terça-feira, 26 de junho de 2007

Vida de artista


Há dez minutos, no Karamelo Club, em Ibiza, ganhando 100 linden à hora por estar a dançar. Nada mau.

Post it

"Lo prometido es deuda" é um site espanhol deveras curioso. Como se explica na entrada, trata-se de um Wiki (i.e. os dados são organizados de forma participada, como na Wikipédia) para recordar a todos os políticos que tudo o que prometam pode ser utilizado contra si. O objectivo é, basicamente, recompilar tudo o que aqueles incluem nos seus programas eleitorais, e depois reunir quais as promessas que realmente foram cumpridas. Fica assim comprovado o grau de fidelidade dos políticos àquilo que anunciam. A iniciativa nasceu a partir das recentes eleições autonómicas e municipais. Todos os dados podem ser consultados por ordem alfabética, escolhida a região ou localidade, força política e tema respectivos. Gostava de ver uma web destas por cá. A contabilidade seria desastrosa.

O prémio

domingo, 24 de junho de 2007

O vento

Quase nunca a solidão dá a conhecer o seu verdadeiro rosto. Na maioria dos casos, evocamo-la como uma fábula, ora mais doce ora mais assustadora, consoante o efeito pretendido. Adornamo-la como um falso pressentimento, um anticlimax de Carnaval, um temor descartável. Muitas vezes é a mentira de recurso para chegarmos à verdade. À sombra da qual nos encostamos, sem nunca inverter o paradoxo. Em determinadas circunstâncias, aparecem tímidos sinais, sons longínquos e quase sempre desconcertantes, que poderiam iluminar toda uma vida. Aí, o processo é o inverso: os acenos da verdade transformam-se na mais prolixa das mentiras. E, assim, a opus magnum da aceitação de uma condição fundamental dá lugar à ilusória familiaridade com a vertigem. Perante a qual, curiosamente, mudamos de passeio mal nos cruzemos com ela. Todavia, há momentos em que o encontro é inevitável. Então descobrimos que o que nos assusta não é o que esperaríamos encontrar, mas precisamente o que lá não está. E que uma manobra de diversão não se destina a encobrir o medo, mas o desacerto. A solidão é, talvez, uma impossibilidade que transformamos numa probabilidade, num risco, numa assombração. Outra coisa é o rosto neutro do desamparo absoluto, quando por vezes mostra a sua face brutal. Capaz de derrubar as mais robustas compleições, as mais sólidas certezas. Ocasionar uma irreversível contagem decrescente. Ou então, simplesmente, atiçar o fogo.

Momentos Zen - 9

Gosto da realidade. Sabe a pão.

Ver anterior
Quando a suprema dor muito me aperta,
Se digo que desejo esquecimento,
É força que se faz ao pensamento,
De que a vontade livre desconcerta.

Assim, de erro tão grave me desperta
A luz do bem regido entendimento,
Que mostra ser engano ou fingimento
Dizer que em tal descanso mais se acerta.

Porque essa própria imagem, que na mente
Me representa o bem de que careço,
Faz-mo de um certo modo ser presente.

Ditosa é, logo, a pena que padeço,
Pois que da causa dela em mim se sente
Um bem que, inda sem ver-vos, reconheço.

Luis de Camões

sábado, 23 de junho de 2007

Album de família

Veja-se com atenção esta foto de "família" obtida no último Conselho Europeu, às voltas com o imbróglio do tratado constitucional. Em parte causado pelos irritantes e empatas gémeos polacos. Nada nesta imagem nos diz o que cada um pensa. Pois com a ajuda do meu anjo da Guarda, consegui descortinar os pensamentos íntimos destes senhores. Assim, de cima para baixo e da esquerda para a direita:
1. Acabem lá com esta seca, pois estou mortinho por ir dar uma mija.
2. Eh pá, depois disto vou mas é ganhar a vidinha como duplo do Tabucchi. Ou, com uma peruca à maneira, do Sala. Sem nada, passarei pelo fantasma do Pessoa. Farei tudo só para não ouvir dizer que sempre quis ser uma drag queen. Estou farto!
3. Pronto, tinha que ser! Quelcuno se peidou! Se calhar foram os malditos gemelli que mandaram uma bombinha de carnaval, solo per chateare la testa.
4. Hummm, vous êtes dans la suite 42! Seule ou acompagné?
5. Oh! You're a nutty boy!
6. Eu bebia mas era uma guiness e punha-me a cantar "I wish my love was a red red rose" em gaélico. Espera lá, quem é este cromo aqui à frente a compôr a gravata?
7. Esto me recuerda cuando yo era un joven escuteiro en los acampamientos en Astúrias y al final cantavamos todos al redor del fuego. Me dicen que parezco un idiota. Todavia mi mujer no lo cree.
8. Ainda me lembro quando era chavalo. Aquilo era só smarties e sugos. E aquelas praxes malucas que fazíamos aos novatos!? Quando estive internado ainda levei alguns choques eléctricos. Ainda bem, pois assim "abracei a carreira política", como diz o pessoal lá do bairro, dando cotoveladas (eu bem noto!). Eh, eh,eh!
9. Eu fui ó jardim celeste, giroflé, giroflá... Caramba, já não falta muito para receber esta malta amiga lá em "baixo". Quem diria, hemmm! Certo é que já vou na página 74 de "O Perfeito Cavalheiro", que em boa hora a Fernanda me ofereceu. É aquela parte de como estar à mesa. Foi mesmo a tempo. Entretanto deixa-me cá compor o nó à gravata. Eu devia era andar de capacete, como os meus "colegas" quando vão às obras.
10. É hoje, é hoje! Esperei trinta anos por isto! Querem ver, querem? "Hello, my name is Bond. James Bond." Que tal?