Depois de um interregno de um ano e meio, a revista Ler voltou às bancas, em grande estilo. Dirigida, desta feita, por Francisco José Viegas, que assim retoma funções que já desempenhou entre 1989 e 2000. A publicação aparece com novo arranjo gráfico, novos colaboradores permanentes e com periodicidade mensal. Neste número, destaque para uma extensa entrevista ao maior escritor português vivo, António Lobo Antunes, conduzida por Carlos Vaz Marques; uma compilação dos "50 autores mais influentes do séc. XX", por José Mário Silva, que já conhecia enquanto autor do incontornável blogue "Bibliotecário de Babel"; um artigo sobre Eduardo Lourenço, por Miguel Real; uma excelente crónica de Eduardo Pitta; o regresso de Fernando Sobral, meu ex-colega na Universidade e uma selecção de propostas editoriais criteriosa, incluindo a publicação dos respectivos excertos. Razões mais do que suficientes para seguir com atenção este renascer de uma publicação de referência nestas "coisas" dos livros. sexta-feira, 2 de maio de 2008
A nova "Ler"
Depois de um interregno de um ano e meio, a revista Ler voltou às bancas, em grande estilo. Dirigida, desta feita, por Francisco José Viegas, que assim retoma funções que já desempenhou entre 1989 e 2000. A publicação aparece com novo arranjo gráfico, novos colaboradores permanentes e com periodicidade mensal. Neste número, destaque para uma extensa entrevista ao maior escritor português vivo, António Lobo Antunes, conduzida por Carlos Vaz Marques; uma compilação dos "50 autores mais influentes do séc. XX", por José Mário Silva, que já conhecia enquanto autor do incontornável blogue "Bibliotecário de Babel"; um artigo sobre Eduardo Lourenço, por Miguel Real; uma excelente crónica de Eduardo Pitta; o regresso de Fernando Sobral, meu ex-colega na Universidade e uma selecção de propostas editoriais criteriosa, incluindo a publicação dos respectivos excertos. Razões mais do que suficientes para seguir com atenção este renascer de uma publicação de referência nestas "coisas" dos livros.
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quinta-feira, 1 de maio de 2008
As palavras dos outros
(...) Vou cotejando a crónica dos noticiários e apercebo-me do estado a que chegou o país das "novas oportunidades", do "empreendedorismo", "dos jovens empresários", "das novas empresas" e da "excelência". Um pesadelo cansado, com vincos de exasperação na comissura dos lábios, com funcionários cansados e vigiados, denúncias e processos disciplinares, polícias maltrapilhos e juízes resignados e impotentes entretendo-se em macaquear a habitualidade da justiça e da segurança em que já ninguém acredita. Assim também já esteve Portugal há muito, muito tempo. Sabemos como terminou a aventura da incompetência desses tempos. As "democracias latinas" são as maiores amigas dos ditadores.
Domingo à tarde
Vão discutir-se amanhã, na A.R., três projectos de lei referentes ao horário de abertura dos hipermercados (área superior a 2 000m2) aos domingos e feriados. Como se sabe, actualmente, e ao abrigo da portaria 153/96 de 15 de Maio, os hipermercados estão proibidos de abrir ao público aos domingos e feriados entre os meses de Janeiro a Outubro, podendo contudo abrir entre as 08:00 e as 13:00 de igual período. Neste momento, corre na blogosfera uma petição contra a abertura. Coincidência ou não, as propostas do BE e do PCP vão no sentido do encerramento aos domingos e feriados, extensível a todos os estabelecimentos de venda ou público ou prestação de serviços, embora a última abra algumas excepções. A justificação é a "defesa do comércio de proximidade" e a inversão da "desertificação dos centros das cidades". A proposta do PSD, invocando a liberdade de comércio e a desregulamentação, prevê a abertura desses estabelecimentos, incluindo os localizados em centros comerciais. No entanto, remete essa decisão para as autarquias respectivas. É que, se em alguns casos, um período de funcionamento alargado poderá ser benéfico para os consumidores e criar mais emprego, noutros poderá afectar gravemente o comércio tradicional. E serão as Câmaras aquelas que melhor avaliação poderão fazer destas situações. Esta proposta parece ser a mais equilibrada. Não faz qualquer sentido impor administrativamente um horário de funcionamento restritivo para determinados estabelecimentos, não aplicável a outras superfícies com praticamente a mesma área. Por outro lado, é bom começar a acabar com o mito do coitadinho e honrado comércio tradicional. Ou metê-lo a todo no mesmo saco. Há sectores e estabelecimentos onde se nota um notável esforço de reconversão, de especialização da oferta, abertura de lojas gourmet, fixação de horários de abertura diferenciados, oferta de serviços complementares, pensando no bem estar dos clientes, etc. A falta de imaginação, de conhecimento e de esforço são os maiores inimigos do comércio tradicional. Alguém, no seu perfeito juízo, acredita que será o encerramento dos hipermercados aos domingos e feriados que o irá salvar?Uma nota curiosa: sectores ligados à Igreja tomaram posição contra a abertura dos hipermercados ao domingo. A razão invocada é a defesa da família. Sinceramente, não sei que tipo de tentações demoníacas poderão atacar o consumidor que, por não haver mais nada aberto, ou porque o domingo é um dia propício às compras semanais, se desloca a uma grande superfície nesse período. Será que a dona de casa que vai ao hiper da zona será por isso uma mãe de família pecaminosa? Enfim, quando é que a Igreja aprende a não se intrometer na liberdade e na autonomia de cada um, seja ou não cristão? E que tal se esta promovesse a abertura de estabelecimentos de aconselhamento e conforto espiritual nos centros comerciais, abertos ao domingo? Faço esta proposta com toda a seriedade que ela merece. Depois queixem-se de que o rebanho está a diminuir...
