O novo Código de Processo Penal veio adequar à Constituição os direitos e garantias definidos para os sujeitos processuais. Exige mais e melhor das magistraturas e das polícias, impondo a fundamentação de determinadas decisões, tornando mais transparente a obtenção e valoração dos meios de prova e a impossibilidade da sua utilização de uns casos para os outros - os célebres bancos de ADN criminal da PJ - acabando com determinados expedientes utilizados pelo MP, nomeadamente separar os processos quando convinha ouvir os arguidos em separado e limitando o segredo de Justiça. Em suma, desferiu um sólido golpe no carácter inquisitorial da nossa investigação criminal, tão do agrado dos seus promotores. Daí as reacções corporativas vindas dos actores do costume. Destaque para o inefável Cluny, do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público. O tal que se posiciona, invariavelmente, contra tudo o que se faça de novo no sector e que contrarie as prerrogativas da classe, de há vinte anos para cá. Agora deu uma conferência de imprensa, decalcada de um sketch dos Monty Python. Às tantas, usando o habitual tom jocoso e sibilino, alertou para a utilização de alguns galicismos na nova reforma, o que vai obrigar a uma republicação do Código no DR. Eis o que dá a míngua de argumentos sérios! Eis um contributo inexcedível para a dignificação e a eficácia da Justiça em Portugal! Números como este, se não fossem trágicos, até dariam para umas boas gargalhadas.
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
Ponto de ordem

Espero freneticamente pela remessa do recém publicado "O que resta da esquerda?" (ed. Aletheia), do britânico Nick Cohen, colunista do "Observer" e do "New Statesman", e que acabei agora de encomendar. Para abrir o apetite, leia-se na íntegra a entrevista dada pelo autor ao jornal "Público". Após uma leitura atenta, fica prometido um comentário neste blogue.
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terça-feira, 6 de novembro de 2007
Mais querer
O dialecto futebolês salienta-se pela profusão de expressões rendilhadas por um traquejo poético de vão de escada, a meias com um surrealismo naif. À anafada verbosidade dos comentadores, opinadores, jornalistas e treinadores de bancada, corresponde o discurso vazio, formatado, dos jogadores e treinadores. Recentemente, tomei nota de duas expressões fabulosas: o jogador X joga bem de costas para o adversário e a equipa Y teve mais querer. Sobretudo esta última é notável. Pois usurpa o significado de crer e inculca-o no demasiado prosaico querer. Por outro lado, faz o improvável, empregando um verbo como um substantivo. É que, se na natureza tudo se transforma, na gramática já não. Excepto, pelos vistos, no futebol. Será porque a bola é redonda e se perde porque não se marcam golos?
O regresso de Ulisses
Durante uns dias em Lisboa, coloquei-me sem dificuldade fora da possibilidade da notícia. Tal como Álvaro de Campos em relação ao soco. Jornais, nem cheirá-los. A não ser os de distribuição gratuita. Que por serem uma relativa novidade para quem vive na chamada província, despertam imediatamente a curiosidade. Televisão, só para ver o Benfica. Quanto aos blogues, tela nocent levius, visa venire prius, ou seja, homem prevenido vale por dois. É este o sagrado recato outonal do meu contentamento, o apogeu da descoberta, o lugar do encontro com o que há-de vir. De tal forma que, hoje, ao comprar o jornal, invadiu-me um secreto terror ao antecipar o que lá iria encontrar. Até já.
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
domingo, 4 de novembro de 2007
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
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