À semelhança do ano passado, o Américo Rodrigues pediu-me para escrever um "balanxo", no "Café Mondego", do que melhor e pior aconteceu na Guarda no ano que passou. Desta vez, resolvi não fazer uma recolha descritiva, mas ir um pouco mais além. Ou seja, estabelecer outras qualidades e outras limitações. Experimentadas mediante uma vagabundagem poética. Portanto, grandezas fora do baralho, porque precisamente no meio dele. Está aqui desde a semana passada. Abalancem-se.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
domingo, 11 de janeiro de 2009
A resposta
Sobre a questão palestiniana em geral e sobre os bombardeamentos israelitas na faixa de Gaza, passou ontem à noite na SIC N um extenso debate. Onde pontuou a inefável Clara Ferreira Alves, "especialista" na área. À semelhança de grande parte da esquerda, apontou o dedo a Israel, sempre os maus da fita, é claro. Até Rui Bebiano, habitualmente tão lúcido, escreveu uma pastoral que, habilmente, desculpabiliza o Hammas e demoniza Israel. A única democracia no meio de cleptocracias permeáveis ao terror fundamentalista. O Daniel Oliveira, claro está, não poderia faltar aos seus amiguinhos terroristas. Ora vamos cá ver: o Hammas é pois, para os nanas de serviço, um grupo de escuteiros que ajudam as velhinhas a atravessar a rua. Boa acção essa à qual acrescento o "pormenor" de, durante a travessia, obrigarem a velhinha a esconder dois mísseis debaixo da saia. São os tais que usam ambulâncias para transportar armas, que fanatizam crianças com vista a torná-las mais um número na extensa hagiografia de mártires às portas do paraíso, que usam as populações civis como escudos humanos, que negam a existência ao estado judaico, que transformaram aquele território num arsenal rodeado por inocentes e futuros mártires, que desprezam a vida, a dignidade humana. Israel tem pois todo o direito de se defender, se a sua existência estiver ameaçada, como é o caso. É a vida.
Etiquetas:
fundamentalismo,
palestina,
terrorismo
Recordes polares
1. 0.8 º numa das alas da minha casa
2. 15 pingentes estalactites no chassis do carro
3. 3 peões seguidos por cima do gelo, ontem à noite, oferecidos por um amigo após o lançamento do livro, com paragem a cerca de um metro do muro.
4. 1 congelação de água nas canalizações dentro de casa, durante a noite.
5. 29 escorregadelas entre o restaurante e o TMG, ontem à noite.
Posfácio: a neve está tal e qual como caiu na sexta-feira: cada vez mais cristalina, cada vez mais etérea.
2. 15 pingentes estalactites no chassis do carro
3. 3 peões seguidos por cima do gelo, ontem à noite, oferecidos por um amigo após o lançamento do livro, com paragem a cerca de um metro do muro.
4. 1 congelação de água nas canalizações dentro de casa, durante a noite.
5. 29 escorregadelas entre o restaurante e o TMG, ontem à noite.
Posfácio: a neve está tal e qual como caiu na sexta-feira: cada vez mais cristalina, cada vez mais etérea.
