Quando às vezes percorro a vegetação luxuriante da blogosfera, instala-se em mim uma espécie de espanto. Sim, espanto, de onde emerge uma dúvida com o seu quê de obscuridade, mas nem por isso menos aflitiva: para quê tantas palavras que ninguém lê e tão poucas que lêem quem as escreve?
domingo, 6 de maio de 2007
O xadrez
En su grave rincón, los jugadores
Rigen las lentas piezas. El tablero
Los demora hasta el alba en su severo
Ámbito en que se odian dos colores.
Adentro irradian mágicos rigores
Las formas: torre homérica, ligero
Caballo, armada reina, rey postrero,
Oblicuo alfil y peones agresores.
Cuando los jugadores se hayan ido
Cuando el tiempo los haya consumido,
Ciertamente no habrá cesado el rito.
En el oriente se encendió esta guerra
Cuyo anfiteatro es hoy toda la tierra,
Como el otro, este juego es infinito.
Jorge Luis Borges
sábado, 5 de maio de 2007
sexta-feira, 4 de maio de 2007
quinta-feira, 3 de maio de 2007
A balança
Ontem vi parte do debate televisivo que opôs Ségolène Royal e Nicolas Sarkozy, os dois candidatos que vão disputar no domingo a 2ª volta das presidenciais em França. Num contraditório de grande qualidade, os temas discutidos nesse excerto centraram-se em política nacional - saúde, emprego, fiscalidade, segurança social, competitividade e segurança. A candidata socialista pareceu-me muito bem preparada e bastante incisiva. O gaulista jogou mais à defesa. Se o debate fosse disputado aos pontos, diria que houve um empate técnico, uma vez que a solidez argumentativa e o conhecimento das matérias foram repartidos pelos dois de forma equitativa. Algumas notas a registar:1º ambos evidenciaram um discurso claro e conciso, apoiando sempre a argumentação dispendida em números, na experiência pessoal, ou num programa presidencial preparado até ao ínfimo pormenor. São as figuras de proa de uma renovação geracional e de um modo diferente de estar na política.
2º temas como o SMIC (salário mínimo), reforma antecipada, horas extraordinárias, as 35 horas, número de funcionários públicos, peso da Administração, pleno emprego, integração das minorias, emigração, dominaram essa parte do debate. Royal mostrou-se avessa a grandes mudanças nos direitos sociais e laborais. O seu discurso passou ao lado da moderna social-democracia europeia. Sarkozy deu a entender que não há direitos sem responsabilidades e que certas "conquistas" não podem ser encaradas como dogmas. Em relação à integração das minorias, optou claramente por um modelo anglo-saxónico, em vez do paternalismo assistencialista que tem dominado em França. Por outro lado, num país onde o sector público representa uma parte substancial da economia, que não mostra sinais de crescimento, muita coisa haverá a fazer em relação à competitividade. Em resumo, a primeira quer aperfeiçoar o sistema, de forma um pouco difusa. O segundo torná-lo mais eficaz, em torno de um programa bastante coerente.
3º confesso que, fosse eu cidadão francês, teria muita dificuldade em decidir o meu sentido de voto. Agrada-me a forma corajosa como Sarkozy rompe com certos tabus (para a esquerda). Mas desconfio dos seus métodos. Por outro lado, as preocupações sociais de Royal despertam a minha simpatia. Mas, lá como cá, parecem destinadas mais a tranquilizar aqueles que já beneficiam do sistema. Impedindo que a sociedade gere a sua própria dinâmica. Mas foi sobretudo a intenção desta última em reabrir o processo de aprovação de um novo tratado constitucional europeu maximalista que me fez recuar. Embora desconfie que, na hora da verdade, lhe desse o benefício da dúvida.
Os 100 +
"The 100 most influential books ever written: the history of thought from ancient times to today", da autoria de Martin Seymour-Smith, apresenta-nos uma escolha pessoal das obras mais representativas do pensamento, desde a Antiguidade. A listagem pode ser consultada aqui (com os títulos traduzidos) e aqui (em inglês). Trata-se de 100 livros, que "de facto, exerceram, mesmo que às vezes de forma tortuosa e subterrânea, influência decisiva sobre o curso do pensamento - e, por conseguinte, sobre o rumo da história". O autor realça que as obras foram incluídas na análise "porque mudaram a forma como os povos, às vezes nações - bem como os indivíduos - se pensam a si próprios." Esta compilação, ousada e de fácil percepção, avalia grandes obras de muitas culturas, línguas e épocas, por ordem cronológica, desde o I Ching até Beyond Freedom and Dignity, de Skinner. Sendo o resultado do estudo efectuado pelo autor ao longo da sua vida das grandes obras da literatura, filosofia, ciência, religião e história, este livro fornece um dinâmico e esclarecido guia do desenvolvimento do pensamento. Cada uma das entradas contem um enquadramento histórico, uma sinopse do texto, informação sobre o autor, os factores que determinaram a importância de determinada obra, e as razões da sua actualidade. Crítico, biógrafo e poeta inglês, Martin Seymour-Smith (1928-1998) publicou uma vasta obra abarcando cinco décadas.Da obra não há edição portuguesa. Porém, existe uma brasileira, com a chancela da Bertrand Brasil. Ver aqui.
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