terça-feira, 4 de dezembro de 2007

O passo

Chegamos todos ao ponto em que a vida se esclarece à luz do inferno. Mas ninguém arrisca um passo definitivo.

Raul Brandão, Húmus

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Momentos Zen - 29

Ter para ser

Ver anterior

Boa onda

12 Polegadas é o nome de um novo programa da Rádio Altitude. Trata-se de uma emissão ao vivo, transmitida todas as sextas, entre as 23 00h e a meia-noite, dedicada às novas tendências da música electrónica. Segundo aquela estação, a emissão " Tem a particularidade de ser realizado por DJs da Guarda... Para isso foi estabelecida uma parceria com um dos mais frequentados bares da cidade, onde os intervenientes actuam como DJs residentes ou convidados. Este acordo poderá alargar-se à organização de festas temáticas ou à realização de emissões ao vivo a partir do bar".

Visões - 3


Ver anterior

A esquerda bloqueada

Houve recentemente uma campanha da marca Tagus, entretanto cancelada, onde se associava o consumo daquela cerveja a uma espécie de pertença a uma suposta comunidade de machos, que assim reivindicam o seu "orgulho heterossexual". No meio de dois arrotos, claro, embora essa manifestação de júbilo esteja só subentendida. Tudo isto resumidinho dá no seguinte: como marketing é fraquinho. Como mensagem é indigente. Mas a resposta veio depois. As associações do "sector" gay, lésbico e tal saltaram à carga. Indignadas porque o "seu" orgulho já existia antes ("tá aqui, registadinho, querem ver, querem?"). Portanto, como são minorias "oprimidas", têm o direito natural a uma série de sentimentos grupais que as maiorias não podem ter. As quais têm que se resignar a andar caladinhas. De preferência com ar culpado, acabrunhado mesmo. O Francisco José Viegas já veio desmistificar esta saga politicamente correcta. Em resposta, o Daniel Oliveira apareceu a defender as ditas associações, indispensáveis para as causas fracturantes do seu partido. Ora, vamos lá ver. Sou dos que sempre acharam que é infinitamente mais importante aquilo que as pessoas metem na cabeça do que aquilo que metem no cú. Sejamos claros: não creio que, no nosso país, haja tanta homofobia assim, que justifique tantos "cry babies", tanta hiper-susceptibilidade, tanta vitimização, tanta seriedade. Ela existe, é claro, mas não tem a dimensão que dizem ter. E a lei penal já acautela as discriminações nessa matéria de forma inequívoca. (ler mais)

sábado, 1 de dezembro de 2007

Identidade

Crimes exemplares - 19

É uma mulher de 35 anos. Por volta das seis da tarde, quando regressava do trabalho, lembrou-se que deveria passar pelo supermercado. Tinha-se esquecido de comprar ovos e farinha na compra do mês e hoje queria oferecer um bolo a si própria. Há muito tempo que não fazia um bolo. Não tem família. Vive sozinha desde a morte da mãe. Gosta de coisas simples, do gato, dos vasos que rega diariamente, do sol, e de vez em quando de fazer bolos. Agrada-lhe o tempo de espera enquanto o bolo coze. É como se sentisse que mesmo seguindo rigorosamente as receitas, os resultados não dependessem exclusivamente de si. Quando abre o forno e se depara com a forma e o cheiro final é sempre um momento de grande satisfação, até nas ocasiões em que o resultado não é o mais desejado. É daquelas pessoas que acha que nada acontece por acaso e que para tudo há uma solução, e portanto, não se aborrece quando o bolo sai do forno completamente queimado. As amigas estão quase todas casadas. Algumas já têm filhos. No trabalho perguntam-lhe dia sim, dia não se já arranjou namorado. Responde-lhes que se está solteira é porque Deus assim quer e que se sente feliz com a vida que tem. Esperar não é coisa que lhe cause angústia. Talvez graças às horas que passa no jardim a compor a relva, aqui e acolá remexida. Sobretudo nos dias em que o aroma do bolo se desprende do fogão.

Ver anterior