segunda-feira, 19 de abril de 2010

Stalker

domingo, 18 de abril de 2010

A tragédia de Inês

Algumas questões pertinentes do universo chupista bem pensante, num país onde as desigualdades são cada vez mais abissais: como é que a turbo-deputada Inês de Medeiros foi passar o fim-de-semana a casa, em Paris? No Sud-Express, como o bom povo de esquerda, que é suposto representar? Sim, num inusitado remake do épico regresso de Jacinto a Tormes? By the way, a AR pagaria o bilhetinho de ida e volta, em 1ª classe, como vem sendo hábito? E já agora, respondendo à vossa curiosidade, seus malandrecos, será que o Estado subsidiaria o seu pequeno almoço em Hendaye, como ajuda de custo para o penoso transbordo?

PS: por falar em odisseia, sabe-se que Cavaco Silva já chegou a Lisboa, depois de 1700 Km "à boleia", desde Praga... O país pode assim ficar mais tranquilo...

Com quatro pontos apenas se escreve a palavra campeão


Para além da enorme satisfação da vitória em Coimbra, que coloca o Benfica quase quase no título, hoje tive direito a um bónus especial. Vi o jogo em streaming no Veetle, o que significa que não alimento "objectos estranhos" pró-andróides, como é o caso da Sporttv. Os comentários da transmissão são feitos por pivots franceses. O que significa que os lances polémicos são analisados sem a conhecida parcialidade dos jornaleiros das estações nacionais. Às tantas, referiram um dos atributos do Benfica: ser um autêntico viveiro de jogadores que vão participar no próximo Mundial nas respectivas selecções: Paraguai, Brasil, Argentina, Uruguai, Espanha, etc. Keirósz, essa sumidade das palestras, lá pensará que o Carlos Martins, o Coentrão e o Ruben Amorim não têm a qualidade exigida para jogar ao lado de Bruno Alves!... Seja como for, a minha posição é sobejamente conhecida: força Argentina e Brasil A!

Debaixo do vulcão



Da Islândia tem-nos vindo boa música e paisagens simpáticas, embora desoladas. Agora chegou-nos esta onda de poeira vulcânica, misturada com o gelo dos glaciares, que não pára de alastrar. Dizem os especialistas que respirá-la é como engolir vidro. Seja como for, o composto é fatal para os reactores dos aviões. Razão por que o espaço aéreo de 3/4 da Europa está fechado desde quinta-feira. Ainda ninguém ousou fazer a contagem real dos prejuízos. Mas que já têm muitos zeros à direita, isso posso garantir-vos. As últimas estimativas apontam para 200 milhões de euros*. A situação atingiu uma dimensão tal que Durão Barroso acabou por convocar um Conselho de Ministros extraordinário da UE. No mapa, repare-se que só praticamente a Península Ibérica, o Sul de Itália e dos Balcãs e a Grécia escapam à nuvem. Até nisto temos sorte. Quanto ao resto, é melhor nem falarmos.

*vendo bem, atá são números modestos... Basta lembrar que há gestores públicos em Portugal que "auferem" 1,5 milhões anualmente...

sábado, 17 de abril de 2010

Macaronésia

Por uma vez, concordo com Mário Soares. Diferendo de opiniões, note-se. Que não belisca sequer o reconhecimento da linhagem sólida, que distingue os grandes políticos, de que Soares faz parte. Não é preciso um grande esforço para o imaginar preteritamente nos magníficos jardins de Sanssouci, disputando acaloradamente a voltagem do iluminismo, em amena tertúlia com Frederico o Grande. Ou até mesmo na fantástica biblioteca circular do "petit palais", elegido pelo monarca como sua residência de Verão. Um local onde, afortunadamente para Soares, abundam os livros e escasseiam os dossiers... A coisa aconteceu num colóquio efectuado ontem no ISCTE, em Lisboa. O ex-exilado em S. Tomé defendeu, inequivocamente, que Cabo Verde nunca deveria ter alcançado a independência. Para isso, aponta conhecidas razões de ordem histórica: a ausência de uma tradição independentista no arquipélago, a exigência de um referendo sobre a questão, que não se chegou na altura a concretizar e, sobretudo, não ser a independência um objectivo político declarado das elites locais de então. Efectivamente, as vantagens da criação de uma Macaronésia nacional (obviamente excluindo as Canárias) que englobasse também Cabo Verde, seria um trunfo económico e geo-estratégico de valor incalculável para Portugal. E, acredito, Cabo Verde só teria a ganhar se incluído no espaço económico e social europeu, ainda que com o estatuto de região ultra-periférica. Last but not least, aduziria uma razão de carácter particular para esta tomada de posição: garanto-vos que, se Cabo Verde fosse (ainda) território nacional, era lá que me encontrariam certamente.

Avançadinhas, hein! Qualquer dia até já fumam!...

Borges a toda a hora

Los enigmas

Yo que soy el que ahora está cantando.
Seré mañana el misterioso, el muerto,
el morador de un mágico y desierto
orbe sin antes ni después ni cuándo.

Así afirma la mística. Me creo
indigno del Infierno o de la Gloria,
pero nada predigo. Nuestra historia
cambia como las formas de Proteo.

¿Qué errante laberinto, qué blancura
ciega de resplandor será mi suerte,
cuando me entregue el fin de esta aventura

la curiosa experiencia de la muerte?
Quiero beber su cristalino olvido,
ser para siempre; pero no haber sido.

Jorge Luis Borges