Dawkins propõe-se demonstrar que Deus não existe. Com a mesma seriedade com que S. Tomás de Aquino quis fazer o contrário. Não é difícil, porque as suas famosas cinco provas da existência de Deus são singularmente vácuas. As três primeiras - o primeiro impulso, a causa indeterminada e o argumento cosmológico - baseiam-se em que não pode haver uma regressão infinita no sentido do movimento, das causas ou do tempo. E, por fim, tem que haver um Impulsor, uma Causa, ou um Criador originários. Mesmo que alguém aceite, a benefício de inventário, que a cadeia haja de partir-se nalgum ponto, não se poderá depreender que o Big Bang tenha que ser omnipotente, omnisciente e demais omnis. E menos ainda que tenha de escutar as nossas preces, ocupar-se dos pecados do mundo ou fazer de redentor. O argumento número 4, o dos graus de perfeição, nem sequer Dawkins, habitualmente parco em ironia, pode deixar de o expor ao ridículo. A nossa percepção de que neste mundo inferior há coisas mais perfeitas do que outras não necessita de um símbolo máximo de perfeição. A última tese de S. Tomás - tudo o que foi inteligentemente desenhado teve que ter por trás um desenhador inteligente - conduz a isso, ao desenho inteligente. Neste ponto, Dawkins observa que quanto maior o obstáculo a superar, maior será o mérito do criador; se supomos que o universo foi criado por um grande Ser, poderíamos imaginar outro ainda maior, que houvera criado tudo sem mesmo existir. Ergo... (ler mais)
Mostrar mensagens com a etiqueta ciência. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ciência. Mostrar todas as mensagens
terça-feira, 23 de outubro de 2007
segunda-feira, 22 de outubro de 2007
The God Delusion - 1
"The God Delusion" é a obra mais recente do zoólogo Richard Dawkins, o autor de "O Gene Egoísta". Quando li o livro, há cerca de 17 anos, fiquei definitivamente esclarecido sobre a natureza humana. Em especial sobre aquilo que é tido como comportamento altruísta. Neste excelente vídeo, que poderá ser aqui descarregado, ou visto em widescreen, facilmente se vislumbra o cerne das teses de Dawkins. A análise do livro, cuja tradução (delusion por desilusão não lembra a ninguém) é de tal forma lamentável que li a edição espanhola, virá muito em breve.
Etiquetas:
ciência,
religiões,
richard dawkins,
sociedade
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
Não errar não é necessáriamente desumano
O Dr. James Watson foi Nobel da Medicina em 1962, graças ao seu contributo para a descoberta da estrutura molecular do ADN. O Museu da Ciência de Londres acaba de cancelar uma palestra do cientista, prevista para sexta-feira, na qual iria apresentar o seu mais recente livro. Em causa estão as declarações de Watson, quando afirmou que, do ponto de vista genético, "os negros são menos inteligentes do que os brancos", entre outros comentários. O Museu considerou que, desta vez, o laureado "foi longe demais", aludindo às suas afirmações polémicas anteriores. As restantes conferências previstas no Reino Unido mantem-se agendadas e, ao que parece, esgotadas. As reacções aquelas declarações naturalmente não se fizeram esperar nos foruns de discussão internacionais. Cabe aqui questionar a decisão do Museu. Ora, Watson disse o que disse por simples preconceito ideológico, como tudo indica. Mas nada impede que, como cidadão, tenha direito a emitir as suas opiniões, por muito controversas e repugnantes que se afigurem. Sobretudo quando abalam o quadro politicamente correcto que tomou conta dos meios académicos e jornalísticos no Ocidente. Mas desde que delas sejam excluídas a leviandade e o disparate. Especialmente em relação a temas que a ciência não cessa de desmentir e sobre os quais existe um consenso à escala universal. Neste caso, não existindo qualquer validação científica que as sustente, nem o próprio se propõe apresentá-la, deveriam os seus créditos como homem da ciência ser consideravelmente restringidos. Uma vez que é o desempenho ético do cientista que está em causa. De qualquer modo, o debate é estranho à ciência e, nesse caso, os palcos mediáticos deveriam ser outros que não um... Museu da Ciência. O próprio Watson reconheceu o erro, quando declarou, a posteriori, que não existem bases científicas para as suas afirmações.
ADENDA: sobre este tema, recomendo um excelente comentário de Desidério Murcho no "De Rerum Natura".
ADENDA: sobre este tema, recomendo um excelente comentário de Desidério Murcho no "De Rerum Natura".
Subscrever:
Mensagens (Atom)
