"Doravante". Um dos advérbios menos utilizados da nossa língua. Uma tremenda injustiça. Pois o termo, para além de uma peculiar musicalidade, resulta provavelmente de uma corruptela, ou seja, uma forma abreviada de "daqui em diante". Uma evolução que não precisou de nenhum "acordo" "ortográfico" ou alarvidade semelhante. Para colmatar a injustiça, sirvo-me dela abundantemente. Especialmente em requerimentos forenses. "Daqui em diante", "daqui para a frente", "futuramente", têm o selo de uma arrogância potestativa, de um furioso dedo em riste. Ao invés, "doravante" soa quase a um recado cúmplice, sem que isso lhe retire a firmeza...
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
sábado, 24 de dezembro de 2011
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
A casa (19)
Sua queda / é o salto da água / congelada no salto: tempo petrificado.
Não procuram terra: procuram um corpo, / tecem um abraço.
Cai durante anos e anos / em linha recta.
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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
A caverna, de novo
O homem foge da sua sombra anterior para a sua luz futura.
Aforismos, Teixeira de Pascoaes, selecção e organização de Mário Cesariny
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
As portagens (2)
Sob o título "Contra Lisboa, Marchar, Marchar", o último editorial do Jornal "O Interior" (08.12.2011) situa de forma acertada a questão das portagens electrónicas, recentemente activadas nas ex SCUT. O texto pode aqui ser lido na íntegra.
Uma nota, a propósito. É consensual a condenação de como e quando as portagens foram impostas e anunciadas. E do silêncio ensurdecedor dos responsáveis políticos locais. Sobretudo, aquele que veio dos deputados eleitos pelo distrito. Mas, como o director do jornal refere, há que tirar também algumas conclusões sobre a forma como o debate foi conduzido e a contestação foi feita. Neste caso prevaleceu o simples e demagógico "não pagamos". Algo que, embora compreensível, não deveria tomar o lugar da razoabilidade e do bom senso. Sabendo-se até que o pagamento seria inevitável, mais cedo ou mais tarde. Isto é, deveria ter havido uma concertação prévia, cuja ordem de trabalhos passaria pela criação de outras formas de pagamento e da tal tarifa "social" para o interior, a extensão das isenções, etc. A entidade negociadora poderia ser uma uma comissão formada ad hoc por autarcas das regiões envolvidas, agentes económicos e representantes dos utentes.
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