segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

Vá, meninos, ou se portam bem ou chamo a TLEBS

Lembram-se daquela coisa que dá pelo nome de Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário, criada por excelsos linguistas, inimigos da literatura e da língua como um corpus vivo, em permanente mutação? Pois bem, a coisa está para durar, até ser esquecida - espero - numa qualquer gaveta de uma repartição obscura do Ministério da Educação. Algumas figuras bem conhecidas do mundo literário - de que EPC é exemplo - já denunciaram esta fúria sistematizadora e cega à língua portuguesa. Os autores, como seria de esperar, reagiram enquanto casta iluminada. Faltava pois um estudo demolidor, escrito por quem sabe. Encontrei-o, assinado por João Andrade Peres, Linguista e professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Por favor leiam-no.

domingo, 10 de dezembro de 2006

Borat veio à Serra

Esta é a chamada época alta do turismo de montanha. Observar os forasteiros que visitam a Guarda neste período proporciona uma série de registos deveras interessantes.
Desde logo, ressalta o aparato algo excessivo dos veículos "todo o terreno", equipados como se participassem numa expedição ao Ártico. O mesmo se diga do vestuário. Excessivo para o verdadeiro rigor do clima. Que justifica um agasalho suplementar, é claro, mas não uma autêntica mostra das últimas novidades das lojas da especialidade. É como se o desconforto que se adivinha no rosto dos forasteiros exigisse uma diferenciação "normalizada", defensiva. Aquela de quem está perto dos centros de decisão e consumo, face ao exotismo inóspito de um lugar que se calcorreia, mas não se escuta. Como um descargo de consciência sazonal, dos ricos em relação aos pobres, da agitação em relação ao silêncio, tanto mais episódico quanto mais se pressente que a matéria esmaga e é infinitamente exigente de tempo e de mistério. No fundo, vêm reivindicar uma imagem que já lhes foi vendida. E por nada deste mundo abdicariam dela. "A percepção é a realidade", dizem os gurus do marketing. Nem mais.


Publicado no jornal "O Interior"

sábado, 9 de dezembro de 2006

Ao menos ninguém se engana...

Curtas

Manuel A. Domingos, professor e poeta de Manteigas, é autor do blogue Meia Noite Todo o Dia. Descoberta recente e cúmplice. Trata-se de um espaço essencialmente literário, onde o Manuel publica textos seus, pequenas recensões, crítica de espectáculos e divulgação de edições e eventos literários. Além disso, remete para um outro blogue do mesmo autor -Versões - onde são publicados poemas traduzidos pelo próprio, a partir sobretudo de autores hispânicos e anglo-saxónicos. Destaco este belíssimo excerto de A luz surge onde nenhum sol brilha, de Dylan Thomas (1914-1953):

A luz surge onde nenhum sol brilha…
A luz surge em lugares secretos,
Nos limites do pensamento, onde o seu aroma surge sob a chuva;
Quando a lógica morre,
O segredo da terra cresce através dos olhos,
E o sangue jorra do sol;
Sobre os campos destruídos, a madrugada detém-se.

Mais um favorito, a partir de agora, no Boca de Incêndio. O gosto será nosso.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

