Mostrar mensagens com a etiqueta tabaco. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta tabaco. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Smoke, not smoke

Faz agora nove meses que deixei de fumar. Acreditem que decisão mais solitária não há. Mesmo assim, mantenho em níveis elevados a indignação com soluções estruturalmente desequilibradas, como a da conhecida lei do tabaco. Nesse propósito, descobri recentemente um site que desde já recomendo, pois se trata de um autêntico serviço público. Sobretudo para os afilhados de Nicot. É o "Sítio do fumador", uma página de João Pedro Graça. Disponibiliza um mapa (da google maps) onde é possível pesquisar por localidades e por tipo de estabelecimentos (cafetaria, noite, hotelaria, etc.), encontrar uma listagem com informação detalhada sobre cada um deles, um blogue, um fórum de discussão, o texto da lei e outras utilidades, como um widget para blogues com referência ao site (ver no side bar deste blogue).

domingo, 13 de janeiro de 2008

Puro prazer


Na caixa de comentários do post com o guia dos bares "free smoking" (link ao lado), no "Origem das Espécies, descobri um blogue a reter: "Aquela Opinião", da autoria de João Gomes. Um apreciador dos pequenos grandes prazeres da vida, como se nota. Em especial dos puros habanos, a quem dedica uma rubrica onde apresenta várias marcas dos famosos charutos. Que aparecem como a verdadeira pièce de résistence do blogue. Fiquei a saber, por exemplo, que existem vários sítios, onde é possível adquirir online todo o tipo daqueles requintados objectos de prazer de combustão lenta. E também encontrar abundante informação sobre a sua história, variedades, processo de fabrico, quais os vintage, etc. Acedam ao Puros, ao Clube do Charuto da Casa Havaneza, ao Cigars Club ou ao Cigarworld e comprovem. É aproveitar agora, enquanto a ASAE - esse simpático grupo de mórmones que velam pela nossa saúde - não mandar encerrar tal comércio. Aliás, vendo bem, é um erro apontar o dedo aos executores do absurdo. A atitude correcta é corrigir a pontaria em direcção aos políticos que o legislam, o aprovam e dele beneficiam. Os tais da "ética da responsabilidade" e do país-spa.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Smoking zone


Há coisas que só mesmo na blogosfera podem funcionar. No "Origem das Espécies", Francisco José Viegas surgiu com uma feliz iniciativa. Assim, com a ajuda dos leitores, criou um utilíssimo guia nacional dos cafés, bares e restaurantes onde é permitido fumar. O qual se encontra em permanente actualização. A listagem está disponível a partir deste blogue, mediante uma ligação no sidebar.

NOTA: como já por várias vezes referi, deixei de fumar há cerca de um ano. Com esta mensagem pretendo demonstrar que, no combate ao terror higienista em curso, certos valores civilizacionais são muito mais importantes do que a simples conveniência pessoal...

