terça-feira, 15 de junho de 2010

A ambição

O poeta é um fingidor. Porque o desencanto nunca é filosófico, mas poético. Porque apenas a poesia é capaz de representar as contradições sem as resolver, compondo-as numa unidade superior, elusiva e musical. Enquanto esse desencanto, ao mesmo tempo que corrige a utopia, moderando o seu pathos profético e finalista, reforça o seu elemento fundamental, a esperança. Pois que a esperança não nasce de uma visão do mundo tranquilizadora e optimista, mas sim da dilaceração da existência. Vivida e sofrida sem véus. Que cria uma irreprimível necessidade de resgate perante o mal. O mal que é simplesmente a radical insensatez com que se apresenta o mundo. A mesma que exige que a perscrutemos em profundidade. O poeta é um fingidor, nada mais. Porque não hesita em denunciar uma ferida profunda que lhe coloca dificuldades na realização plena. Tanto mais que "ambicionar viver é coisa de megalómanos", como escreveu Ibsen. Querendo com isto talvez dizer que só a consciência do árduo e temerário que é aspirar à vida autêntica pode permitir que nos aproximemos dela. Tão completamente que até parece dor a limalha irisada que nos cobre, nesse momento. Como que numa exclamação incontida de glória...

Monk no TMG

Meredith Monk vem à Guarda. Parece um sonho, verdad? Pois bem, o espectáculo será no Grande Auditório do Teatro Municipal, esta quinta-feira, 17 de Junho, pelas 21.30h. Ponham na agenda. Absolutamente imperdível. Para mais informações, ver aqui.

Sonhar é preciso (7)

Calendário da pré-época do SLB

17 Julho / vs. Groningen / Torneio Guimarães

18 Julho / vs. Vitória de Guimarães / Torneio Guimarães

24 Julho / vs. Mónaco / Apresentação aos sócios

27 Julho / vs. Sunderland / Albufeira Cup

31 Julho / vs. Feyenoord / Torneio Guadiana

1 Agosto / vs. Aston Villa / Torneio Guadiana

3 Agosto / vs. Tottenham / Eusébio Cup

O gajo em acção numa praia da Zambujeira

Mais Borges

Una rosa

De las generaciones de las rosas
que en el fondo del tiempo se han perdido
quiero que una se salve del olvido,
una sin marca o signo entre las cosas

que fueron. El destino me depara
este don de nombrar por vez primera
esa flor silenciosa, la postrera
rosa que Milton acercó a su cara,

sin verla. Oh tú bermeja o amarilla
o blanca rosa de un jardín borrado,
deja mágicamente tu pasado

inmemorial y en este verso brilla,
oro, sangre o marfil o tenebrosa
como en sus manos, invisible rosa.


Jorge Luis Borges

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Preces atendidas - 38

Lee Remick (vs. "Wild River", de Elia Kazan)