Diálogos no Olimpo -3

B: Olá. A: olá. B: tudo bem? então andas por onde? A: a mandar uns emails. e tu? B: na oppidana. A: lx. Longe. B: de quê? Lol. A: de mim. B: mas tu não és o centro...o centro é onde estamos no momento. A: certo. B: Sou o João. E tu? A: Sofia. B: por momentos os impulsos eléctricos através das fibras ópticas cruzaram-se algures...lol. A: tens visão infra-óptica? J B: numa próxima vida...A: J parece-me q todas as mulheres estão em Lx e todos os homens fora desta cidade mirciana. B: todas as mulheres sempre estiveram em Lisboa, especialmente qd os barcos partiam...A: lol. B: sabes qual é a diferença entre 1 pessimista e 1 optimista? A: hoje sinto-me assim: como se um barco tivesse partido e eu tivesse ficado. Qual é a diferença? B: é k um pessimista sabe que 1 situação, por muito má que seja, ñ pode ser pior. um optimista sabe que pode...lol. A: ah! Percebo agora a diferença. Por isso os optimistas querem partir e os pessimistas ñ! A: és hetero ou bi? B: vendo bem sou mais tri: primeiro a foto, depois o email e por fim o telefone. Lol A: J B: e o que te traz por estas exóticas paragens? A: a sede pelo que vai na mente das pessoas. B: eu sei que ñ vais acreditar, se te disser que foi a melhor resposta que alguma vez recebi por aki, mas digo à mesma...:) A: mas é a + pura verdade. aki aprendi algumas coisas…B: então suponho que deves estar preparada para tudo, se é que ainda alguma coisa te poderá surpreender, o que, nos tempos k correm, é difícil. A: no princípio fiquei embasbacada, mas aos poucos fui aprendendo. B: olha, o k as pessoas aqui revelam é exactamente aquilo k são, com a cobertura do anonimato. ñ achas? A: algumas perdem-se e revelam mais, outras dizem o que lhes vai na alma e outras o que pensam e nunca dizem. B: sim. todas essas variantes são possíveis. E muitas mais. Afinal, quais são as tuas palavras? J. A: as minhas são várias, conforme as respostas ou as perguntas. e quais são as tuas? B: já reparaste k aqui só existem palavras atrás de palavras. na época a imagem tomou conta de tudo, isso obriga as pessoas, pelo menos, a organizarem-se interiormente e trazer as suas palavras cá para fora, mesmo que só digam disparates...A: sim. Espera, conheço o teu nick! ñ tclm já, há muito tempo? B: a sério? não me recordo...A: eu recordo…o teu nick é diferente e também tivemos uma conversa diferente, falamos de palavras e também de sonhos…B: então vamos recomeçar o que ficou interrompido...A: sim. B: sabias que as palavras nasceram como metáforas. Quase toda a gente se esquece disso. P.ex., a palavra verso vem do latim versum, que os romanos usavam para a linha do sulco que o arado deixava na terra e depois recomeçar logo à frente...não é fascinante? A: sim é. B: e a tua sede tem sido recompensada? A: tem, mas também ficado desiludida. por x dá vontade de gritar com o q se diz. B: o pior é o que ñ se diz. Lol…Olha, estou a pensar escrever a 1ª cybernovela portuguesa, k terá como título "Nâo me chates" e como prato forte as conversas do irc. Se quiseres, em 2 linhas conto-te a história. no final vai buscar 1 lenço..lol. A: mas chorava de riso ou de tristeza? J B: as 2 coisas…há um casal suburbano miseravelmente normal. 1 dia ela descobre os chats...e em seguida o seu príncipe virtual...acontece que ele, ao mesmo tempo, descobriu igualmente a sua ofélia cibernética...A: lolol. já estou a ver o fim! B: acontece que o príncipe era ele e a ofélia era ela, mas nem ele nem ela poderiam imaginar tal coisa...A: pois. até ao dia....fatídico. B: vai daí há uma série de diálogos virtuais entre ambos, 1 belo dia marcam um encontro e ela é atropelada. ele nunca soube a sua identidade verdadeira. depois há um amigo comum que sabia da situação e continua a estória, mas como um apêndice, pois o prato forte são mesmo as conversas...A: bolas, que volta deste à história…B: estás a rir a ou a chorar? A: a rir. B: repara k isto até seria possível acontecer, mas mesmo k ñ fosse, as pessoas facilmente imaginam essa possibilidade...A: o engraçado é k já aconteceu. Imagina a mulher e marido estarem a tcl., ele sabendo quem era ela, mas ela não saber quem era ele. B: A sério?. A: Verdade. depois ele tenta saber como é ela, já q sabe q ela anda no mirc…B: em diálogos entre marido e mulher ninguém mete a colher, um excelente ditado pré - chats...lolol. A: o engraçado é q ele tentou uma aproximação mais ousada e levou por tabela quando chegou a casa…começou-se a falar de certas e de determinadas coisas, o mirc veio a baila, ela falou como tinha decorrido o dia, com quem tinha tcl e… falou no dito cujo k tentou algo mais. Então olhou para a cara do marido viu-o morto de riso e percebeu tudo. B: um final feliz...resta saber se o marido ñ gostaria secretamente que ela tivesse sido + receptiva...lolol. Claro que isso se passou contigo, cerrrto? A: o k achas? B: então espero k também o tenhas atropelado na tua história. Lol. A: não nesta, mas noutra…ahahaha! B: tens que contar essa…

Ver anterior

Revista

Edição dupla (nº 4 e 5), Dezembro de 2006

No dia 27 deste mês, pelas 18h00, será apresentado mais um número da revista Boca de Incêndio. A sessão terá lugar no Café Concerto do TMG, a cargo de Pedro Dias de Almeida, natural da Guarda, editor de cultura da revista "Visão" e colaborador da revista.
Nesta edição, a componente visual será bastante vincada, pois os trabalhos gráficos recebidos suplantaram as colaborações em forma de texto. O que veio a conferir a este número uma originalidade que, embora prevista, ultrapassou as expectativas dos editores.
Como sempre, para além dos critérios de qualidade, procurou-se assegurar a continuidade e a diversidade. A primeira, mantendo colaborações de autores reincidentes. A segunda, juntando novos contributos.
A distribuição irá ser alargada a locais específicos no estrangeiro – Universidades com departamentos de Estudos Portugueses, Associações Culturais, entre outros – para além de uma criteriosa cobertura nacional.

Edição: Aquilo Teatro
Direcção:
Américo Rodrigues, António Godinho, Maria Lino
Concepção gráfica e paginação:
Alexandre Gamelas
Colaborações (neste número)
: António Bento, António Godinho, Barbara Spielmann, Barbara Assis Pacheco, Claire Moreau, Edmundo Cordeiro, Carlos Alberto Machado, Doris Cordes-Vollert, E. M. de Melo e Castro, Joan Lazeanu, João Camilo, José Oliveira, Jorge dos Reis, José Manuel Gomes Pinto, Kerstin Franke-Gneuss, Susann Becker, Tiago Rodrigues e Vítor Pomar.

pedidos para:
aquilo.teatro@sapo.pt bocadeincendio@gmail.com
ou Livraria Leitura

Graffitis - 5



Ver anterior