B: assim ninguém chateia. podes desligar o canal…alô! A:-))) já desliguei! B: o tal canal? A: sim, esse. E então aí pela lancia oppidana? B: nem imaginas o perfume q por aqui vai...A: alguma nova ETAR? B: não, o perfume é outro: umas trocazinhas de favores entre as famílias do costume e amigalhaços…A: mas isso não acontece em todo o lado? B: aqui é + à descarada. perante o fenómeno os antropólogos dividir-se-iam entre considerá-lo um potlach invertido, em q todos põem mas só alguns tiram para si e para oferecer aos afilhados, ou uma variante mansa e benigna de compadrio à siciliana, naturalmente sem ofertas q ñ se podem recusar e senza il capo di tutti capo, enfim, uma coisa mole, discreta, acolitada por serranas pancadinhas nas costas, lol…A: mas é assim tão mau? B: impede que a região se desenvolva, sendo q o mérito e a excelência fogem daqui como o diabo da cruz…A: ñ estás a exagerar? B: antes fosse…A: o livro k vais escrever fala de k? B: já lá vamos...mas antes, o q causou o teu momento de felicidade? pode-se saber? A: ñ sei…B: talvez o vento...lolol…A: não havia vento…aliás havia pq eu estava a dançar, mas era só esse…B: então talvez as notícias de um país distante e q teimas em ignorar...A: por momentos deixei de ignorar talvez tenha sido por isso…mas foi mt bom! B: exactamente. eram os teus a chamar-te. os hobbits...ñ é que esteja a chamar-te baixinha...lol. A: pois. :)). k são hobbits?? B: ñ viste o senhor dos anéis? A: vi, mas ñ tou a ver os hobbits…B: eram aqueles habitantes da aldeia de onde saiu o herói: pequeninos, rechonchudos e sempre felizes...A: ahh, tipo duendes! adoro duendes…B: já falaste com algum? A: adorava! dizem k ainda existem e q era parecida com um. k achas? B: pela foto q mandaste, tens bastantes semelhanças...A: J)), tb acho. B: só q não andas aos saltinhos, excepto em ocasiões especiais, lol…A: só qd ponho tacões altos…B: já sei o q foi. é o Outono que está a chegar...A: ñ gosto do Outono, costumo ficar deprimida. B: errado. a época das depressões é a primavera...aquele verde, aquela positividade obrigatória, é como ter de recitar o hino na escola primária...A: isso é paranóia. B: ñ, é só nóia, lol. já topaste a quantidade de cores q agora há? A: por aki nota-se pouco, mas vai dos vermelhos aos castanhos, a variedade é pouca. B: aqui nota: as uvas a serem recolhidas, as folhas a descreverem o último voo antes de encontrarem o chão, os soitos a abarrotar de castanhas, um cheiro novo q paira...A: pois e as pessoas a recolherem toda a lenha k podem para depois se fecharem em casa. é triste. B: como a cigarra...A: pois, estás a ver!!! depois vem a tempestade e lá vai a cigarra e a formiga na maior. B: achas isso triste? É só mais uma página se quer virar! o Outono é esperança pura...A: o Outono é esperar pelo Inverno. :-) hoje estou no contra. B: ñ! é esperar simplesmente. A: escolhi uma boa ocasião para ter um ataque de felicidade, amanhã gostava de me sentir assim outra vez. B: como vês é fácil. e não há contra-indicações...A: a sério q sentiste o mesmo ontem? B: sim, pq vejo uma série de projectos a concretizar-se, mas só os meus olhos os vêem...A: ainda ñ posso dizer o mesmo mas vou no bom caminho. B: sim, a passo de caracol e a assobiar para o ar, mas tenho a certeza que vais...:)) A: as cigarras são assim…B: há um haikai japonês q diz: "Silêncio: as cigarras escutam o canto das rochas". então já vais? A: vou tomar banho. adorei este bocadinho aki ctg. B: eu tb. então esfrega bem as costas...lol…
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segunda-feira, 27 de novembro de 2006
The day after
