O Manuel Domingos, sempre bem vindo neste blogue, passou-me a batata quente para a mão: que dê a conhecer, urbi et orbi, a quinta frase da página 161 do livro com quem ando por estes dias enrolado. Pois bem, caro amigo, vou desiludir-te e, porventura, os leitores. Trata-se, nem mais nem menos, do que o "Prontuário de Formulários e Trâmites", volume I (Processo Civil Declarativo), de Joel Timóteo Pereira. E o pretendido parágrafo reza assim: "O processo em papel deixa de ter informação e documentos repetidos (por exemplo, cópias de notificações ou cópias do mesmo despacho enviado às diferentes partes) ou que não sejam relevantes para a decisão material da causa (por exemplo, conclusões) e, além disso, passa a estar mais bem organizado com marcadores das peças e documentos mais importantes". E pronto! Boa Páscoa e amendoinhas!
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quinta-feira, 12 de março de 2009
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Lido
Extractos do artigo "Apodrecer ao sol", de Vasco Pulido Valente, no "Público" de sábado:
A velha Sedes (com gente nova) veio agora anunciar [...] que Portugal está na iminência de “uma crise social de contornos difíceis de prever”. O prestígio e o peso de quem fala merece, em princípio, que se ignorem as preocupações do dia-a-dia, para ouvir e pensar. Em que funda a Sedes [...] um aviso tão melodramático e severo? Em essência, na “degradação da confiança”. O país deixou de acreditar no “sistema político” e, em particular, nos partidos, de direita ou de esquerda, e esse crescente cepticismo ou, se preferirem, esse quase universal cinismo poderá levar ao rápido fracasso da democracia representativa. Ou, pelos menos, de uma democracia representativa, por assim dizer, “normal”. [...] O remédio da Sedes para este desastre é, como se esperaria, pedir aos partidos que promovam uma “elite de serviço” e se coíbam de interferir abusivamente na vida do país. Nunca com certeza a preveniram que as meninas não reformam o bordel. Como nunca com certeza lhe explicaram que andam por aí há anos “derivas populistas, caciquistas, personalistas”, para qualquer gosto ou vício. No fundo, os senhores da Sedes não percebem que nenhuma “crise social” (que fazem eles senão descrever sem grande originalidade a que neste momento vivemos?) põe em perigo o suave arranjo da política portuguesa, enquanto Portugal pertencer à “Europa”: e os partidos sabem isso muito bem. O destino de Portugal é, como sempre foi, apodrecer ao sol.
A velha Sedes (com gente nova) veio agora anunciar [...] que Portugal está na iminência de “uma crise social de contornos difíceis de prever”. O prestígio e o peso de quem fala merece, em princípio, que se ignorem as preocupações do dia-a-dia, para ouvir e pensar. Em que funda a Sedes [...] um aviso tão melodramático e severo? Em essência, na “degradação da confiança”. O país deixou de acreditar no “sistema político” e, em particular, nos partidos, de direita ou de esquerda, e esse crescente cepticismo ou, se preferirem, esse quase universal cinismo poderá levar ao rápido fracasso da democracia representativa. Ou, pelos menos, de uma democracia representativa, por assim dizer, “normal”. [...] O remédio da Sedes para este desastre é, como se esperaria, pedir aos partidos que promovam uma “elite de serviço” e se coíbam de interferir abusivamente na vida do país. Nunca com certeza a preveniram que as meninas não reformam o bordel. Como nunca com certeza lhe explicaram que andam por aí há anos “derivas populistas, caciquistas, personalistas”, para qualquer gosto ou vício. No fundo, os senhores da Sedes não percebem que nenhuma “crise social” (que fazem eles senão descrever sem grande originalidade a que neste momento vivemos?) põe em perigo o suave arranjo da política portuguesa, enquanto Portugal pertencer à “Europa”: e os partidos sabem isso muito bem. O destino de Portugal é, como sempre foi, apodrecer ao sol.
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