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Fumo branco

Deixei de fumar há seis meses. Há quem já esteja há vinte nessa abstinência. O Pedro Rolo Duarte, por exemplo. Tal como ele, abdiquei dessa medalha póstuma para exibir ao espelho, e que diz: "ex-fumador", preferindo ser "um fumador que decidiu não fumar mais". Foi duro, claro. As rotinas tiranizam mais do que os vícios. Sem estes ficamos paralisados. Mas sem as primeiras ficamos despidos. Entre um e outro, "que venha a Inquisição Espanhola", como bradavam os Monthy Python. Claro que as vantagens foram aparecendo: menos cansaço, exercício físico mais extenso, melhor paladar, ritmo cardíaco normalizado, desaparecimento gradual daquele catarro neo-realista matinal (que não raras vezes ainda dá sinal de si), maior tranquilidade nas situações que antes eram interrompidas para o cigarrito, maior disponibilidade para os outros, mais dinamismo. Por outro lado, dou a mão à palmatória e aceito a justeza de uma legislação que restrinja o consumo do tabaco em locais públicos, de forma sensata e sem exageros. Só quem deixa de fumar entende como a percepção do fumo que nos cerca se torna diferente. E isso nada tem a ver com intolerância. Nos restaurantes, os níveis ainda se suportam. Mas nos locais nocturnos é que a coisa se torna complicada. Quando uma noite se prolonga mais um bocado, fico literalmente à mercê do fumo. Daquele que provem dos que me acompanham e de todos os outros fumadores que já passaram pelo local em causa. Isto porque a maioria dos bares ainda não dispõe de um sistema de exaustão eficaz. Ou, então, já tem, mas os proprietários preferem fazer umas poupançazinhas na conta da electricidade. E, neste lote, incluo desde os bares mais humildes até aos sítios de referência. Um deles, que me dispenso de nomear, é o novo ponto de encontro da cidade. Pois há noites em que a ambiência se torna londrina e os sinais permanecem por dois dias nos brônquios. Mas vou poupar os leitores às atribulações de um "antigo combatente". Não sem apontar as incongruências do legislador. É que, por um lado, já pouco falta para a nova "lei seca" entrar em vigor. O que inclui um pacote sancionatório para os prevaricadores. Por outro, a incidência fiscal sobre o tabaco tende a aumentar. Não se compreende, portanto, como os produtos farmacêuticos que auxiliam os que querem deixar o tabaco não são comparticipados pelo Estado. Esta situação já foi denunciada pela Sociedade Portuguesa de Pneumologia e muitas outras vozes já se ergueram contra este anacronismo, que urge rever. Sabendo-se que estes produtos pesam e de que maneira na bolsa dos consumidores. Apareceu agora um medicamento anti-tabágico de nova geração, chamado Champix. Associado a uma campanha publicitária semi-oculta, protagonizada pelo Diogo Infante. Sem pôr em causa a sua eficácia terapêutica, convido os leitores a ir à página respectiva. Vejam os preços praticados e a lista de efeitos colaterais. Até dá vontade de puxar mais um cigarro para acalmar...

domingo, 13 de maio de 2007

O neo fascismo - 3

Para rematar a magna questão da lei anti-tabaco recentemente aprovada, faltava apreciar o assunto do ponto de vista fiscal. Onde se juntarão brevemente as receitas das multas previstas para os infractores. Para tanto, socorri-me de um artigo de Victor Cunha no "Blogue Atlântico", quando diz o seguinte:
Entre as acções concretas que o Estado tem usado para combater o tabagismo uma evidencia-se: a acção no preço. Fazendo contas em escudos (choca sempre mais), um maço de Marlboro custa hoje 630$00, ou seja, 31$50 por cigarro. Deste valor, cerca de 70% (22$00), destina-se aos cofres do Estado. Um fumador médio (20 cigarros/dia) gasta todos os anos cerca de 230 contos para queimar o tabaco que lhe equilibra a alma (e mais de 160 contos são impostos). Não contente, prepara-se para começar a aplicar multas desumanas ao prevaricador insolente. O Estado Fiscal é a versão revista e aumentada do Estado Policial.