sábado, 10 de janeiro de 2009
"Sou da Guarda"
Este episódio, relatado pelo Américo Rodrigues no "Café Mondego", despertou em mim o propósito de escrever algumas linhas sobre o que significa "ser" deste ou daquele sítio. Ou melhor, o que significa anunciar urbi et orbi que se é daqui ou de acolá. Antes de mais, convém isolar o enunciado "sou da Guarda" do contexto onde aparece. O qual só ao autor diz respeito. Pois é nessa declaração, e só nela, que vou pegar. Ora, o sentimento de pertença a um grupo, a um território, a uma cultura, a um corpo de representações colectivas comuns é, sem dúvida alguma, um elemento definidor da identidade do sujeito. Onde participam elementos subjectivos e objectivos, é claro. Mas nos quais não me vou agora deter. A existência social dos indivíduos é determinada, segundo Pascoaes, em primeiro lugar pela família a que pertencem, vindo depois a comunidade, associada a um território e, depois, a nação. Abstraindo do fundo de maneio ideológico que subjaz a esta construção, diria que, embora cada um se possa descartar de algumas destas filiações, dificilmente o poderia fazer em relação a todas elas. Centro-me agora na segunda, pois é dela que aqui cuido. O sentimento de pertença a um lugar é um laço identitário tão forte quanto relativo. Uma vez que pode não ser determinado pela naturalidade, mas pelas circunstâncias da existência, pela afinidade, por ser aí que se adquiriu a notoriedade, o conhecimento, a felicidade. Em suma, é um local adoptado que também nos adoptou, o que sinaliza uma verdade que uma ficção administrativa não pode fazer subsistir. Significativamente, na Idade Média e durante o Renascimento, era comum as pessoas serem conhecidas simplesmente por dois nomes: o próprio e o da cidade onde viviam, ou onde se notabilizaram. Erasmo de Roterdão e João de Ruão são só dois exemplos. Tudo isto para chegar onde? É menos importante o local de onde se é do que aquele onde se está. Claro está que, se ambos coincidirem e se para o sujeito essa ligação for importante, nada mais haverá a crescentar. Mas há mesmo. Porque existe uma relação inversamente proporcional entre o local de pertença formal que se invoca e a substância do seu conhecimento. Ou seja, quanto maior a veemência da afirmação do local de onde "somos", menos lá estamos, ou estivemos, efectivamente. Claro que, para muitos, esta questão nem se põe, uma vez que a sua identidade cultural passa por outras representações. Para esses, "ser" e "estar" são realidades simultâneas, nómadas e, porventura, risíveis, quando vistas em conjunto. No meu caso, posso adiantar que, estando fora de Portugal sou português, se isso vier à tona, e estando dentro sou prioritariamente "do mundo". Quando se trata de referir qualidades próprias, ou exemplos particulares, da Guarda. Na cidade, simplesmente "estou". Ou melhor, "vou estando". O que permite ficar dispensado de declarações redundantes e de querer ser dono de coisa alguma. Tásse? Ora bem!
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
O país por dentro
Chama-se "a vida neste país aqui agora". Trata-se de um projecto em forma de blogue, pensado para um país em forma de projecto. Reúne colaborações variadas e plurais (duas palavras que os mais distraídos julgam significar o mesmo) de vários autores, onde pontuam manuel a. domingos, Henrique Fialho e Luís Filipe Cristóvão. Ora, reflectir sobre a imagem que de nós fazemos é um desafio sempre actual, aberto sobretudo a partir da geração de 70, continuado por Pessoa, assombrado por Teixeira de Pascoaes e iluminado por Eduardo Lourenço. Os autores assumem-se como um grupo. Haverá, provavelmente, uma marca geracional neste propósito. Mas que, ao nos aproximarmos do projecto, se percebe inserida numa matriz de outro tipo. Até ao momento, só alguns dos nomes constantes da "ficha técnica" publicaram as suas propostas. Naquilo que será a base para outros desafios, segundo anunciam numa espécie de declaração programática que inaugura o blogue, intitulada "ponto da situação". Diz-se aí, logo no primeiro parágrafo: "Ideia: juntar os contributos de alguns portugueses sobre a situação de viver num país como o nosso neste determinado momento histórico pelo qual estamos a passar. A proposta não podia ser mais abstracta: cada um terá um país diferente (geográfica e culturalmente, cada um fez os caminhos que fez), e o seu momento histórico será deveras influenciado pelos seus interesses pessoais. Estará aí mesmo o interesse deste exercício: gerar algum debate em volta da forma como sentimos e vivemos o nosso país e os nossos tempos." Uma ironia descontraída e uma radicalidade firmada em situações caricatas, mas significativas, são algumas das notas que pude reunir a partir do que li. Em suma, um desafio auspicioso e a seguir com atenção.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