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quarta-feira, 30 de abril de 2008
"Deus, Pátria, Autoridade", reloaded
Ontem passou no TMG o filme "Deus, Pátria, Autoridade". Trata-se de um documentário de Rui Simões, produzido em 1975 a partir de imagens de arquivo. E que pretende ilustrar a marcha da história no Portugal do séc. XX, especialmente a partir do declínio do Estado Novo. O título advém da invocação da célebre trilogia durante um discurso de Salazar, em 1936. Este registo constitui uma pérola da propaganda difundida por círculos ligados ao PCP, durante o PREC. O conteúdo programático não deixa lugar a dúvidas. Lê-se como um livro aberto. A ganga marxista está lá toda: a luta de classes, onde o "povo" aparece sob a forma de anjos imaculados arrotando palavras de ordem e palitando os dentes depois de uma sande de coiratos; a "burguesia" como uma galeria de personagens sinistras, fúteis, sádicas, que vivem para explorar o "bom selvagem" proletário. Os mesmos que detêm os "meios de produção" e tomaram conta da superestrutura política e ideológica (o Estado Novo e o "façismo"). Os mesmo que sustentaram uma guerra colonial destinada a assegurar os "lucros" de meia dúzia de exploradores e colonialistas sanguinários (neste ponto é curioso estabelecer uma comparação entre o rigor e a competência do documentário "A Guerra", de Joaquim Furtado e esta peça propagandística). Uma fábula onde só há os "bons" e os "maus". E com um final feliz, para sossego das consciências: a "evidência" da superação do materialismo dialéctico, o créme de la créme da vulgata marxista. Como? Pois bem, através do "fim da luta de classes", da marcha inexorável da história, conduzida na altura pela V Divisão, os governos do General Vasco Gonçalves e um vasto lumpen ululante, devidamente pastoreado pelos factotum comunistas. Era este o cenário que se perfilava no momento. Uma peça para um único personagem, "o povo escolhido", isto é, o proletariado. Formado pelo operariado fabril, intelectuais "progressistas", camponeses pobres", assalariados rurais e alguns burgueses transviados, depois de feito o indispensável acto de contrição. Neste ponto, a pequena-burguesia foi convenientemente silenciada, pois esperava-se que fosse a reboque dos actores privilegiados da História. Também a saga reivindicativa que hoje subsiste nos meios ligados ao PCP: os culpados são sempre os outros, o ressabiamento, a menoridade cívica, a endogamia. Para os comunistas, o uso das capacidades próprias e a iniciativa individual como factores de criação de riqueza são olhadas com desprezo; a essência dos indivíduos é determinada pela sua existência social, enquanto actores colectivos, convenientemente ensaiados para um só palco, a História pré-determinada e finalista. Depois, há pormenores deliciosos, como a desconfiança perante a autogestão, vista como um perigoso desvio pela ortodoxia pró-soviética. Ou os momentos em que é dada a voz ao bom povo, que papagueia um guião tosco e "normalizado", generosamente fornecido pelos agentes do aparelho comunista e engages avulso em voga na altura. O expediente mais não é do que uma forma insidiosa de paternalismo, ideologicamente orientado. Por último, a ira de um agricultor ribatejano, depois de lhe terem tirado a posse da sua terra, após uma questão judicial. Se a equipa de realização estivesse mais atenta, daria conta de que os desabafos perante as câmaras deste João Semana têm a ver unicamente com uma disputa de propriedade, cujo direito ele invoca urbi et orbi. Ora, segundo os comunistas, a propriedade é um roubo, uma indignidade. Enfim, distracções... Esta obra é, digamos, um poderoso registo acerca da cartilha marxista-leninista aplicada com fervor à revolução em curso em 1975. Está lá tudo o que é preciso saber sobre uma doutrina e uma prática política que quase triunfaram em Portugal. Não sem alguma ironia, um filme com propósitos documentais acabou por ser o melhor testemunho do ambiente político e ideológico que o determinou.terça-feira, 29 de abril de 2008
Belisquem-me, por favor!
Atenção, senhores passageiros! É favor apertar os cintos! A aterragem será difícil e imprópria para pessoas mais sensíveis. Último aviso: preparem-se para o embate. Aí vai: "PCP acusa Governo de «subestimar» problema da «insegurança»". O "C" da sigla partidária não está a mais nem é Paulo Portas o acusador, mas o gauleiter Jerónimo, el rojo. Não acreditam? leiam aqui. E mais não digo.
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