quinta-feira, 5 de julho de 2007

Duelo à chuva

As eleições no Instituto Politécnico da Guarda tornaram-se assunto "de Estado" neste recanto de província de uma país cada vez mais provinciano. Toda a gente "importante" toma posição, com a adrenalina de quem quer apostar no cavalo certo. Há até quem faça apostas múltiplas. Os gladiadores vão tomando posição, num despique semelhante ao tradicional duelo crepuscular num qualquer Western que se preze. Acredite-se ou não, aqui a luta é mesmo pela sobrevivência. Em confronto, pois patuscos pistoleiros, do tipo sempre em pé. No activo de ambos - embora com antecedentes arrasadores - a descredibilização do IPG. Imaginemos então, por hipótese, dois personagens. O primeiro é pequeno e burguês. O eterno amanuense, às voltas com a ultrapassagem vertiginosa do princípio de Peter. Em matéria de apego ao poder, pertence à família das lapas. Só para dar uma ideia, focalizemos o Silva das Finanças, que corta as unhas à janela ao fim da tarde e vai olhando de soslaio para a janela da vizinha. O segundo pertence à sub-espécie dos self-made manos. No dia 15 de Fevereiro de 1999 foi alegadamente visto a ler um livro. Ficaria bem como polícia de giro em qualquer cidade guatemalteca. Ou como proprietário de um peep show. Et voilá, aqui têm o quadro completo. Pela minha parte, se tivesse que escolher, meteria atestado médico.

A noite chega com todos os seus rebanhos



Uma cidade amadurece nas vertentes do crepúsculo
Há um íman que nos atrai para o interior da montanha.
Os navios deslizam nos estuários do vento.
Alguma coisa ascende de uma região negra.
Alguém escreve sobre os espelhos da sombra.
A passageira da noite vacila como um ser silencioso.
O último pássaro calou-se.As estrelas acenderam-se.
As ondas adormeceram com as cores e as imagens.
As portas subterrâneas têm perfumes silvestres.
Que sedosa e fluida é a água desta noite!
Dir-se-ia que as pedras entendem os meus passos.
Alguém me habita como uma árvore ou um planeta.
Estou perto e estou longe no coração do mundo.

António Ramos Rosa, in A Rosa Esquerda (1991)

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Gato por lebre

A Feira de S. João em finais dos anos 30. Foto: António Correia

Inserido na tristemente célebre estratégia festiva inspirada no lema "dar ao povo o que o povo gosta", a Câmara da Guarda brindou-nos com uma "recriação" da Feira de S. João. A ideia é boa. Mas uma produção destas deveria ser pensada em moldes completamente diferentes: desde a concepção do espaço, ao tipo de animação, à consultoria histórica (o que inclui a recolha de tradições musicais, poéticas e lúdicas associadas) à divulgação, à capacidade de mobilização dos recursos locais, parece que tudo foi pensado em cima do joelho. É bom não esquecer o significado desta feira para a cidade. Trata-se do acontecimento deste tipo mais antigo da região. Criada em 1255, foi desde cedo fundamental para a afirmação e crescimento da Guarda, a ela acorrendo milhares de pessoas. Neste caso, a ambição demonstrada não foi além do que se faz (melhor, ainda por cima) um pouco por todo o lado, sobretudo em localidades da região, ao nível da recriação histórica. Sem qualquer marca distintiva e suficientemente apelativa para atrair visitantes a nível nacional.

Momentos Zen - 10

Só me interessa o que eu penso dos outros.

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terça-feira, 3 de julho de 2007

Antes do Céu



Fotos: Pedro Figueiredo

Imagens da instalação "Antes do Céu", do escultor Pedro Figueiredo, que pode ser vista no átrio superior do edifício principal do Teatro Municipal da Guarda. São utilizadas duas esculturas, criadas pelo autor para a cenografia da evocação da cerimónia de inauguração do Sanatório Sousa Martins, em 19 de Maio último. A acompanhá-las está o "Monólogo do Anjo", um texto deste vosso criado incluído no guião da peça Guarda, Paixão e Utopia, apresentada no TMG nos dias 26 e 27 de Novembro de 2006. Poderá ser lido aqui.

A censura está de volta

Durante estes dias de defeso blogueiro, fiquei a saber que nos espaços públicos com acesso à internet geridos pela Câmara Municipal da Guarda, foi barrado o acesso ao blogger. Quem quiser abrir um endereço alojado naquele servidor, que contem necessariamente os sufixos blogspot.com, verá aparecer uma mensagem assinalando a restrição, subscrita pelo administrador da rede. Vamos por partes: concordo que se vedem conteúdos pornográficos ou violentos nestes locais públicos, pensando nas crianças e adolescentes. Todavia, é inaceitável que se bloqueie o acesso ao maior servidor mundial de blogues num espaço desse tipo. Este procedimento tem um nome: CENSURA. Que não aparece sob a forma regimental do agente policial de olhar atento e indicador em riste, como na China, mas como um insípido e antipático anúncio. Que de resto se encaixa perfeitamente noutros sinais preocupantes de prepotência e atropelo das liberdades fundamentais coloridos de rosa. Neste caso, cabe perguntar: de que têm medo? Segundo parece, a insólita restrição é da lavra de um sociólogo ao serviço da Câmara. Desconhece-se a escola do pensamento perfilhada por esta sumidade, mas suspeito que será a escola de... Pequim.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Regresso ao futuro

Uma placa de rede queimada, uma resma de telefonemas para o fornecedor de ISP, cada um motivando um palpite diferente do outro lado - como é de calcular - e uma indesculpável falta de imaginação, só agora suprida com uma ligação do modem ao PC, via USB (EUREKA!)... Eis os motivos por que ficaram os caríssimos leitores deste blogue momentaneamente privados de mais um dos seus prazeres secretos. Vá lá, admitam! Não é seguramente caso para arrancar cabelos, ou outras medidas drásticas, em desespero de causa! Já agora, dou eu o exemplo e aqui me confesso: pois andava justamente com umas certas ganas em causar umas belas dores de cabeça a alguma boa gente, agora que soube que - aleluia - a minha está a funcionar na perfeição, por via de um TAC de que hoje soube o resultado. Evohé! Evohé!

*Uma curiosidade: durante este período, o número total de postagens estacionou em 666. Brrrr...