Ver anterior

sexta-feira, 11 de maio de 2007

O neo fascismo - 2

(continuação)
Diz-se que esta nova lei anti-tabágica tem dois objectivos primordiais: persuadir os fumadores a deixarem de o fazer e proteger os não fumadores, impedindo-os de ser fumadores passivos. Os fins são estimáveis, é claro. E confesso que estou rendido ao argumentário dos higienistas e dos fautores do politicamente correcto. Nesta perspectiva, eis alguns dos cenários que se avizinham:
1. Vou passar a não frequentar restaurantes, bares e discotecas. Vendo bem, até se poupam umas coroas. Mas não será por isso que deixarei de conviver, pois parece ser esse um dos objectivos ocultos desta Lei: remeter as pessoas para o isolamento, para a normalização sanitária, pois assim são mais facilmente controláveis. Estão a ver a analogia com "O Admirável Mundo Novo"?
2 Mesmo que vá, por necessidade imperiosa, jantar com uns amigos, o cenário poderia ser este: durante um bom bocado, o convívio processa-se normalmente. Na altura das sobremesas, nota-se uma estranha inquietação, uma ausência bloqueadora que ninguém ousa nomear. Sob pena de o dono telefonar à polícia e sermos daí a nada escoltados por meia dúzia de cabos-de-esquadra, só por alguém ter soletrado a palavra proibida. Vem o café e aí a angústia torna-se insuportável. Até que o mais afoito, tentando reproduzir a aproximação de um comando aliado a uma praia normanda no dia D, chega-se à porta. Cá fora, a uns bons 10 metros, não vá aparecer o Tiago Mendes com um apito, puxa do "coiso" e acende-o. Já agora, aqui na Guarda e no Inverno, esta saída "higiénica" poderia significar uma semana de gripe. Mas adiante. Encorajados por este lance de coragem, os outros imitam-lhe os passos. Nesta altura, o dono já está a começar a desconfiar de uma golpada. Por essa razão, as saídas são rotativas. Nas mesas ao lado, o processo é idêntico. A certa altura, grande parte dos clientes e até dois empregados já estavam "cá fora". Pela nossa parte, o ambiente estava irremediavelmente inquinado. Nem um digestivo se pode saborear. Nem a tal conversa animada chegou sequer aos preliminares. Nem a tal anedota se chegou a contar. Nem aquele olhar meio enevoado que eu ia lançar à X, como uma radiosa promessa para a noite. Nada. No final, cada um para sua casa. Carregando uma espécie de culpa sem culpado. Autênticos personagens saídos de uma novela de Kafka.
3. Se puxar de um cigarro numa praia, cairão em cima de mim trinta polícias marítimos, assessorados por dez membros do Exército de Salvação e um taxista em férias que ia a passar por ali a coçar os tomates, murmurando que "é prexijo pôr esta malandraje na ordem! olhem qu'esta!".
4. Se resolver mesmo acender uma cigarrilha de topo num café, durante a tarde, vejamos os desenvolvimentos mais óbvios: vem o empregado com uma máscara de cirurgião e envia-me provisoriamente de quarentena para uma sala contígua, destinada ao efeito. Entretanto, o dono já telefonou às "autoridades" e, passados quinze minutos, estacionam à porta do café: uma carrinha com um pelotão de polícias anti-motim equipados a rigor; um carro de baixa cilindrada conduzido pelo pároco local, munido de um manual prático para exorcismos; a carrinha da ala psiquiátrica do Hospital, com dois enfermeiros empunhando um colete de forças; dois elementos do SIS; um clone do Dr. Gentil Martins; uma carrinha dos Bombeiros para o que desse e viesse; o fantasma do Harry Truman - o Presidente americano que deu a ordem para o lançamento das duas bombas atómicas e cuja frase preferida era mens sana in corpore sano; por fim, talvez mesmo o Homem Aranha. Entretanto, nas mesas em redor, um cocainómano a inalar uma fila, um admirador de Mao Tsé Tung e um executivo debruçado num laptop - lançando ordens de compra e venda de acções, que viriam a colocar no desemprego centenas de pessoas num país obscuro da Ásia - estavam visivelmente solidários com as forças da ordem e incomodados com a impertinência do pestífero smoking- serial- killer encarcerado na sala ao lado.

A prósito desta cruzada anti-tabagista, que prenuncia outras que aí vêm, é fundamental ler duas obras:
1. "O Admirável Mundo Novo", de Huxley. O fundamentalismo sanitário, a instauração da "Soma" (a droga única) e o paternalismo assistencial, inimigo da lucidez e da propriedade plena sobre o corpo, já lá estão. É só comparar com a situação criada com esta lei. Descubram as diferenças.
2. Para outros vôos, sobretudo para os amantes da liberdade e do conhecimento obtido através de diferentes estados de consciência, recomendo "Drogas, Embriaguez e Outros Temas", de Ernst Jünger.

O neo fascismo - 1

Cinco razões determinaram, noblesse oblige, que voltasse à carga contra a recente lei anti-tabágica, que determina, entre outras coisas, a proibição de fumar em locais públicos fechados. São elas:
1. Esta notícia, segundo a qual a proposta poderá obrigar os proprietários dos cafés e restaurantes com menos de cem metros quadrados a denunciar os clientes fumadores. Caberá ao proprietário do estabelecimento "chamar as autoridades administrativas ou policiais, as quais devem lavrar o respectivo auto de notícia.
2. Este post de Fernanda Câncio, a favor, que reproduz um texto de Tiago Mendes, versão revista de uma outra postagem no "Cinco Dias", com abundantes comentários.
3. Este texto pró-legislação de Vasco Barreto, em "A Memória Inventada"
4. O comentário crítico de João Miranda, no "Blasfémias".
5. A evocação de "O Admirável Mundo Novo", de Huxley.

