sexta-feira, 4 de abril de 2008

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Top dúzia

Os doze livros de ficção mais importantes que já li antes de morrer e que, certamente, têm vindo a tornar a minha vida muito, muito excitante:
  • Viagem so Fim da Noite, Céline
  • O Som e a Fúria, William Faulkner
  • Os Passos em Volta, Herberto Helder
  • O Vermelho e o Negro, Stendhal
  • Memórias de Adriano, Marguerite Yourcenar
  • Os Possessos, Dostoievski
  • As Benevolentes, Jonathan Littel
  • Os Sonâmbulos, Hermann Broch
  • O Estrangeiro, Albert Camus
  • Os Irmãos Karamazov, Dostoievski
  • Palmeiras Bravas, William Faulkner
  • Auto dos Danados, António Lobo Antunes

O amuleto

Afazeres profissionais levaram-me hoje de manhã a um Tribunal situado perto de uma escola secundária. Enquanto esperava pelos meus clientes, reparei em algo comum aos adolescentes de ambos os sexos que passavam: a grande maioria sozinhos, pois que acompanhados do seu telemóvel. Que tratavam como se fosse o único elo com o mundo que possuíssem. Um objecto no qual centravam todas as suas necessidades de comunicação, aprovação social, pertença ao mundo. Como se tudo o resto fosse superfluo. Pois. Não admira mesmo nada o que se passou no tal episódio da escola do Porto. Que já todos os blogues comentaram, excepto o "Gaijas da TV", o "Galáxia Wrestling" e o "Aqui é só Gatas". E que deu certamente 80 voltas ao mundo num microsegundo.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Instantâneos

Avizinha-se uma luta interessante pela liderança das estruturas concelhias da Guarda do PS e PSD. O interesse reside na significativa subida de qualidade das personalidades envolvidas, relativamente aos fósseis sempre em pé que por lá abundam e que, definitivamente, não passarão à história.

A porta


Eu sou feita de madeira
Madeira, matéria morta
Mas não há coisa no mundo
Mais viva do que uma porta.

Eu abro devagarinho
Pra passar o menininho
Eu abro bem com cuidado
Pra passar o namorado
Eu abro bem prazenteira
Pra passar a cozinheira
Eu abro de sopetão
Pra passar o capitão.

Só não abro pra essa gente
Que diz (a mim bem me importa . . .)
Que se uma pessoa é burra
É burra como uma porta.

Eu sou muito inteligente!

Eu fecho a frente da casa
Fecho a frente do quartel
Fecho tudo nesse mundo
Só vivo aberta no céu!

Vinicius de Morais

Stalker

terça-feira, 1 de abril de 2008

Reflexões sobre política cultural (2)

(ler anterior)
Prossigo o lançamento de alguma matéria comburente para o debate acerca do modelo público de cultura. O que atrás se disse acerca do Humanismo, significa que só graças ao esforço individual seremos capazes de nos apetrechar com um critério que nos permita viajar através da história. Ao fazê-lo, apropriamo-nos dela, conseguindo distanciar-nos da ditadura cultural do tempo presente. O humanismo, definitivamente, é isso, o cultivo da nossa inteligência e sensibilidade para podermos julgar os resultados das artes e das letras com discernimento e liberdade. O contrário de uma política cultural cujo objectivo não é o diálogo com o passado, mas a transformação desse passado numa indústria de entretenimento. Nisso consistiu a transição de um modernismo transgressor para um posmodernismo consumista e multicultural. O mais significativo na acção do Estado cultural no modelo francês, seguido entre nós, é o seu fracasso perante a redução da cultura a uma variante do consumo de massas. Um consumo que o próprio Estado, no melhor dos casos, fomentou. E no pior, a sua impotência diante da pura e simples eliminação da cultura. Esta eliminação é alimentada pela deterioração progressiva dos saberes humanistas, mas também científicos, no terreno da educação. Deste modo, os paladinos do relativismo, em particular as cadeias televisivas, viram, na liquidação do cânone e no empenho oficial em impôr o vanguardismo e a ruptura no mundo artístico, o melhor passaporte para o vale tudo. E assim, porque tudo é igual e tem o mesmo valor, "a vida guiada pelo pensamento cede suavemente o seu lugar ao terrível e ridículo cara a cara do fanático e do zombie" (Alain Finkielkraut, A Derrota do Pensamento). Isto é, diante das duas principais nódoas que obscurecem o panorama da cultura actual: a monomania identitária do nacionalismo e o relativismo consumista e omnívoro da posmodernidade.