Tenho recebido algum junk mail e lido comentários enaltecendo as virtudes da capacidade de contestação dos gregos, face às medidas de austeridade. O evidente propósito desta prosa é, a contrario sensu, realçar pela negativa um alegado conformismo nacional, face a idênticas medidas, tomadas no âmbito do acordo da troika. É com esta vulgata populista que muitos se entretêm e decidiram entreter os outros. Ou seja, derramar lágrimas pela perda de uma fatia dos rendimentos pelos trabalhadores por conta de outrem. Estes incontinentes são os mais fidedignos cães de guarda de um edifício que já ninguém pode pagar. Porque o sector privado produtivo já não gera riqueza que suporte o chamado estado social. Um colosso que certamente nos ancora numa zona de conforto de onde é penoso sair. Mas que, provavelmente, serão ainda os nossos bisnetos a pagar. Obviamente, a lição grega é fundamental para sabermos para onde queremos ir. Diria mais. Se queremos ou não conservar a soberania. Ficámos a saber, por exemplo, que a dimensão dos protestos na rua é indiferente: limita-se a criar ondas de fumo espalhadas pelos media e ocupar os analistas de serviço. Que a abordagem feita ao "caso grego" (que está longe de ser o "milagre" dos tempos helénicos) é puramente empírica - de sujeito para sujeito, de favor - ou convencional - do sujeito limitado pelo objecto. Longe uma visão que compare, que enquadre, que realce o que (ainda) lá não está. Tal e qual como na apreciação que se faz de um objecto artístico. Os gregos já perderam muito mais do que nós. Tanto mais que lá o descontrolo das contas públicas era crónico e "colossal". E o clientelismo um modo de vida, numa cleptocracia tolerada por Bruxelas e Berlim. Arriscam-se agora a serem banidos da zona euro. Portanto, cada vez têm menos a perder. E nós?
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
A fábula do pavão
A escola do filho de Sócrates em Paris: ex-primeiro-ministro foi posto na ordem em França. É este o título de uma história deliciosa ocorrida recentemente na escola frequentada pelo filho do ex primeiro ministro. Contada por Paulo Pinto Mascarenhas na coluna "Correio Indiscreto", no "Correio da Manhã". Há um célebre ditado onde se diz que "burro velho não aprende línguas". Pelos vistos, Sócrates nunca irá perder os seus traços de carácter mais detestáveis. Tolerados durante demasiado tempo por um país que levou à ruína. Saibam aqui todos os pormenores.
A casa (13)
O salto da onda / mais branca / cada hora / mais verde / cada dia / mais jovem / a morte
Os lábios e as mãos do vento / o coração da água
A meio da noite / verte, / no ouvido de seus amantes, / três gotas de luz fria.
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quarta-feira, 2 de novembro de 2011
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Lido
A primeira consequência da publicação da notícia da tentativa de Sócrates em influenciar o voto no OE2012 é que António José Seguro optará pela abstenção. Não existe outra possibilidade pois, se votasse contra, a sua liderança ficaria abalada pela dúvida sobre, afinal, quem manda no partido. A segunda consequência é o desgastar crescente da liderança de Seguro, aproximando-se cada vez mais o dia em que subirá à liderança um dos fiéis do socratismo.
Alexandre Homem Cristo, em "O Cachimbo de Magritte"
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