Espantoso. Instalou-se na opinião publicada a seguinte presunção inelidível: in dubeo contra o fumador. Que se tornou, para todos os efeitos, o bode expiatório de serviço. É esse o sentido útil do clima higienista e autoritário que esta Lei vem sufragar. A obrigação de denúncia dos infractores pelos proprietários dos estabelecimentos é tenebrosa. Remete não para a PIDE, como já li, mas para a Inquisição. É que, materialmente, o ilícito tem mais a ver com o dogma sanitário do que com a subversão política. Enfim, lido o libelo dos proibicionistas, apraz dizer o seguinte:

1. Antes de mais, confesso que a classificação feita dos estabelecimentos de restauração e diversão em três tipos me parece rebuscada e não abarca uma série de situações de fronteira. O autor (TM) faz do tipo 1 um autêntico melting pot. Metendo no mesmo saco realidades que nada têm a ver. Por exemplo, confunde restaurantes e casas de pasto - cuja maior frequência se verifica aos almoços - com as "manjedouras" do come em pé, que proliferam na downtown lisboeta e portuense - em que a lógica é "enfardar e sair". Esquece assim a realidade do "restante" país. Onde há tascas e estabelecimentos de referência que são, em muitos casos, marcos insubstituíveis na vida social das comunidades: é lá que se vai petiscar e conviver a qualquer hora; é lá que se vai ter "aquela" conversa, ou fazer "a tal" proposta, é lá que os segredos se tornam caricaturas e a verdade o simulacro de uma mentira adocicada. O que acontecerá em locais desse género, com as "autoridades" a entrar e a sair cada vez que um cidadão acende um cigarro? Será que Tiago Mendes pensou nisto com um mínimo de seriedade intelectual? Às vezes, chego mesmo a pensar que esta lei é só uma brincadeira de mau gosto, promovida por desocupados que confundem modernidade com cegueira.
2. Depois, os fundamentalistas querem ir mais longe, pretendendo a exclusão do tabaco mesmo em locais abertos. Veja-se esta pérola de Tiago Mendes, para melhor compreensão da vulgata higienista em curso: A questão da possibilidade de separação eficaz do fumo é crucial – e muito mais importante que a que alguns fumadores federados apontam. Muitos nem conseguem perceber que por um espaço ser “aberto” isso não invalida que o fumo incomode os outros. Por exemplo, numa paragem de autocarro, como no barco que liga Setúbal a Tróia, mesmo ao ar livre eu serei facilmente incomodado por alguém que fume. O vento, aqui, é quem mais ordena. Em espaços públicos, mesmo que abertos, há que considerar a legitimidade de cada um ao seu espaco. Deve ser permitido fumar apenas se houver uma eficaz separação de fumadores e não fumadores. Nas paragens de autocarro, isso não é possível (só é possível se a pessoa se afastar suficientemente, mas aí deixa de estar na paragem do autocarro). No barco para Tróia, é possível, mas apenas se houver uma barreira física, por exemplo, uma separação de vidro, com 3 ou 4 metros de altura, para parte do barco, e na parte de trás, necessariamente. Não chega fazer da parte de trás do barco uma zona de fumo, porque os não fumadores têm igual direito a apreciar a vista nesse lugar. Portanto, fumar, ao ar livre, em espaços públicos que não a rua, só com uma separação eficaz – e quando digo eficaz, quero dizer mesmo 100% eficaz. Mais palavras para quê? Nem os taliban legislariam melhor.