Ontem foi a estreia do espectáculo Guarda, Paixão e Utopia, uma co-produção TMG/ACERT, integrada nas comemorações do 807º aniversário da cidade e já aqui anunciada. A peça foi muito bem recebida pelo público, como espero o venha a ser também hoje. Como tive oportunidade de escrever na folha de sala do espectáculo, a propósito da concepção do guião, a opção seguida foi a criação de uma ideia “da” Guarda “para” a Guarda: uma narrativa não documental, diacrónica, baseada no “real”, mas colocando-o ao serviço das finalidades próprias de um espectáculo teatral, com forte componente musical e coreográfica. Arquitectada segundo uma tensão dialéctica entre um discurso optimista e outro pessimista – o Anjo da Guarda e o Velho - resolvida num clímax final absolutamente surpreendente. Concluída a apresentação, algumas reflexões:
- desde logo, o próprio processo de produção. Esta é uma obra colectiva por excelência, com cerca de 250 pessoas envolvidas, a grande maioria pertencente a colectividades locais. Mas nem por isso as dificuldades inerentes à reunião, num projecto artístico, de tanta gente, se pareceram sentir. É simplesmente espantoso observar o resultado produzido com os mais diversos contributos artísticos, técnicos e logísticos, como se de uma só voz se tratasse. Grande parte do mérito, há que reconhecê-lo, vai para a direcção artística do projecto. Mas nada disto seria possível sem um prévio e demorado trabalho de apoio e consolidação das colectividades envolvidas.
- esta peça pode muito bem marcar uma nova etapa na consciência cívica da Guarda. Não é impunemente que se congregam vários grupos de teatro, ranchos, filarmónicas, coros, fanfarras, actores, etc., ao serviço de uma proposta teatral única, talvez a nível nacional. Como se a generosidade e o talento de tanta gente tivessem brilhado com uma magnitude imprevista. Mas sinaliza sobretudo a afirmação da cultura como agente primeiro de qualificação e desenvolvimento. Aqui como em qualquer outro local. Talvez aqueles que negavam esta evidência reconsiderem as suas posições. Há batalhas que se vencem aos pontos. Até todos perceberem que ninguém perde.
- o meu contributo, para além da co-autoria do guião, passou também pela representação: o poeta que inaugura a luz. Foi, sem dúvida, das experiências mais gratificantes em que tomei parte neste cidade.
O regresso de Tom Waits
Acabou de sair o último trabalho de Tom Waits: Orphans. Trata-se de uma recompilação de material gravado para albuns anteriores e não utilizado, aqui alinhado em três partes distintas: Brawlers, Bawlers e Bastards. Ao longo de 56 canções e 3 discos, foram capturados os poderes "xamânicos" de Tom Waits como vocalista, poeta, melodista, arranjador e pioneiro de ambientes sonoros únicos.Esta edição limitada, assinada e produzida por Waits e sua mulher, Kathleen Brennan, contém 30 novas gravações, nunca antes escutadas , e ainda temas raros retirados de colaborações com vários artistas em filmes, livros e música — completado com um booklet de 94 páginas manuscritas com as letras e fotos nunca vistas.
Cada um dos CD’s está arranjado separadamente, com os títulos referidos, de modo a assegurar uma perspectiva tão completa quanto possível da variedade de estilos musicais experimentados por Tom Waits.
Brawlers é apresentado como o roadhouse Waits... Que explode, assobia e grita. São os primitivos e surreais blues, convocados os Stones, Beefheart, Muddy Waters e T-Rex.
Bawlers – Baladas intimistas sobre a tristeza no final da estrada são emolduradas por delicadas canções sobre a inocência e uma esperança jovial.
Bastards – explora o lado estranho e pouco comum de Waits. Encontramos aqui os seus temas mais experimentais e estórias bizarras. Há diversões inclassificáveis neste lado sombrio. Que atravessa e cidade com longos discursos, spoken words, ritmos vocalizados, um cover dos Ramones e uma versão de Daniel Johnston, “King Kong,” uma perturbante história de embalar e um poema de Charles Bukowski.
Imprescindível.
domingo, 26 de novembro de 2006
sábado, 25 de novembro de 2006
Crimes exemplares - 12
A festa durava há horas e parecia ter atingido o seu auge. Os convivas iam abandonando aos poucos uma espécie de formalidade transportada do quotidiano e difícil de romper. Onde a polidez calculada dava lugar ao inesperado. Todavia, ele sentia-se perdido no meio de tudo aquilo. Não que negasse uma parte ínfima do mundo - no centro da qual se encontrava - um mundo cujo poder e forças experimentava. Não que lhe fossem estranhos os perfumes inconfundíveis trazidos pela noite. Tudo se devia à sensação de não ver senão o vazio, onde esperava encontrar o esquecimento. De repente, deixou de entender o que os outros diziam. Parecia que falavam uma língua misteriosa e exótica, a que lhe era vedado o entendimento. Parecia que tudo aquilo tinha deixado de fazer sentido. Parecia que havia sido escolhido para uma provação que até ali tinha sempre partido de si. O desconforto paralisava-o. Saiu. No hall de entrada, mal reparou no olhar da rapariga do bengaleiro. Pensou convidá-la para dançar, mas limitou-se a recolher o casaco. Ainda a ouviu dizer: "Só é nosso o que esquecemos". No exterior, o ar fino por momentos tranquilizou-o. Morava no mesmo quarteirão, duas ruas à frente. Mas a cidade parecia decidida a contar-lhe os seus segredos mais funestos. Logo à frente, deparou-se com um rasto de armaduras gigantescas, ensanguentadas, espalhadas pela rua. Um coro de gemidos acompanhava as proporções desumanas do cenário. Desembocou numa praça cheia de gente, como se fosse já de dia. Percebeu que estava perdido. Perguntou a alguém o caminho para casa. Que, afinal, era logo "ali", numa rua perpendicular. Só que as coisas não eram assim tão simples. Mal saiu da praça, deu conta do aspecto bizarro das casas. As cores tendiam para o escuro. As pessoas confluiam para uma espécie de túneis entre os edifícios. Entrou num deles. A passagem era estreita. Parecia destinada a contorcionistas e não a pessoas comuns. Por fim, a custo, conseguiu chegar ao outro lado. Percebeu que estava ainda na parte alta da cidade e que precisava de descer, para chegar ao destino. Viu então uma espécie de corrimão que serpenteava pelas casas da encosta, com assentos individuais, que faziam um barulho arrepiante ao serem accionados. Como um funâmbulo, tomou lugar num desses assentos, iniciando a descida. À medida que a velocidade aumentou, deu logo conta que não conseguiria deter o mecanismo. Ouvia os risos dos "companheiros " de viagem, os ruídos próprios da cidade, mas agora ampliados até atingirem uma cacofonia monstruosa. As imagens sucediam-se a uma velocidade vertiginosa. Já nem pensava "como" aquilo iria acabar, mas "quando". Foi então que acordou, dentro do sonho. E só acordou fora dele quando, olhando para o lado, na penumbra adivinhou a presença da rapariga do bengaleiro.
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sexta-feira, 24 de novembro de 2006
Animações

Já havíamos descoberto, graças ao Peopleware, o Animator vs. Animation, uma sensacional animação em Flash, assinada por Alan Becker. Tudo se passa num desktop de um PC em que corre o flash. Uma figura, farta de ser manipulada, revolta-se e riposta. No seguimento, surgiu o Animator vs. Animation II, do mesmo autor. A história é semelhante, só que desta vez a figura torna-se um ninja que desestabiliza todo o PC que o hospeda. Bom para um fim de semana de temporal.
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