O tabu chegou ao fim. Santana Lopes mostrou-se disponível para chefiar o Grupo Parlamentar do PSD. É que o ex-primeiro entre os ministros deve ter estado a ouvir os célebres concertos de Paganini, que jurou um dia ter descoberto. Talvez para se inspirar. Para exercitar a genialidade, como Nero, chamando a si o melómano e o pirómano. O dois em um só para os eleitos. Aqueles que elegeram o culto narcísico como tema único para as suas vidas. É de ciência certa que, para PSL, o primeiro dos atributos só faz sentido num cenário de "Terna é a Noite". O segundo esteve quase a levá-lo por diante. Quando ficou à beira de incendiar um país, graças à sua inefável incompetência. Felizmente, esse país percebeu a tempo e remeteu-o ao seu verdadeiro lugar: a insignificância das revistas cor-de-rosa. Mas nova liderança tomou conta do PSD. Constituída pelo sindicato do aparelho, na feliz expressão de JPP. Com um animador provinciano e psicologicamente instável à frente. Que promete todo o tipo de prebendas aos apaniguados, como se sabe. PSL percebeu que era hora de voltar à ribalta. A sua missão estava longe de ficar concluída. Mas como? Ser-lhe oferecida uma sinecura qualquer nos órgãos do partido seria pouco. Afinal, o homem é uma instituição de per si. Não seria mais consentâneo com o seu estatuto especial colocá-lo numa espécie de liderança paralela, eminentemente parda? Sim, mas seria escasso para o seu apetite de protagonismo. A liderança do grupo parlamentar viria mesmo a calhar. Não sem antes uma série de "não confirmo nem desminto, antes pelo contrário", como se viu no Congresso. Lances florentinos cada vez mais acessíveis a políticos menores. Como se o desfecho não se soubesse desde a primeira hora! Pois é. Para mal dos nossos pecados, o Dorian Gray da política portuguesa está de volta. O tribuno pífio. O Cícero de papelão às voltas com um egotismo de dimensão imperial. Adivinha-se nova catástrofe. A que este blogue vai assistir na primeira fila.segunda-feira, 15 de outubro de 2007
Ódios de estimação - 2
O tabu chegou ao fim. Santana Lopes mostrou-se disponível para chefiar o Grupo Parlamentar do PSD. É que o ex-primeiro entre os ministros deve ter estado a ouvir os célebres concertos de Paganini, que jurou um dia ter descoberto. Talvez para se inspirar. Para exercitar a genialidade, como Nero, chamando a si o melómano e o pirómano. O dois em um só para os eleitos. Aqueles que elegeram o culto narcísico como tema único para as suas vidas. É de ciência certa que, para PSL, o primeiro dos atributos só faz sentido num cenário de "Terna é a Noite". O segundo esteve quase a levá-lo por diante. Quando ficou à beira de incendiar um país, graças à sua inefável incompetência. Felizmente, esse país percebeu a tempo e remeteu-o ao seu verdadeiro lugar: a insignificância das revistas cor-de-rosa. Mas nova liderança tomou conta do PSD. Constituída pelo sindicato do aparelho, na feliz expressão de JPP. Com um animador provinciano e psicologicamente instável à frente. Que promete todo o tipo de prebendas aos apaniguados, como se sabe. PSL percebeu que era hora de voltar à ribalta. A sua missão estava longe de ficar concluída. Mas como? Ser-lhe oferecida uma sinecura qualquer nos órgãos do partido seria pouco. Afinal, o homem é uma instituição de per si. Não seria mais consentâneo com o seu estatuto especial colocá-lo numa espécie de liderança paralela, eminentemente parda? Sim, mas seria escasso para o seu apetite de protagonismo. A liderança do grupo parlamentar viria mesmo a calhar. Não sem antes uma série de "não confirmo nem desminto, antes pelo contrário", como se viu no Congresso. Lances florentinos cada vez mais acessíveis a políticos menores. Como se o desfecho não se soubesse desde a primeira hora! Pois é. Para mal dos nossos pecados, o Dorian Gray da política portuguesa está de volta. O tribuno pífio. O Cícero de papelão às voltas com um egotismo de dimensão imperial. Adivinha-se nova catástrofe. A que este blogue vai assistir na primeira fila.domingo, 14 de outubro de 2007
