quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Doze moradas de silêncio



hoje é dia de coisas simples
(Ai de mim! Que desgraça!
O creme de terra não voltará a aparecer!)
coisas simples como ir contigo ao restaurante
ler o horóscopo e os pequenos escândalos
folhear revistas pornográficas e
demorarmo-nos dentro da banheira
na ladeia pouco há a fazer
falaremos do tempo com os olhos presos dentro das
chávenas
inventaremos palavras cruzadas na areia... jogos
e murmúrios de dedos por baixo da mesa
beberemos café
sorriremos à pessoas e às coisas
caminharemos lado a lado os ombros tocando-se
(se estivesses aqui!)
em silêncio olharíamos a foz do rio
é o brincar agitado do sol nas mãos das crianças
descalças
hoje

Al Berto

Já lá vão 104!


Tudo começou na zona de Belém. José Rosa Rodrigues, que seria o primeiro presidente do Sport Lisboa, foi um dos que participaram no primeiro treino do clube. Foi no dia 28 de Fevereiro de 1904, entre as 11h e as 12h30, nos terrenos da Companhia dos Caminhos de Ferro, que ficam entre a linha de comboio Cais do Sodré-Cascais e a sul da casa do Duque de Loulé, perto do sítio onde hoje fica a Praça do Império. Ainda no mesmo dia, os fundadores do clube, entre eles Cosme Damião, juntaram-se na Farmácia Franco, na Rua Direita de Belém (nº 147) e estabeleceram as bases gerais da nova agremiação. O nascimento do Sport Lisboa é assim contado no livro "Benfica, 90 anos de glória", escrito por António Manuel Morais, Carlos Perdigão, João Loureiro e José de Oliveira Santos. O Sport Lisboa, que efectuou o primeiro jogo contra o Campo de Ourique a 1 de Janeiro de 1905 (venceu por 1-0), viveu quatro anos só, antes de a 13 de Setembro de 1908 se fundir com o Sport Clube de Benfica, dando origem ao Sport Lisboa e Benfica, o Benfica dos nossos dias, que remete a sua fundação para 28 de Fevereiro de 1904.

in suplemento P2 do "Público" de hoje

Playlist da casa (5)



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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

O vozeador azul

Alguém disse um dia que pior do que mudar de ideias é não ter ideias para mudar. De acordo. Até diria mais: por vezes, é mesmo necessário mudar de ideias, de modo a fortalecer as convicções. É óbvio que isto nada tem a ver com questões tácticas ou com alterações de circunstância. Advem, isso sim, do livre-arbítrio, do querer submeter-se à prova incontornável dos factos. É sobretudo um exercício de humildade e de bom-humor. Tudo isto, a propósito de quê? Em tempos, o senhor da fotografia teve em mim um fervoroso adepto das suas crónicas políticas, lúcidas e desassombradas. E da sua postura politicamente incorrecta. Dos livros, gostei de ler o "Sul" - talvez o melhor exemplo de literatura de viagens que se publicou nos últimos tempos em Portugal - e, um bocadinho menos, o "Equador". O "Rio das Flores" ainda não li. Sejamos claros: este senhor tem toda a legitimidade para ter a sua paixão clubista, incluindo defendê-la publicamente em termos críticos. Mesmo que isso envolva algumas opiniões de que não se goste, como é o caso. O que não permite, de todo, é o uso e abuso de uma linguagem xenófoba, facciosa e eivada de falsidades, quando fala dos seus rivais. A sua última crónica no jornal "A Bola" (link para assinantes) é disso exemplo. Onde soma alarvidades e comparações inadmissíveis sobre lances polémicos do futebol. Não é que esse seja um tema de que aqui se fale muito. No entanto, em questões relativas a deformações de carácter e desonestidade intelectual, o meio em que se revelam é-me indiferente. Enquanto figura pública credível, este senhor morreu para mim. Paz à sua alma.

José Matias revisitado

Nem sei como isto aconteceu, senhor doutor... Eu amava-a está a ver? Sim, estava a ver perfeitamente. Ele estava ali, sentado à minha frente, titubeando frases desgarradas, com castelhanismos à mistura. Vinte e poucos anos. Não usava truques, uma indignação forçada, nem sentimentos postiços ao serviço da negação, como me habituei a ver nesta profissão. "Conte lá, homem"... Estava para casar com ela. Já estava tudo arranjado. Ainda fiz mais uma temporada em Espanha, para juntar alguma coisa. Quando cheguei, ela já não me queria ver. Tinha arranjado outro. Quis falar-lhe mas ela não queria falar comigo. Fui várias vezes até à casa onde ela agora vivia. Ficava lá horas à espera que me dissesse alguma coisa, pois sabia que eu ali estava, à sua espera . E aquilo aconteceu em duas vezes que lá fui. "Aquilo" queria dizer que foi apanhado por duas vezes a conduzir sem carta. À segunda, a coisa estava a sair-lhe cara. Como não deu sinal de si, foi declarado contumaz (uma situação de menoridade cívica, em que se fica impossibilitado de obter documentos e qualquer benefício junto da administração pública). Tinha chegado no dia anterior e veio directamente do tribunal, onde a interdição acabara de ser levantada, para que lhe tomasse conta da situação. "Pois bem, primeiro que tudo, vamos tratar de lhe renovarem os documentos, ouviu?" Posso fumar? "Fume à vontade, homem." Percebi claramente que a busca de si próprio estava longe de ser o empossamento numa identidade que o Estado aleatoriamente lhe iria reconhecer. Para fins completamente alheios a essa busca, que só aqui começara e estava longe, muito longe do seu fim. "Então, e neste tempo todo, o que andou a fazer?" Foi para Espanha, lá me contou. Andou aqui e acolá, trabalhando na agricultura onde calhasse. Olhei para ele. Lembrei-me, não sei porquê, do José Matias, o personagem que deu o nome ao conhecido conto de Eça de Queiroz. O pobre José Matias, cujo amor desesperado e silencioso por Elisa o levou deste mundo! Ou demasiadas inquietações metafísicas e Malebranche. Mas aqui, nem fumos de tragédia, só vidas difíceis. Ocorreu-me também como o egoísmo é vivido de forma subtilmente diferente por homens e mulheres. Os primeiros colocam-se, quase sempre, no centro dos seus problemas. As mulheres, pelo contrário, colocam os seus problemas no centro de tudo. É claro que guardei para mim esta última reflexão. Não fosse ele outra vez rondar a sua Elisa. Sem carta de condução. "Então, começamos por onde? Cartão de contribuinte, ou bilhete de identidade?"

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Momentos Zen - 35

Ocultar a ponta da lança dentro de um sorriso

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Fica p'ró próximo...

O Centro Comercial VIVACI, a inaugurar na Guarda pelo Outono, irá ser assim:


Eis algumas soluções alternativas, com a ajuda de Escher: