Qualquer destino, por longo e complicado que seja, consta na realidade de um único momento: o momento em que o homem sabe para sempre quem é.
Jorge Luis Borges, in "O Aleph"
Chama-se 2007 Mayday. Numa cultura de "valores seguros" e onde o espaço público se reduziu a um epifenómeno, é deveras estimulante ver aparecer esta iniciativa, mobilizadora e interventiva quanto baste. Como já aqui referi, torna-se absolutamente necessário o aparecimento de movimentos sociais criativos, que desdenhem os benefícios difusos e o folclore de um sistema de emprego "trancado". Numa altura em que as oportunidades reais criadas pelo sistema de ensino - que se vangloria de uma escolaridade obrigatória de mãos dadas com a iliteracia - são reduzidas. E em que os sindicatos mantêm o seu autismo, vivendo amarrados a velhas lógicas e ao interesse dos seus filiados, completamente desligados deste "novo protelariado" onde germina a criatividade das grandes lutas do Século XXI. Pois é mesmo disso que se trata.