Mostrar mensagens com a etiqueta richard dawkins. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta richard dawkins. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 12 de maio de 2010

The soundbites delusion

Pelo que tenho lido em alguns locais, desde comentários nos media convencionais até ao Facebook, alguns querem reduzir a questão da espiritualidade a uma espécie de engraçadismo escolar. Ou, amparando-se na citação das headlines de autores como Richard  Dawkins, a uma colecção de máximas. Curiosamente, há cerca de dois ano e meio, fiz neste mesmo blogue um comentário alargado à sua obra mais conhecida, "The God Delusion". Na altura, publiquei também um excelente vídeo onde Dawkins expõe as suas teses sobre o assunto. Basicamente, Dawkins propõe-se desmontar a argumentação de S. Tomás de Aquino sobre a existência de Deus e as teses dos criacionistas, de que o princípio do desenho inteligente é exemplo maior. Seja como for, muitos se esquecem da obra de Dawkins até hoje mais polémica: "O Gene Egoísta". Na altura em que o li, foi uma autêntica pedrada no charco. Na sua defesa intransigente do evolucionismo, Dawkins vai muito longe, identificando-se com algumas teses do chamado darwinismo social. E sobretudo deitando por terra aquilo que tomamos como exemplos de elevação sentimental, o altruísmo dos pais em relação aos filhos, etc. De tal forma que o livro foi, na altura em que saiu, bem mais demonizado do que este. Compreende-se porquê. Abolir Deus é bem mais fácil de aceitar, numa sociedade que perdeu a noção quotidiana da transcendência,  do que a ideia de que os nossos padrões de humanidade são determinados pela competição de genes que querem produzir e ver bem sucedidas réplicas viáveis de si próprias. 
Sobretudo nas sociedades urbanas e industrializadas, a dimensão espiritual da existência é hoje crescentemente assumida enquanto construção, individual certamente, mas também personalizada. É um composto que reúne contributos plurais, mas orgenizando-os num único sentido. Esta tendência, levada ao limite, já se tornou numa caricatura consumista ou num sucedâneo da auto-ajuda. Seja como for, não é com o engraçadismo reinante (o mesmo que levou um humorista da praça a fazer um insuportável trocadilho entre a nuvem de cinzas vulcânicas e os fornos crematórios dos campos de concentração) que se deve brincar com algo simplesmente humano.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

The God Delusion - 2

Dawkins propõe-se demonstrar que Deus não existe. Com a mesma seriedade com que S. Tomás de Aquino quis fazer o contrário. Não é difícil, porque as suas famosas cinco provas da existência de Deus são singularmente vácuas. As três primeiras - o primeiro impulso, a causa indeterminada e o argumento cosmológico - baseiam-se em que não pode haver uma regressão infinita no sentido do movimento, das causas ou do tempo. E, por fim, tem que haver um Impulsor, uma Causa, ou um Criador originários. Mesmo que alguém aceite, a benefício de inventário, que a cadeia haja de partir-se nalgum ponto, não se poderá depreender que o Big Bang tenha que ser omnipotente, omnisciente e demais omnis. E menos ainda que tenha de escutar as nossas preces, ocupar-se dos pecados do mundo ou fazer de redentor. O argumento número 4, o dos graus de perfeição, nem sequer Dawkins, habitualmente parco em ironia, pode deixar de o expor ao ridículo. A nossa percepção de que neste mundo inferior há coisas mais perfeitas do que outras não necessita de um símbolo máximo de perfeição. A última tese de S. Tomás - tudo o que foi inteligentemente desenhado teve que ter por trás um desenhador inteligente - conduz a isso, ao desenho inteligente. Neste ponto, Dawkins observa que quanto maior o obstáculo a superar, maior será o mérito do criador; se supomos que o universo foi criado por um grande Ser, poderíamos imaginar outro ainda maior, que houvera criado tudo sem mesmo existir. Ergo... (ler mais)

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

The God Delusion - 1

"The God Delusion" é a obra mais recente do zoólogo Richard Dawkins, o autor de "O Gene Egoísta". Quando li o livro, há cerca de 17 anos, fiquei definitivamente esclarecido sobre a natureza humana. Em especial sobre aquilo que é tido como comportamento altruísta. Neste excelente vídeo, que poderá ser aqui descarregado, ou visto em widescreen, facilmente se vislumbra o cerne das teses de Dawkins. A análise do livro, cuja tradução (delusion por desilusão não lembra a ninguém) é de tal forma lamentável que li a edição espanhola, virá muito em breve.