A grande ilusão
"O futuro do PSD? Linear, como se ouviu no Congresso. Em 2008, vai ganhar as "regionais" dos Açores. E, em 2009, vencerá as eleições autárquicas, legislativas e europeias, julgo que por esta ordem. Afinal, as sondagens mentiam. Afinal, o país em peso estava à espera deste PSD, unido e complacente mas sem "pseudo-elites desacreditadas e esgotadas". Meio milhão de de-sempregados esperava um PSD que não se resigina "ao fatalismo, ao derrotismo e ao pessimismo", julgo que por esta ordem. Não sei quantos mil emigrantes esperavam um PSD "regenerado". Os jovens, os idosos, os funcionários públicos, os autarcas, os empresários, os pais, os professores, os polícias, os farmacêuticos e os apicultores, julgo que por esta ordem, esperavam por um PSD "imparável". E as mulheres, sobretudo as sofridas mulheres, esperavam por um PSD libertador para se transformarem no "grande núcleo aglutinador da revolta contra este Governo".Se, nas palavras do poeta, faltava cumprir Portugal, é porque Portugal, derrotista e exausto, apenas aguardava que Luís Filipe Menezes chegasse. Pelo menos, essa é a opinião de Luís Filipe Menezes e não há nada que a possa contrariar, salvo a realidade, o eleitorado e Santana Lopes, julgo que por esta ordem."
Crimes exemplares - 17
Aconteceu-lhe morrer no dia dois de Agosto de dois mil e cinco. Estava sentado à secretária do seu escritório, enquanto passava os olhos por um relatório, que ele próprio escrevera, sobre as condições de trabalho no segundo bairro da cidade. Foi encontrado pelo seu único colega de trabalho, que regressava ao emprego depois das férias. Este resolveu, de imediato, tomar a seu encargo comunicar com os familiares do morto. Todavia, essa tarefa revelou-se impossível desde o primeiro minuto. Não encontrou, em 12 anos de trabalho, qualquer pormenor da vida pessoal do outro, por mais insignificante que fosse. Reflectiu e descobriu que ele próprio nunca lhe revelou nada sobre a sua vida. Entrou em profundo desânimo. Tinha passado as férias a dois quarteirões dali, fechado em casa, sozinho, a ler. Nem por um instante lhe havia ocorrido contactar o colega, que devia estar no escritório a trabalhar. Sem conseguir contactar ninguém, sem sequer saber onde era a casa do antigo colega, tomou também como sua a tarefa de organizar o funeral. Chovia e ele era a única pessoa presente. Por falta de dinheiro, o colega jazia agora num despropositado sítio do cemitério, entalado entre o muro exterior e um regato que passava perto. Segundo o relatório que o seu antigo colega escrevera, sabia-se que vários habitantes daquela parte da cidade haviam morrido de doenças associadas à contaminação proveniente dos cadáveres, provavelmente pela água daquele regato. Ao voltar ao escritório, no dia seguinte ao funeral, descobriu que este teria que fechar, porque o único cliente, o município, não tolerara o atraso na entrega desse mesmo relatório. Sem emprego, voltou a casa, despiu toda a roupa, desligou todas as luzes e deitou-se na cama, à espera.
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sábado, 13 de outubro de 2007
Sonhos dourados
Um tesouro romano do século IV d. C., com mais de 4500 moedas, foi encontrado no sítio arqueológico do Vale do Mouro, no concelho de Mêda. Falta garantir um local adequado para guardar esta descoberta até que seja incluída num museu. (Fonte: TSF Online)
sexta-feira, 12 de outubro de 2007
Ementa do Dia
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