Sobre o percurso académico de Sócrates, ver aqui mais informação.
quinta-feira, 12 de abril de 2007
Vanitas vanitatum, et omnia vanitas
Sobre o percurso académico de Sócrates, ver aqui mais informação.
quarta-feira, 11 de abril de 2007
Um embuste chamado Beira Interior
Habemus cinema
O homem da maratona
Pacheco Pereira descobriu esta sugestiva ficha biográfica do actual primeiro-ministro, retirada da obra "Classe Política Portuguesa" de Cândido de Azevedo, edição de 1994. A informação é compilada com base nas indicações fornecidas pelos próprios e é assim que José Sócrates é apresentado. Já não há dúvidas de que o Primeiro-ministro usou indevidamente o título de engenheiro. Com base numa licenciatura em Engenharia Civil que não tinha na altura e que está por apurar se alguma vez obteve regularmente.Por outro lado, sabe-se que informações idênticas constam nos registos dos serviços da Assembleia da República, desde que o PM foi deputado, na legislatura 1991-95. Os dados foram fornecidos por Sócrates, em 1991, num impresso onde coloca «engenheiro» como profissão. No espaço destinado a habilitações preenche «engenharia civil». Curiosamente, a AR divulgou um outro documento, em tudo igual aquele, mas em que no primeiro item foi acrescentado "técnico" e no segundo "bacharelato", pelo punho do então deputado. Ver aqui reprodução e aqui notícia desenvolvida.
Mais ainda, em declarações ao urbi et orbi, um jornal online da Covilhã, com edição em 14 de Agosto de 2001, afirmou Sócrates que "Depois da experiência universitária em Coimbra, regressei à Covilhã como engenheiro e trabalhei entre 1982 e 1987 na Câmara Municipal". Entretanto, discute-se o "silêncio" do P.M. enquanto questão pública de interesse nacional, como ontem aconteceu na SIC N *. Mas não será este mais um caso, frequente na classe política, onde a a menoridade cívica é branqueada por uma biografia dourada, como já aqui afirmei? Ora, o crime (público) de usurpação de funções está previsto no art. 358º do Código Penal. Será que não há já matéria suficiente para o Ministério Público abrir um inquérito?
* Bem andou o humorista Ricardo Araújo Pereira, dos gato fedorento, na carta aberta que dedicou a Sócrates na revista Visão e que pode ser lida aqui.
terça-feira, 10 de abril de 2007
Sinais de fumo

Livros: Cigarettes Are Sublime, de Richard Klein; Complete Idiot’s Guide to Quitting Smoking, de Lowell Kleinmann; Os Malefícios do Tabaco, de Anton Tchekov; Prazeres, de Eduardo Barroso.
Filmes: Casablanca, de Michael Curtiz; Smoke, de Wayne Wang.
Discos: Carmen, de Georges Bizet; Le Poinçonneur des LilasLove On The Beat, de Serge Gainsbourg; Grapefruit Moon, de Tom Waits.
Em resumo, leitura recomendadíssima.
segunda-feira, 9 de abril de 2007
Ratos - 2
VER ANTERIOR
4.
(Na casa de Mariana)
HOMEM
Oh Mariana, a mais bela das donzelas! Parece que o grande sono te acolheu! Cheguei tarde demais, e agora, entre nós, só há o crepúsculo. A tua promessa era imensa, os meus olhos assim a viram e a guardaram. Ainda que eu tenha estado aqui e ali, por toda a parte, não poderás nunca sabê-lo. Espio a minha consciência e essa voz débil e incessante chama-me, diz-me “este sou eu sem ser eu”. Agora espreito esse trilho que tu abriste e só oiço a campainha incessante do tempo, quando alcança o gesto morto do ponteiro por trás do vidro do relógio de pêndulo. Bem dentro de mim, para me acordar, ficou essa promessa, para mostrar o local exacto onde devo saltar no tempo e ir por aí.
5.
