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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Cartaz turístico

Ontem de madrugada, na fronteira de Vilar Formoso, foi detido e recambiado para a origem um grupo de "simpáticos" jovens finlandeses. Revistado o autocarro, foi encontrado diverso material propagandístico, destinado a uma acção de protesto contra a cimeira da NATO. Para acentuar a veemência revolucionária, vinham também alguns bastões, entre outros "argumentos" que fariam corar Gandhi e Tolentino de Mendonça. Obviamente, a "peregrinação" destes simpáticos nórdicos foi largamente subsidiada pelo generoso estado social do país da Nokia e dos mil lagos. O mesmo "estado social" que o patusco candidato Alegre diz ir defender com umas bengaladas acaciano-ditirâmbicas, caso seja eleito. "Trás, que é para aprenderem! Tomem disto, já que esta é a ditosa pátria minha amada e eu não tenho medo!" Mas voltemos ao tema principal: "o turismo religioso em período de cimeiras da nato no sudoeste peninsular". E aqui, confesso à puridade que este título dava uma tese de doutoramento e pêras!  Ora, segundo o BE, o "nosso" grupo de agitadores finlandeses, armados até às orelhas, não passa, afinal, de um grupinho de objectores de consciência. Uma deputada daquela força política veio logo repudiar, em letra de forma, a "detenção e tratamento arbitrários". Comovente, não acham, caros leitores e leitoras? Sim, rapaziada escuteira e assim! Afinal, só vinham exercer o seu direito de protesto!... Mas talvez fosse bom lembrar-lhes que, se não fosse a NATO, hoje seriam simplesmente uma província russa. Apesar da bravura com que os seus antepassados se bateram contra o Exército Vermelho no início da II Guerra. Quanto à esquerda caviar, para mim é um caso perdido. A ignorância da História, aliada  à demagogia e ao ressentimento social, só pode trazer maus resultados.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O vento que passa


Nas últimas eleições presidenciais, apoiei activamente a candidatura de Manuel Alegre. Para que conste. No entanto, desde cedo percebi o que os seus 1 200 000 votos representavam. Ou seja, pouco mais do que um capital de risco à mercê da voragem dos partidos e do pequenos e médios entertainers da política. Ou então, dito de outra forma, uma semi-vitória de Pirro. Que incomodou muita gente, é certo, mas incompatível com qualquer arranjo contabilístico a posteriori, ou qualquer apropriação para outros fins que não aqueles onde se esgotou. Alegre até deu uma mãozinha a este cenário. Não rompeu com o PS, como lhe competiria, nem abriu mão de qualquer nova alternativa política. As razões até são fáceis de explicar. A mais óbvia de todas é a sua "institucionalização" no interior do PS. O termo designa, precisamente, a incapacidade protagonizada por um prisioneiro de longa data em organizar a sua vida no exterior da prisão. A razão mais simples é o trivial esgotamento do seu discurso e do seu projecto político. Entretanto, o BE lançou uma OPA gigantesca tendo Alegre como objecto. A qual foi aceite, tendo como palco o célebre comício conjunto no Teatro da Trindade. Na prática, Alegre é hoje pouco mais do que um refém de luxo do BE. A sua validade política expirou quando optou pela evolução na continuidade. É um genuíno produto de um partido político, em modo parlamentar, mas que tenta desesperadamente camuflar o seu percurso. Aparecendo então como um candidato da "sociedade civil" e dos "cidadãos". Por todas as razões apontadas, e porque as diferenças saltam à vista, a minha atenção vai agora para a candidatura de Fernando Nobre. Muito em breve analisarei aqui mais em pormenor o seu significado.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

O beco


O que quer realmente este homem? Esticar a corda até alguém a largar do outro lado? Atracar o cacilheiro da saga da resistência ao albigense Louçã? Ganhar o prémio do sempre em pé que dá jeito a Sócrates, porque o país o julga acolitado de companhias tão recomendáveis? Continuar de forma masoquista dentro do PS, sem perceber que esta força política tudo fará para conservar o poder sem olhar a meios? Reeditar um frentismo para inconfidentes? Ser o arauto de um neo PRD dos desiludidos e não dos desfiliados? Este homem traz consigo um humanismo pungente e uma voz quente e tonitruante, é certo. Mas corre o risco de se tornar o idiota útil de Louça, depois de ter sido a um tempo a caução esquerdista de Sócrates. O negócio parece ser este: Alegre agiliza a transferência das suas "bases" para ambiências bloquistas; por sua vez, Louçã fornece a logística e a estridência programática. Um bom negócio para ambas as partes, ao que parece. Mas péssimo para quem não prevê nada de novo nesta Plataforma. Pouco mais do que um prolegómeno para um realinhamento que não é para levar a sério. Um lance táctico destinado a suprir uns buracos do cenário provável de um PS sem maioria absoluta nas próximas legislativas. Claro que há um défice de representação política na sociedade portuguesa. À esquerda e à direita. Claro que os partidos enfraquecem dramaticamente a luta política e a democracia. Claro que promovem a mediocridade e "matam" a política. Mas será este homem que irá mudar alguma coisa?