domingo, 6 de maio de 2007

The final cut

Foi aprovada sexta-feira na generalidade a Lei que vem proibir o consumo de tabaco em locais públicos, incluindo estabelecimentos hoteleiros e de diversão. Mais uma machadada contra a liberdade. Agora só falta as brigadas anti-colestrol denunciarem aos costumes um cidadão "apanhado" a comer uma sande de coiratos. E repare-se que - pasmo dos pasmos - a Lei foi aprovada por unanimidade, A Bem da Nação, sem um único voto contra. Já é altura de aprendermos alguma coisa com os americanos. É que lá existem lobbies por tudo e por nada. Até em defesa do tabaco, como a divertida comédia "Thank You For Smoking" bem ilustra. Por cá, meia dúzia de notáveis insurgiram-se contra os perigos desta lei e desta lógica sanitária. E pouco mais. Neste "mais" incluo algumas contundentes postagens que tenho visto na blogosfera e algumas deste vosso criado. Porque é que os fumadores e os amantes da liberdade não pressionaram mais alto?
E pronto. Espero para ver os bares e restaurantes a falir em massa. E meia dúzia de zelotas a esfregarem as mãos.

terça-feira, 10 de abril de 2007

Sinais de fumo


Já se conhece a proposta de lei anti-tabaco que o Governo aprovou. Convenientemente orquestrada por uma campanha de demonização, em curso, do prazer de fumar. Já aqui disse o que, sobre este assunto, me ocorre. Todavia, a palavra final na matéria chegou-me a partir do "A Terceira Noite", por via de uma magnífica postagem de Rui Bebiano, intitulada "O Vício Esplêndido". O texto foi escrito em 2003 para a revista literária "Periférica", hoje extinta. No final, o autor sugere alguns "acessórios" apropriados para o tema e que passo a citar:

Livros: Cigarettes Are Sublime, de Richard Klein; Complete Idiot’s Guide to Quitting Smoking, de Lowell Kleinmann; Os Malefícios do Tabaco, de Anton Tchekov; Prazeres, de Eduardo Barroso.
Filmes: Casablanca, de Michael Curtiz; Smoke, de Wayne Wang.
Discos: Carmen, de Georges Bizet; Le Poinçonneur des LilasLove On The Beat, de Serge Gainsbourg; Grapefruit Moon, de Tom Waits.

Em resumo, leitura recomendadíssima.

sábado, 3 de março de 2007

Os malefícios do tabaco - 2

O Governo acaba de aprovar uma proposta de lei anti-tabaco que, a ser aprovada no Parlamento, porá um ponto final na matéria. O país ficou pois a saber que o Ministro da Saúde tem desta uma noção próxima de "normalização sanitária", ou pior. Mas veja-se melhor o conteúdo da lei. Desde logo, concordo que se interdite a venda de tabaco a menores e o seu consumo nas escolas. Só que, a versão primitiva da proposta - que proíbe o consumo em qualquer estabelecimento de restauração ou diversão e dispensa os centros de saúde terem consultas para quem quer deixar de fumar - foi aquela que veio a ser aprovada. Ao contrário do que se esperaria, após o recuo do Ministro nesse ponto o ano passado. Já aqui tive ocasião de criticar este caminho agora formalizado pelo Governo. Com argumentos para os quais remeto. Temos então um novo Volstead Act (mais conhecida como Lei Seca) para o tabaco. Sob pressão dos sectores mais fundamentalistas e histéricos. Onde pontuam um ou dois médicos e ruidosos activistas. Que gostam de aparecer na TV com um discurso neo-pidesco em relação ao que o cidadão deve ou não fazer para combater o seu deficit sanitário. Até vir a ser higienicamente perfeito, genitalmente irrepreensível, civicamente insuspeito, doce serventuário do novo eugenismo em marcha... Algo que nem o próprio Willheim Reich nos seus piores pesadelos poderia prever. E com uma postura digna de uma Florence Nightingale tratando dos estropiados do tabagismo. Desconhecem todos que a verdadeira saúde è cosa mentale. O Estado vem pois reforçar o controle de comportamentos por definição privados e a limitar a liberdade de circulação de quem fuma. Para quem defende que os poderes públicos se devem abster de se intrometer naquilo que os indivíduos consomem ou deixam de consumir, como vivem, com quem, etc., como é o caso do escriba, esta lei proibicionista é intolerável. Para além de vir a afectar significativamente a indústria hoteleira. Pelo que, tudo farei para ir preso da próxima vez que puxar de uma cigarrilha "Cohiba", no final de um jantar memorável num dos meus restaurantes preferidos. A defesa da liberdade pode passar por este caminho. A questão é séria e não pode ser deixada a incompetentes e a demagogos. É altura de os sinos tocarem a rebate.

publicado no jornal "O Interior"