quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

A onda

É você que está farto do constante massacre publicitário em algumas rádios? De flashes noticiosos entediantes e com os apresentadores a repetirem a mesma notícia ad eternum? De locutores com voz de bagaço logo de manhã, como funcionários renitentes em picarem o ponto? De ouvir o Phil Collins, o Brian Adams e os pesos-pesados do mainstrem? De concursos idiotas e um sentido de humor bocejante? Quer ouvir verdadeiros debates e rubricas temáticas com um painel de convidados de luxo e não tem onde?
Se a resposta for afirmativa, nem hesite: ouça sem restrições a Rádio Europa (já sinalizada neste blogue). Poderá sintonizá-la em 90.4 fm na Grande Lisboa, ou em streaming a partir do site, onde quer que se encontre. Não dará o tempo por perdido. Em termos musicais, o Jazz impera, numa escolha criteriosa e heterodoxa. A crónica temática sucede-se, abarcando os mais variados temas, na cultura, na política, na gastronomia, na ciência, nas novas tendências, etc. A informação é do melhor. Ufa!

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

À espera de Godot

Já aqui se beliscou ao de leve o alvoroço atlântico provocado pela demissão de Jardim. Como é sabido, o peronismo manso e edificante instalado na Madeira há 30 anos está a meio caminho entre o reinado de D. Pedro, o Cruel e um keynesianismo insuflado pela generosidade dos sucessivos Governos da República, para quem os deputados madeirenses eram o sagrado penhor limiano no Parlamento. Todavia, por muito que custe a alguns, a "democracia" madeirense não é muito diferente da de Sócrates. É talvez mais ruidosa, mais garrida, mais chocarreira. O contínuo e escandaloso desfile de yes man pelas prebendas do Estado, a ocupação de cargos públicos pelos boys e girls disponíveis só pode aconselhar este entendimento. Experimentem ser voz dissonante no que toca às regras de admissão para um cargo público, ou de concessão de determinada empreitada, ou de licenciamento de determinada actividade, ou à "boa prática" de determinado comissário destacado num "serviço público" ou de um político eleito pelas cores da maioria. Verão o que acontece. Terão em cima de vós uma boa dose de arrogância e dificuldades. A mediocridade, a incompetência e a proximidade dos favores do poder andam de mãos dadas. Será que Sócrates é mais autoritário do que Jardim? Talvez não. Simplesmente dissimula o seu muito melhor. É o representante de uma espécie de cavaquismo científico, onde nada é deixado ao improviso, ou à arbitrariedade. Com a suave complacência da comunicação social, é claro. E com a bênção de quem ainda não percebeu isto.

SLB

Eis a visão inefável de uma paixão para toda a vida. Mesmo não se sendo "bom" e, muito menos, "pai de família", como é o caso do escriba. O resto ainda é conversa.

A palavra

"Ah, mas que significam os versos, quando os escrevemos cedo! Devia-se esperar e acumular sentido e doçura durante toda a vida e se possível durante uma longa vida, e então, só no fim, talvez se pudessem escrever dez versos que fossem bons. Porque os versos não são, como as gentes pensam, sentimentos (esses têm-se cedo bastante), – são experiências. Por amor de um verso têm que se ver muitas cidades, homens e coisas, têm que se conhecer os animais, tem que se sentir como as aves voam e que se saber o gesto com que as flores se abrem pela manhã. É preciso poder tornar a pensar em caminhos em regiões desconhecidas, em encontros inesperados e despedidas que se viram vir de longe, – em dias de infância ainda não esclarecidos, nos pais que tivemos que magoar quando nos traziam uma alegria e nós não a compreendemos (era uma alegria para outro -), em doenças de infância que começam de maneira tão estranha com tantas transformações profundas e graves, em dias passados em quartos calmos e recolhidos e em manhãs à beira-mar, no próprio mar, em mares, em noites de viagem que passaram sussurrando alto e voaram com todos os astros, - e ainda não é bastante poder pensar em tudo isto. É preciso ter recordações de muitas noites de amor, das quais nenhuma foi igual a outra, de gritos de mulheres no parto e de parturientes leves, brancas e adormecidas que se fecham. Mas também é preciso ter estado ao pé de moribundos, ter ficado sentado ao pé de mortos no quarto com a janela aberta e os ruídos que vinham por acessos. E também não é ainda bastante ter recordações. É preciso saber esquecê-las quando são muitas, e é preciso ter a grande paciência de esperar que elas regressem. Pois as recordações mesmas ainda não são o que é preciso. Só quando elas se fazem sangue em nós, olhar e gesto, quando já não têm nome e já não se distinguem de nós mesmos, só então é que pode acontecer que, numa hora muito rara, do meio delas se erga a primeira palavra de um verso e saia delas."

Rilke, “Os Cadernos de Malte Laurids Brigge”, tradução de Paulo Quintela, ed. “O Oiro do Dia”, Porto, 1983

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Já falta pouco

Sobre o futuro não muito distante de um formato digital do jornal, obrigatório ler este texto de JPP no "Abrupto". Uma folha de papel electrónico, com um microchip incorporado, de modo a que seja actualizada ao longo do dia, por meio de wireless, parece um conto de ficção científica. Mas, na verdade, só ainda o é porque a tecnologia necessária ainda é cara e não suficientemente testada.

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Curtas

A ler com atenção "A fraude: a esquerda multiculturalista", de Henrique Raposo, no blogue da Revista Atlântico. Ficámos elucidados como este novo "nacionalismo das minorias", propalado pela esquerda "moderna" se pode tornar tão pernicioso como outro nacionalismo qualquer.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Preces atendidas - 1

Marlene Dietrich