quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

"Eu queria encontrar aqui ainda a terra": o livro


A peça estreou em Maio do ano passado, apresentada no âmbito do Projéc~. Produziu-a o TMG para a Câmara Municipal da Guarda e Centro de Estudos Ibéricos. Segue-se agora o livro. Ou melhor, o décimo caderno da colecção TMG, assim é que é. Os autores, ou seja, manuel a. domingos e este que vos escreve, agradecem a todos aqueles que tornaram possível esta edição, em especial ao director do TMG. E mais declaram aos costumes estar mortinhos (ia a dizer "em pulgas", mas assim fica mais... mais... quitoso, pronto) por manusear um exemplar. “Eu queria encontrar aqui ainda a terra” procura situar vários encontros, intensos, irónicos e por vezes desconcertantes: da memória recente da cidade com dois passageiros ilustres: Eduardo Lourenço e Vergílio Ferreira; de duas gárgulas de granito que são o mesmo e o diferente, a matéria e o espírito; de duas personagens em trânsito num ambiente exótico, cujas perguntas são maiores do que as respostas e estas provêm do inesperado.
A apresentação será no Sábado, dia 10 de Janeiro, no Café Concerto, pelas 21h30. A entrada é livre. Estão convidados.

Mnemónica

1. Terceiro dia da operação Citius por terras da Beira Alta. Como uma espécie de embaixador itinerante junto dos operadores judiciais, anunciando os poderes redentores do novo sistema. Engraçado é pressentir o pavor insano de alguns em ver desaparecer o papel, o querido papelinho. Aos poucos substituído por uma virtualidade onde não reconhecem a materialidade incontornável. E talvez uma subtil ambiguidade para fazer valer no momento certo, esse sim, inexorável, embora ainda humano. Pensam eles.
2. Junto a Oliveira do Hospital passei por uma localidade com uma toponímia que decerto não receberia o imprimatur caso passasse pela comissão inquisitorial. Chamava-se: Fonte dos Coitos. Olé! Dá-le!
3. Temperatura mínima recorde deste Inverno, dentro de casa: 2,5º Celsius. Bolas! Se fossem Farenheit sempre era melhorzinho. Mas cá se vai sobrevivendo. Farquê?

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O prémio

O Generación Y , da cubana Yoani Sánchez, que já atrás referi, consolidou a sua posição de verdadeiro ícone da blogosfera. Se já antes era citado e reconhecido como um modelo a seguir, agora viu serem-lhe atribuídos dois galardões, de uma assentada: os prémios BOBS (Best of Blogs) (Alemanha) e Ortega y Gasset de jornalismo digital (Espanha). Mas a lista não acaba: Yoani foi incluída no rol das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2008, segundo a revista "Time". Ao receber o segundo prémio, Yoani escreveu no seu "balsa-blogue" um belíssimo texto de agradecimento, aqui em versão integral e que não resisto a transcrever um pedaço:
"Não faltaram os que me chamaram à paz do silencio, à tranquila mansidão da apatia. Alertaram-me sobre esta teia legal e policial que maneja conceitos como “propaganda inimiga”, “quintacolunismo”, “assalariados do Império” ou - nos casos mais leves - mero “diversionismo ideológico”. Recomendaram-me que fugisse, indicaram-me a emigração como o caminho mais curto para a catarse; todavia, ao invés de comprar um motor de chevrolet para cruzar o estreito da Flórida, tornei-me uma balseira virtual. Escapei, porém não de meu país, senão do medo, da paranóia e do conformismo."

A batalha do Atlântico (2)

Ainda sobre o recém aprovado estatuto político dos Açores, recomendo a leitura do último "Retrato da Semana", de António Barreto, crónica publicada no jornal "Público" de 2 de Janeiro. Chama-se "A luta e os problemas" e constitui o mais lúcido comentário que até agora li sobre o assunto. A versão integral poderá ser encontrada aqui. Eis um excerto:

"É DE LAMENTAR o comportamento do Governo. Não se sabe por que razão Sócrates e o PS quiseram alterar o estatuto naqueles pontos controversos. As razões óbvias parecem evidentes. Por um lado, os socialistas pretendem delimitar os seus territórios pré-eleitorais e acham que lhes convém um confronto com o Presidente. Por outro, nada mais fizeram do que manter a tradição: são reféns das regiões autónomas e dos seus dirigentes, no que, aliás, são acompanhados por todos os restantes partidos. Mas estas razões, por demasiado óbvias e mesquinhas, não chegam para perceber os seus pontos de vista. O Primeiro-ministro e o Parlamento devem aos cidadãos uma explicação. Não basta dizer que têm pontos de vista diferentes do Presidente, como afirmam os seus porta-vozes subalternos, têm de explicar os fundamentos da sua decisão e as vantagens de tão tosco estatuto."

Stalker

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

U qui diz mulelo (4)

O ano bloguístico começa da melhor maneira. Um apaniguado socrático (o "licenciado", não o filósofo) acaba de me mandar um comentário deveras ouriçado (como diria um amigo meu de Ponte de Lima), a propósito desta postagem. Mister nobody, quiçá um boy agraciado com uma sinecura cor de rosa, indigna-se com a evidência de Sócrates ter querido testar a vontade presidencial e a maioria dos constitucionalistas acerca do recém-aprovado Estatuto para os Açores. O senhor César precisava de um tónico e o primeiro-ministro precisa de ir assegurando as espingardas para a sua maioriazinha. Tão simples quanto isso. É preciso fazer um desenho? De caminho, o tal nobody aconselha-me a "pentear macacos" e acusa-me de "só dizer disparates". Quais disparates? Bom, talvez a luminária tenha feito um doutoramemnto em Direito Constitucional. Tudo é possível. Até mesmo que a douta ciência da aventesma reduza à insignificância as minhas lições com o Prof. Jorge Miranda e uma Constituição anotada dos professores Canotilho e Vital Moreira, com o humilde suprimento de umas anotações manuscritas por este vosso criado. Como dizia, tudo é possível. Portanto, gente que nada quer discutir ou inovar, mas simplesmente dar azo ao seu nanismo intelectual e cívico, não tem nem nunca terá tempo de antena neste blogue. E só teve hoje porque me apetece recordar a regra, neste ano que agora começa.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Paperbacks - 15