terça-feira, 9 de março de 2010

O homem do aparelho

A corrida eleitoral no interior do PSD está ao rubro. Só espero que, ao longo da campanha, o debate politico-ideológico, e não simplesmente os casos da actualidade, seja o cerne do argumentário. Sobre Passos Coelho, já aqui tornei público por várias vezes o que penso acerca dele: um produto genuíno dos berçários partidários. Está mais firme do que nunca a minha convicção de que se trata de uma espécie de Sócrates laranja, só que aprumado como quem vai para um baile de finalistas do liceu. Recentemente, um amigo relativamente bem colocado na engrenagem daquele partido, relatou-me um episódio assaz curioso. Porventura à semelhança de outras organizações, existe no PSD uma figura carismática e privilegiada, no que toca ao seu modus operandi: a secretária das secções. É por ela que passa toda a informação relativa à actividade política, à logística, às finanças. É a secretária o elo incontornável, o filtro, o pilar silencioso, mas insubstituível. Por isso mesmo, desde sempre, à cautela, instalou-se a ideia de que, quem quer que ambicione a liderança ou um lugar de destaque nas estruturas do partido, não pode ignorar o verdadeiro poder paralelo das secretárias. Passos Coelho, ao que parece, foi mais longe. Ainda líder da JSD, contou-me o meu amigo, chegou a memorizar a lista das secretárias das secções mais importantes do partido, tratando-as pelo nome antes de iniciar qualquer expediente organizativo. Imagino mesmo que, no limite, teria uma agenda com o rol completo. Just in case!!!...

Preces atendidas - 36

Lauren Bacall


Os nichos do escritor

Para que cessem as dúvidas, também há o Escritor-Que-Mede-Leitor-A-Metro. O tal que tudo dá e tudo pode tirar. O que vai anotando, à margem, alguns dos seus tipos de ouvintes: Leitores de Ontem, Leitores do Ano Passado, Leitores da Rua A, Leitores da Rua B, Leitoras de Olhos Claros, Leitoras de Cachecol, Leitores Pouco Interessantes, Leitores Estratégicos, Leitores Tácticos, Leitores Inimigos, Leitores Bajuladores, Leitores Raivosos, Leitores Traidores, Leitores na Patagónia, Leitores de Berlim, Leitores Insuportáveis, Leitores Sentados no Trono, Leitores que Mexem os Lábios, Leitoras que Cruzam e Descruzam as Pernas, Leitores em Trânsito, Leitores de Cuecas, Leitores Professores, Leitores de Faculdade, Leitores com Verrugas no Nariz, Leitores em Tese, Leitoras com Bâton cor de Abacate, Leitoras no Meio de Batalhas Feromónicas, Leitores a dez mil metros Acima de Nós...

segunda-feira, 8 de março de 2010

Stalker

domingo, 7 de março de 2010

A paisagem do escritor

Criou-se a ideia de que, nos encontros literários, os escritores se aproximam do público, o público se aproxima da literatura e os livros se transformam num prato de amendoins no meio da cavaqueira. Por sua vez, cre-se que os escritores supostamente despem a sua áurea de inacessibilidade - "até falam de futebol", disse-me uma prima que esteve num encontro desses, há uns anos -, fazem esquecer epopeias misantrópicas e trocam acaloradamente os respectivos cheiros a sovaco. Alguns não se importam mesmo em subir a saia e deixar escapar algumas inconfidências acerca da sua próxima obra. Outros, são já profissionais da "coisa". Misturam-se no milieu como agentes infecciosos oportunistas. Nunca escreveram nada que se aproveitasse, mas o seu esforço penetro-insinuante acaba por dar frutos sumarentos. Estão lá quase sempre. São vistos. E se são vistos, algum editor acaba por convidá-los para. Neste caso, a chamada endurance do croquete, com final feliz. Já agora, por falar em croquete, vou dizer o que, para mim, representa a maioria dos encontros literários: sessões de masturbação colectiva. Nem mais. Isto porque os verdadeiros encontros literários passam-se, digamos, noutra frequência hertziana, noutro filme: é o escritor, quando se encontra a si próprio, ou seja, o seu terreno. Alguns exemplos: Malcolm Lowry e o México, Duras e a Indochina, Rilke e os anjos, Kafka e as sombras, Yourcenar e as ilhas gregas, Camus e o sol do Mediterrâneo, Nabokov e o exílio, Borges e os labirintos, Faulkner e Yoknapatawpha.

sábado, 6 de março de 2010

O algodão não mente

Eis o resultado de um exame detalhado, efectuado ao certificado de habilitações do "engenheiro" José Sócrates, disponibilizado pelo Jornal "PÚBLICO". Só fico admirado como há ainda quem leva este "pavãozinho de aparelho" a sério...


Não me detive nas classificações. Verifiquei que o documento estava datado ( 96/08/26), assinado pelo chefe da secretaria e...e... como sempre, os meus olhos detiveram-se em dois pormenores sem importância: no papel timbrado da Universidade Independente, no rodapé, entre outras informações, constam o endereço (físico e electrónico) e os números de telefone e de fax ( 351 21 836 19 00 e 351 21 836 19 22). Só que,... em 1996, os números de telefone não apresentavam os indicativos 21, 22, 290, mas sim, 01, 02, 090... etc, como aliás, pude confirmar (a alteração só foi feita em 31 de Outubro de 1999).


Um pouco mais à frente, consta ainda, um código postal composto por sete algarismos (1800-255), o que é deveras estranho, uma vez que só em 1998 começa a ser utilizada esta nova forma de indicação. Conclusão: o certificado parece ter sido emitido, não em 26/08/1996, mas em data posterior a 31 de Outubro de 1999. O problema ("o maior dos problemas") reside no facto de o Gabinete do primeiro-ministro já ter esclarecido, que a data válida era mesmo a do certificado que se encontra na Câmara da Covilhã." Mais um erro administrativo, que só pode ser imputado à UNI" (dirá o Gabinete do primeiro-ministro. Esta ultrapassou largamente as minhas expectativas...de tão básica que é!!!...

sexta-feira, 5 de março de 2010

I' ve got a feelin'

Carlos Queiróz, o ex-futuro campeão de alguma coisa, já comentou os assobios e os "olés" ouvidos ontem no estádio Municipal de Coimbra, durante o jogo amigável com a China: "não caíram bem na generalidade dos portugueses" (sic)! Pudera! É que o "treinador das palestras", como é conhecido, esqueceu que o futebol é, sobretudo, um espectáculo. E, como tal, o público pode e deve apreciar a qualidade do desempenho dos executantes. Que não podem excluir-se dessa sujeição ao escrutínio. Um país apoia a sua selecção se sentir que ela representa o melhor futebol que aí se produz e não os interesses de uma tribo nebulosa. Um seleccionador deve ser alguém impermeável a pressões. Alguém que sabe o que quer e para onde vai, por muito que isso doa às redes de influência. Infelizmente, Carlos Queiróz é hoje pouco mais do que um moço de recados do FCP. E a selecção uma simples montra para jogadores daquele clube e uma agência de naturalização para emigrantes brasileiros. A qualidade do seu jogo deixa antever que não passará da fase de grupos em África do Sul. Com algumas humilhações pelo meio. Assim sendo, aqui fica a minha posição oficial na fase final do campeonato do mundo: apoiar a Argentina. Ou seja, a selecção onde jogarão Di Maria, Saviola e Aimar. O resto já sabem...