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segunda-feira, 15 de setembro de 2008

O regresso do emplastro

Este homem continua com actividade declarada nas finanças como político no activo. Deveria haver, em certos casos, um encerramento compulsivo aplicado a certos contribuintes em situação de relaxe. A ambiguidade semântica do termo é notável. O que permite, neste caso, equiparar a ausência de animus solvendi a um impertinente animus nocendi. Ou seja, a flagrante intenção de não pagar, de não assumir responsabilidades, seguindo o seu curso, aparecendo engalanada com propósitos punitivos, retaliadores. O homem tem mau carácter. Ponto. Tem a subtileza de um elefante numa loja de porcelanas. Na diplomacia ficou-se pela canhoeira. No fair play ficou-se pela magnanimidade de um hooligan. O homem tem também pesadelos frequentes. O mais possante é o do pavor de ser apagado da história. Aqui em algoritmo sequencial. O homem é do pior que já houve na vida pública em Portugal. Retirar-lhe o microfone é uma condição de elementar salubridade. Depois da queda, esperou sempre por uma vaga de fundo. Que nunca existiu. Com excepção de alguns amigos do peito, clones e clientelas autarquicas. Ao fim ao cabo, o seu habitat natural. De resto, no PSD a memória é mais curta do que é habitual. E mais implacável. O que significa que nunca haverá graça para quem caiu em desgraça. Este homem poderia até fazer germinar alguma dignidade, reduzindo-se ao limbo da sua insignificância. Mas o low profile e a ausência de números circenses da sua sucessora exasperam-no, para além de qualquer descrição. A juntar, a inglória queda da ribalta só amplificou, desmesuradamente e sem a mediação dos spin doctors, a verdade da sua natureza. É triste. Mas verdadeiro. Os plumitivos agradecem.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

O saltimbanco

Espero bem que o "Volta a Portugal", o périplo de Luís Filipe Menezes pelo país, contemple igualmente umas visitas relâmpago a Linhela, Lebução, Tronco, Pinelo, Coelhosa, A-do-Barriga, Algoso, Urros, Labruja, Bico, Cabração, Oldrões, Chazendo, Sobral de Casegas, Farroupa, Alfrivida, Folgas, Souto, Capelins, Funcheira, Sáfara, Brinches, Trevões, Prova, Freixedo, Besselga, Avelãs de Cima, Bajancos, Fármio, Chão de Vã, Lentiscais, A-do-Alho, Soalheira, Ciladas, Gafanhoeira, Tojais, Peladinho, Picota, Currais de Boeiros, Vaqueiros, Cães de Cima, Darei, Cassurães, Cunha Alta, Anais, Relíquias, Dossãos, Lações, Chorense e A-de-Parceira. Pode bem acontecer que o ar sadio do campo e a sageza das pequenas comunidades induza o líder do PSD a dizer menos disparates por cada cm3 de discurso. Vou estar atento.

terça-feira, 4 de março de 2008

O emplastro

Este homem é pior do que uma dor de dentes ambulante. Este homem causa efeitos secundários fora de toda a posologia. Este homem não tem uma única ideia para o país. O seu princípio de Peter é ser um mediano autarca suburbano. Mais do que isso, é uma afronta à inteligência e à res publica. Este homem é, afinal, um subúrbio de si próprio. Este homem é uma mistura de vendedor de banha da cobra e contorcionista. Onde chega, manda um soundbyte para o pagode. Que ninguém leva a sério, a não ser ele próprio. Este homem quer desmantelar, seccionar, despublicizar, descasinar, desmedicinar, descomentarizar, desnaturalizar. Num dia quer salvar o "Estado Social", no outro quer desmantelá-lo. Este homem é um vendedor de enciclopédias que não sai do bairro que votou nele. Um líquido fefrigerador em circuito fechado, esquecendo-se que o país existe. Que precisa de alternativas. Que tem problemas complexos para resolver. Que precisa de seriedade. Que está farto de tacticismo e de faz de conta. Este homem está quase a chegar ao prazo de validade. Para muitos, seria 2009. Todavia, o mais certo é nem sequer lá chegar. Assim, já não vamos saber por quantos iria perder contra Sócrates. Os barões do seu partido já andam impacientes. Uns lamentam abertamente o investimento. Outros já vão coçando os tomates, enquanto esperam sentados que o homem caia, como diz JPP. As "bases" da carne assada, por sua vez, não vêm o seu lugarzinho ao fundo do túnel, como lhes foi prometido. Este homem, porém, cometeu um feito notável: conseguir ser o pior desastre da vida pública nacional, desde que me lembro. Pior ainda do que Santana Lopes. É obra!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Tiroliroliro, ó ai meu bem!

Sócrates bem pode remodelar o seu Governo as vezes que quiser e como quiser. Até pode pôr uma ex-apoiante de Alegre nas presidenciais na pasta da Saúde, para acalmar os ânimos secessionistas do deputado. É que, se este arrastasse mais alguns consigo numa aventura a solo, a maioria absoluta ficaria em perigo. O primeiro ministro viu a tempo os sinais de alarme. Até se pode dar mesmo ao luxo de manter o engraçado Mário Lino e mais umas nulidades avulso. Ou rotativizar as nomeações. Sabem porquê? Porque, do outro lado, continua a dirigir o PSD aquela aberração que veio de Gaia . Acompanhado da sua corte de homens do norte (nada elitistas e nada liberais, carago, pelo farto na peituça, cospem para o chão e jogam às setas num alvo com a foto de Pacheco Pereira, quando os assessores de imagem estão distraídos) não só levará o PSD à desintegração, como será o melhor seguro de vida a que Sócrates poderia ambicionar até 2011.