(Vê-se um túnel, com uma luz ao fundo. Ouve-se água a pingar. Aparece um homem com um fato verde, caminhando e assobiando, mas sem avançar no terreno, como se estivesse a executar um trabalho monótono ou o túnel lhe fosse indiferente. Para e do escuro sai uma rapariga, com ar abandonado, que se dirige ao público)
RAPARIGA
B´m dia a todos, ó p’sual! Que dia porreiro, caro senhor, a minha mãezinha prometeu que hoje nos levaria a todos ao circo, mas que dia para um piquenique não acha, foi isso mesmo que a mãezinha disse, “vamos ir indo a ver o grande lago, o super-homem, os monstros e os palhaços. Há três dias que está na cidade e só hoje a mãezinha disse que íamos ao circo. Estou a dizer-lhe que hoje vou ao circo, senhor! Está a ouvir-me? Não isso é que não está! Não ouviu sequer uma palavra! Bom, não faz mal. E mesmo que não lhe tenha agradado, estou-me nas tintas: não haverá espectáculo para você! E agora vou-me calar.
SR. VERDE
Desculpa menina, mas que ar miserável tu tens! O que estavas para aí a dizer? Estás perdida, pequena?
RAPARIGA
Mãezinha…socorro... Põe-te de joelhos e ora. Estás muito enganado a meu respeito!
SR. VERDE
Em nome de Deus, serás tu uma ladra? Queres o meu dinheiro? O meu relógio? Vais matar-me? Ou preferes conversar? Oh, pobre e infeliz pequena. Dar-te ei isso tudo, ou o que quiseres. O que disseste? Para mim é igual, pois o jogo é teu.
RAPARIGA
Tu! Tu aí Vamos, fala! És mudo? Diz-me, estou aqui ou não? Não podes ficar assim calado. Não me vejas dessa maneira! Não! Ouviste, ó pervertido? Não quer dizer não! Não! Não! Para onde estás a olhar? Vai dar uma volta. Isto não é um espectáculo! Malditos pestaninhas! Topo-os em todo o lado. Não nos dão um segundo de descanso. Tirem-me este cromo d’aqui, seja ele quem for! O que é que ele quer? Porque está a tirar as roupas? Vá, apalpa-me, seu cobarde! Malditos depravados!
SR. VERDE
Sim? O quê?
RAPARIGA
O que disse ele? Digam-lhe para fechar aquela cloaca, sim? Não falo com estes gimbros! E tu, seu taradinho mudo, fala!
SR. VERDE
Já vai, já vai!. Queres que fale acerca de quê? Adoro falar! Oh, Meus Deus! Não me mates ó pequenita estranha e esfomeada. Tenho ainda tanto para viver! Não quero morrer já! Tenho três filhos, uma mulher, um cão e uma data de sonhos por realizar. Já para não falar de três semanas de férias à minha espera. Bolas! Vou dar-te umas palmadas nesse rabo, sua putinha! Mas por favor não me mates! Toma, leva tudo. Toda a minha maldita vida. Vá, vá, pega em tudo, mas peço-te que não me magoes.
RAPARIGA
(sacando de uma faca de mato) Até metes dó, seu jumento gordo. Vejam só, a armar-se em duro! Mas agora até me darias as próprias calças, rastejando como um verme aos pés de uma rapariga de 15 anos com uma faca na mão.
(golpeia-o desajeitadamente)
O que é tão divertido? Caluda! Estou a ouvir-vos, aos vossos enfastiados risos de asnos! É absurdo, é? Parece-vos que preciso de uma razão para fazer isto?
(ri como uma possessa, desafiando o público. O Sr. Verde morre)
“Eu pensava, eu pensava”… o teu problema é que pensavas demais. Que pena!. Olha ó traste! Estás com um ar ridículo!
(vingativa)
Deves pensar que tenho pena de ti!. Vai-te foder! Desaparece da minha vista! Mas leva essa maldita boca calada.
(recua, dando conta do seu acto)
Oh, vejam o que eu fiz! Como foi possível? E esta coisa pastosa sujando o meu vestido todo! Não posso acreditar!
(Escuro)
