terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Liberdade, Igualdade, Fraternidade

Ao contrário do que vem nos manuais de História e do que pensa a intelectualidade sub-gaulesa que ainda sobrevive no nosso País, em termos de liberdade (ou liberdades) nada devemos à Pátria de Descartes e Lamartine. Refiro-me às liberdades civis, e sobretudo o seu núcleo mais importante, as liberdades negativas, tais como ainda hoje são vertidas nos textos constitucionais. E ainda ao Estado laico, à separação dos poderes e mútuo controlo. Numa associação simplória de causa-efeito, fez-se descender estas conquistas directamente da Revolução Francesa. Mais concretamente da célebre Declaração de Direitos. Não creio de todo que assim seja. A liberdade, tal como hoje é entendida e vivida, é um epígono da Kant, quando lhe retirou as vestes teleológicas, mas sobretudo do parlamentarismo inglês e da Revolução Americana. No primeiro caso, a lição de as liberdades nunca poderem ser impostas de cima, mas organicamente consolidadas. Em defesa do indivíduo, naturalmente, mas também condição da sua cidadania. No segundo, temos um bom senso de pequenos proprietários, num momento histórico em que a tecnologia ainda não tinha separado irremediavelmente o homem da compreensão e do domínio de facto dos objectos com que lida no seu dia a dia. Um bom senso que erigiu um sistema de poderes que se fiscalizam mutuamente e que da política retirou o fundamental: os factos resultam da acção e não de intenções. Sobre eles rege a lei e nada mais.
Para uma melhor percepção deste entendimento, dirigi-me à Sé, onde observei, mais uma vez, os danos causados no retábulo pela soldadesca napoleónica na 1ª Invasão. Falo de destruição gratuita, que nada acrescentou. Um acto de selvajaria , a vis dos conquistadores que, em nome da ambição de um homem, pela força das baionetas quiseram impor a liberdade, a igualdade e a fraternidade. Uma coisa ficou, no entanto: o Code Civil napoleónico, que inspirou toda a legislação oitocentista europeia no domínio do direito privado. Por cá, em particular o Código de Seabra, de 1867, que vigorou um século.

Pensar em voz alta

Passou ontem à noite uma longa entrevista - conduzida por Rui Ramos - a Vasco Pulido Valente, na RTP N. Para quem aprecia a verdadeira liberdade de pensamento, como é o caso do escriba, estes momentos são naturalmente de celebração. O historiador passou em revista o que de mais relevante se passou em Portugal nos últimos 40 anos. O marcelismo, o pronunciamento do 25 de Abril, o PREC, as nacionalizações, Mário Soares, Sá Carneiro, Cavaco, Sócrates, etc. E fê-lo desenrolando um fio de pensamento absolutamente coerente, um destemor não colaboracionista com a "ilusão colectiva" que embala o país. Enfrentando os lugares-comuns e as vulgatas.

domingo, 4 de fevereiro de 2007

Blogossário - 2

Anonyblog - um blogue criado e mantido por autor(es) anónimo(s). Embora a página normalmente forneça alguma informação acerca do autor, a sua verdadeira identidade não é revelada. Um blogue deste tipo pode ainda ser desenvolvido usando um nickname, ou pseudónimo.

Atom - trata-se de um tipo de web feed, em formato XML, que permite ao utilizador descarregar todas as postagens e alterações feitas à página ou blogue subscritos, mediante o uso de software apropriado (feed reader).

Audio blog - um género de blogue que basicamente publica ficheiros contendo material áudio, tais como podcasts ou musicais.

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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Um ano a blogar

O "Boca de Incêndio" completa hoje o seu primeiro aniversário. Para uma visita guiada, embora não exaustiva, dos temas mais em destaque aqui debatidos, remeto para esta postagem. Tinha prevista nova roupagem para o blogue, assinalando a data. Todavia, decidi pensar numa alteração do grafismo para mais tarde. E manter o actual, que serve os propósitos do espaço. Uma das vantagens da publicação num blogue é a ausência de uma política editorial pensada da mesma forma que num jornal ou numa revista. Obviamente, cada blogue tem uma marca, uma orientação, um sinal distintivo. Independentemente do número de colaboradores, da maior ou menor especialização, do caudal das postagens, ou do tipo de registo mais frequente. Este não foge à regra. Existirá enquanto for necessário, o que nada tem a ver com utilidade.

Curtas

A propósito da banalização e do uso afinal particular de certas palavras-chave utilizadas no debate nacional em curso, obrigatório se torna ler um artigo de Pacheco Pereira saído ontem no "Público" e disponível no Abrupto.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

O toque

Não há nada menos apropriado para tocar numa obra de arte do que a linguagem crítica, no qual tudo se reduz sempre a alguns equívocos mais ou menos felizes. As coisas estão longe de ser tão compreensíveis ou exprimíveis como geralmente nos querem fazer crer; a maior parte dos acontecimentos é inexprimível e ocorre num espaço em que palavra alguma pisou. Mais inexprimíveis do que qualquer outra coisa são as obras de arte, — seres repletos de mistério, cuja vida perdura junto à nossa vida mortal e efémera.

Rilke, in “Cartas a Um Jovem Poeta”


Imagens de Portugal romântico - 15

Porto

Tejo, Portas de Rodão
Lisboa, vista da Sra. do Monte

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