer coisa, vítimas, vítimas, que andavam a fazer pela vida, lutando até contra a "sociedade capitalista", já que assaltavam um banco. Portanto, a polícia não tinha nada que intervir, já que se tratava de heróis da classe trabalhadora brasileiros. Ou seja, do internacionalismo proletário. E se fossem americanos? Aí, diria o inefável Oliveira, chamava-se logo a cavalaria. No mínimo.

Mais coleccionador

O coleccionador não pára. No seu vastíssimo entendimento, a morfologia e a sintaxe são uma e só coisa. Pois estar em relação a é o mesmo que integrar uma categoria. O coleccionador é o torrencial e compulsivo taxinomista da actividade cultural. O seu conhecimento abrange um pouco de tudo em geral e nada de nada em particular. O problema é que o coleccionador não consegue suster a sua diarreia informativa. Ele caga cultura como quem vai às compras. Só ele domina a terminologia musical, cinematográfica, literária, visual, informativa. Se alguém tem uma opinião diferente acerca dos seus ícones, aparece logo com ar professoral a corrigir os desvios ao gosto. Ao gosto dele, entenda-se. Só ele é que sabe, só ele é que pode ter opinião, só ele é que pode operar os conceitos onde se encerra e de onde exerce o seu magister dixit de paróquia. O coleccionador está condenado a ser o sampler de si próprio. Como não tem talento artístico, nem rasgo que se veja, se ouça, ou leia, é incapaz de rupturas. Mas lá se vai mantendo em circulação, como polícia conceptual, guarda nocturno do embuste, vigilante do império da imagem e da vacuidade, o seu alimento de mutante, de agiota da arte, de mestre escola sem alunos e sem cheiro.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

O bordel


Como se esperava, o Governo da República Portuguesa vai marcar presença na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim. Apesar do apelo do presidente do Parlamento Europeu. Apesar de alguns dirigentes dos principais Estados ocidentais não se terem associado ao evento. Isto é, à cerimónia inaugural, pois ela é o acto político por excelência dos Jogos. O Governo da República Portuguesa não podia estar melhor representado: o Ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira. O mesmo que também podia ser apresentador dos Jogos Sem Fronteiras, mas que optou pela solene inexistência. O Governo da República Portuguesa, se antes já tinha dado todos os sinais, acaba de se tornar cúmplice de um regime torcionário, cleptocrata, opressor, centralista e sanguinário. Acaba de se prostituir vergonhosamente e sem honra. O povo português foi traído por quem pactua com quem não reconhece o direito dos povos à liberdade, à democracia a à auto-determinação. Hoje é um dia negro para todos os que não abdicam desses valores supremos. Força, Tibete. Há mais marés do que marinheiros!

Juventude em marcha

(clicar para ampliar)

Começou ontem, em S. Gião (Oliveira do Hospital), mais um encontro nacional dos jovens do Bloco de Esquerda. O acampamento/festa prolonga-se até domingo. Refere-se no site oficial do Bloco que tudo irá decorrer "com muita festa, alegria e luta, mas com um formato diferente". Ups! Formato diferente? Sim, caros leitores, "contra o cinzentismo das vidas usurpadas", reclama-se "o direito à liberdade, à vida, à imaginação". Como já devem ter percebido, sou inimigo declarado da vidinha e devoto do inconformismo. O que significa que um programa destes, fazendo lembrar as proclamações dos situacionistas (atente-se ao "ensaiamos") é mais do que aliciante. O problema começa logo a seguir: o programa de actividades. Não pela ambição, mas pela vacuidade, pela visão a preto e branco. A abrangência dos workshops é avassaladora: inclui debates sobre Imigração e Racismo, Bio-combustíveis e Crise Alimentar, LGBT, Feminismo e Combate Social, Drogas Leves e Precariedade, entre outros temas, todos absolutamente indispensáveis. Destaque também para as sessões práticas, operativas, sobre "Faixas", "Stencil/Subvertize" e "Mobilização para comício". O ponto alto ocorrerá hoje, pelas 17 H, com um workshop sobre "Brinquedos Sexuais". O fantasma de Baden Powell, patrono destas actividades escutistas ao ar livre, já deve estar escarlate de vergonha. Seja como for, a coisa promete. Serão brinquedos multiusos? Virtuais? Na formação será utilizado o método demonstrativo ou também o activo? E dentro deste, recorrer-se-á ao role playing, ao brainstorming ou aos trabalhos de grupo? Maravilha maravilha era juntar este workshop ao das drogas leves. Até eu lá aparecia, disfarçado de Pai Natal.

Nota: acedi há pouco ao Portal da Empresa, para simular a criação online de uma sociedade. Na bolsa de denominações fantasia disponíveis, figurava, imaginem, "007... ordem para brincar". Nem de propósito!!!

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Lido

e de resto a certeza acende sempre o seu lume
e todos os sonhos morrem na fragilidade da sombra
memórias que pulsam mal anoitece
feridas submersas
ramos penas
teimosias

in, "A Imitação dos Dias"

Que pedra!

A Capadócia fica bem no centro da Turquia e a região mais parece um cenário de filme de ficção científica. Com formações rochosas sem fim, centenas e centenas de casas foram construídas escavando-se as encostas ao longo dos séculos. Cidades inteiras, que lembram verdadeiros formigueiros, aparecem e se escondem sob o chão. Dentro de cavernas, muitas e muitas igrejas cristãs ainda guardam frescos bizantinos. O Yunak Evleri Cappadocia Cave Hotel fica em Urgrup (na imagem) e é um complexo que inclui seis casas escavadas na montanha nos séculos V e VI e uma mansão grega construída no século XIX. O lugar além de ser perfeito para alojamento, serve de base para incursões nas cidades subterrâneas e igrejas centenárias existentes nas proximidades. Devo dizer que muitos santos andaram por estas paragens. Um deles foi o S. Simão Estilita. Construiu uma coluna para isolar-se no topo. Desse púlpito improvisado falou a imperadores, reis, religiosos, e converteu muitos pagãos. Buñuel imortalizou-o no celulóide. Olha que bela solução para umas férias sem mar azul turquesa a palmeiras! Consultar aqui.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Graffitis - 33


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