quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Curtas

O Supremo Tribunal da Califórnia decidiu, no último dia 21 de Novembro, que os proprietários de sites na internet estão isentos de responsabilidade sobre os comentários difamatórios postados por terceiros nas suas páginas. Entendimento contrário ao de "gigantes" como a Google ou a AOL, que agora vêm a sua posição enfraquecida. A decisão engloba também a blogosfera, pois não pode ser imputada responsabilidade aos proprietários dos blogues pelo teor dos comentários colocados pelas pessoas que visitam a sua página. Neste sentido, o Tribunal deliberou, por unanimidade, que os queixosos por difamação só podem processar o autor do comentário, e não as empresas que os publicam ou distribuem. A decisão é válida no Estados Unidos, mas em tempo de globalização, acaba por afectar muita da comunidade de bloggers em Portugal, dado que muitos ISPs têm os seus servidores nos Estados Unidos.
O caso em concreto envolvia uma firma de manutenção de páginas Web que recebeu e publicou um e-mail criticando um determinado médico.
Uma boa notícia, sem dúvida.


quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

Perdições - 2




Discografia:
Love's a Lonely Place to Be EP (UK Why Fi) 1982
From Gardens Where We Feel Secure (UK Happy Valley/Rough Trade) 1983
Promise Nothing (Bel. les disques du Crépuscle) 1983
Hope in a Darkened Heart (Geffen) 1986
Had I the Heavens
All Shall Be Well

Website
Página no Last.fm

sábado, 2 de dezembro de 2006


sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

Diário de um tolo - 13

Não, não é cansaço, tal como o Álvaro de Campos. É tropeçar na memória, numa paisagem onde a incerteza já não me espantasse, dançar em jardins de fogo e entrever a inocência plantada na obstinação das pedras. Não, não é só cansaço, mas sobretudo cansaço. De tanto se resumir a tão pouco. De a realidade não desmentir o pesadelo. Afinal, não tenho visto ninguém a abrir uma frente nova na sua vida e abraçar o desconhecido. Dar importância a quem a merece. Muitos sorrisos e promessas ruidosas, resplandecentes, e que, já se sabe, nunca irão ser cumpridas. No final, as piedosas desculpas do costume. Julga-se encontrar alguém e encontra-se um saco de justificações. Há para todos os gostos e feitios. Em comum, a tibieza e o pavor dos grandes gestos. É cansaço, sim, um cansaço do tamanho do mundo. No final, a única e fundamental descoberta: estamos sós. Sós perante Deus. Sós perante o que conseguimos ser. E o que não conseguimos. Perante a luz decapitada.

Ver anterior

Cesariny - 3

Welcome, onde quer que estejas, em Elsinore, só pode ser, a morada certa para um príncipe em terra de plebeus, que acendeu as palavras como barcos. Graças a ti, muitas das que quase deixaram de esperar por nós, teimosamente ainda esperam.

Cesariny - 2

Despe-te de verdades
das grandes primeiro que das pequenas
das tuas antes que de qualquer outras
abre uma cova e enterra-as
a teu lado
primeiro as que te impuseram eras ainda imbele
e não possuías mácula senão a de um nome estranho
depois as que crescendo penosamente vestiste
a verdade do pão a verdade das lágrimas
pois não és flor nem luto nem acalanto nem estrela
depois as que ganhaste com o teu sémen
onde a manhã ergue um espelho vazio
e uma criança chora entre nuvens e abismos
depois as que hão-de pôr em cima do teu retrato
quando lhes forneceres a grande recordação
que todos esperam tanto porque a esperam de ti
Nada depois, só tu e o teu silêncio
e veias de coral rasgando-nos os pulsos
Então, meu senhor, poderemos passar
pela planície nua
o teu corpo com nuvens pelos ombros
as minhas mãos cheias de barcas brancas
Aí não haverá demora nem abrigo nem chegada
mas um quadrado de fogo sobre as nossas cabeças
e uma estrada de pedra até ao fim das luzes
e um silêncio de morte à nossa passagem.

Discurso ao príncipe de epaminondas, mancebo de grande futuro, in Manual de Prestidigitação, Assírio & Alvim, 1981

Cesariny - 1

Sem Título, técnica mista sobre platex